domingo, 26 de maio de 2013

A onda que carrega também é a que traz de volta

                                                 
Já faz tempo que não produzo regularmente neste blogue. Nunca foi minha intenção deixá-lo tanto tempo intacto. Não se abandona assim um jardim, nem que nele haja muitos espinhos. Mesmo assim, este espaço nunca saiu da minha cabeça. 

Sempre fui viciado em informação. Sempre quis saber o máximo possível sobre o que se passava a minha volta. Com a música tenho a vantagem de saber sobre outras épocas, outros lugares e quiçá outros planetas, universos paralelos do qual estou alheio durante o fugaz período da consciência. Os textos normalmente utilizados na imprensa para falar de música buscam uma racionalização da compreensão da arte. Mesmo que os motivos sejam nobres, como fazer um texto acessível a maior parte de pessoas possível, as palavras do temente jornalista não transcendem. Falham na transe ao transar para a indústria e não à arte. Como todos os textos que se encontram neste espaço tem justamente esta falha moral, passei os últimos anos pensando cá com meus botões: que fazer para melhor transmitir esse jorro inesgotável de informações?

Certa vez me disseram que uma obra de autor depois de lançada não mais o pertence e sim ao público, às pessoas. Elas vão (re)condicionar os sentidos, as sensações provocadas ao que lhes interessam, ao que conhecem, ao que sentem. Assim, a humanidade da arte está ligada a capacidade de fazer as pessoas sentirem. Por que não um texto sobre música que ultrapasse os chavões jornalísticos? Estes tão necessários construirmos para depois desmontá-los sílaba por sílaba, palavra por palavra. Vamos à emoção descontida, às situações que parecem ter trilha sonora própria, ao dito e interdito numa singela estrofe.

A música está na nossa vida, impossível desassocia-la. Com o perdão de Nelson Rodrigues, vamos à vida como ela é, gigante em sua insignificância. Não que eu vá abandonar a resenha, mas será rara.

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