terça-feira, 10 de maio de 2011

Fleet Foxes - Helplessness Blues (2011)


Sim, doutor! O Fleet Foxes lançou seu segundo disco. A ignorância gráfica na capa e o poster (presente pelo menos na versão em vinil) são os mimos da banda para o fã ficar curtindo enquanto deixa a agulha correr pelo bolachão. Três anos após lançar o espetacular disco de estréia (Fleet Foxes, 2008), o grupo retorna como um sexteto. Morgan Henderson, antigo integrante do Blood Brothers, levou ao Fleet Foxes sua experiência de multi-instrumentista.
Neste álbum não há um grande "hit" como White Winter Hymnal. As letras são mais profundas, a métrica digna dos grandes compositores da música folk americana dos anos 50 e 60, principais inspirações para este conjunto, que mostra uma destreza ainda maior nos instrumentos. A banda não levou horas dentro do estúdio. Como Van Morrison, em Astral Weeks, gravaram em poucas horas, de forma espontânea, o som que a banda tem hoje. Estas doze faixas levam o ouvinte para muito próximo do ambiente das apresentações da banda. Para quem está no Brasil, e não tem chance de pular fora e topar com eles em algum canto, fica o gostinho bom.
Esta turma da cidade de Hendrix vai se firmando, como já esperava-se, como a principal banda folk dos EUA.

Faixas
"Montezuma" 
"Bedouin Dress" 
"Sim Sala Bim" 
"Battery Kinzie" 
"The Plains/Bitter Dancer" 
"Helplessness Blues" 
"The Cascades" 
"Lorelai" 
"Someone You'd Admire" 
"The Shrine/An Argument" 
"Blue-Spotted Tail" 
"Grown Ocean"

Formação:
Robin Pecknold: vocal principal, violão
Skyler Skjelset: guitarra, bandolim
Christian Wargo: baixo, vocais
Casey Wescott: teclado, bandolim, vocais
Joshua Tillman: bateria, vocais
Morgan Henderson: multi-instumentista e arranjador





segunda-feira, 9 de maio de 2011

PJ Harvey - Let England Shake (2011)


Sete álbuns, uma peel sessions, músicas que marcaram os 90's e muita história pra contar na mala. Let England Shake, o oitavo da cantora que estreou com Dry em 1992, veio para consagrar definitivamente seus 19 anos de carreira. Ela está entre as poucas cantoras que podem se gabar de trazer referências da literatura para a música. Nesse álbum, a cantora cita como influências numa entrevista para o sítio Bridport os escritores T.S. Eliot e Harold Pinter, além de bandas como The Doors, Velvet Underground e The Pogues.
A Island Records, a mesma que lançou Wake Up The Nation de Paul Weller em 2010, é a gravadora de Harvey e parece querer liderar ou participar de (mais uma) revolução na música de língua inglesa. O selo que lançou Nick Drake, King Crimson, Wailers e Traffic, só pra citar alguns poucos, na verdade vem tentando agradar o público inglês, principalmente os jovens, que está insatisfeito com os rumos da economia do país.
A maré parece estar virando a favor do lendário selo rosa. PJ Harvey atingiu a oitava posição na parada britânica, fez um das melhores apresentações do Coachella deste ano e sacudiu a Inglaterra inteira com seu disco. A banda está voando, como provam os shows da turnê. John Parish, colaborador desde 1995 em To Bring You My Love, comanda as baquetas de forma espetacular. Mick Harvey, que foi membro do Bad Seeds, participa da banda, principalmente no baixo. Vale chamar atenção também para The Colour Of The Earth, versos inspirados para uma bela canção de amizade e guerra.
Harvey talvez inaugura aqui um novo conceito de álbum: o de guerra. Alguém tão importante quanto Homero na literatura? Tomara!

SHOW COMPLETO NO COACHELLA 2011 EM VíDEOS!

Faixas:
01. Let England Shake
02. the Last Living Rose
03. The Glorious Land
04. The Words That Maketh Murder
05. All and Everyone
06. On the Battleship Hill
07. England
08. In The Dark Places
09. Bitter Branches
10. Hanging In The Wire
11. Written on the Forehead
12. Colour Of The Earth

Banda:
PJ Harvey - vocais, harpa, saxofone, guitarra, violino
John Parish - bateria e percussão
Mick Harvey - piano, baixo, órgão e guitarra
Jean-Marc Butty - vocais de apoio e bateria



domingo, 8 de maio de 2011

Grinderman - Grinderman 2 (2010)

PQMP!! Eu escrevo um texto bacana num domingo à noite e este monte de lixo desse computador me faz a cagada de dar pau e apagar tudo! Mas depois de contar até dez, lá vamos nós outra vez...

Na MOJO de outubro do ano passado Nick Cave disparou: "Esse é o monstro mais maligno!". Com esse lobo possesso na capa, ele provavelmente está certo. A banda Grinderman é a versão rock'n'roll dos Bad Seeds. Mas não se engane, isso vai além de uma distração de final de semana. Não satisfeito com a pressão das sementizinhas do mal, Cave formou uma banda para ser mais visceral que nunca e deixar todas as atenções no quarteto voz, guitarra, baixo e bateria. A cacetada Mickey Mouse and the Goodbye Man não tem a sonoridade do resto do disco, mas vem com o pé na porta para começar a contar uma história com deuses, uma criança pagã e, claro, o lobo.

Explorando todo potencial de seus anos de muito roque, Cave comanda os nuances pelos quais a banda explora cada instrumento e cada som. Warren Ellis, Martyn Casey e Jim Sclavunos correspondem e fazem o serviço ficar melhor que o disco de estréia da banda, de 2007. A história ganha contornos de ópera-rock com letras interligadas e um livreto de 16 páginas na edição em vinil - o que realmente interessa - com ilustrações que só ajudam a deixar a história ainda mais enigmática e subjetiva.

Não só um dos melhores discos de rock de 2010, Grinderman 2 é um dos melhores lançamentos do ano, que deixou várias pedradas do bom e velho ronquenrou.



Faixas:
01. Mickey Mouse And The Goodbye Man
02. Worm Tamer
03. Heathen Child
04. When My Baby Comes
05. What I Know
06. Evil
07. Kitchenette
08. Palaces of Montezuma
09. Bellringer Blues

Formação:
Martyn Casey – baixo, violão
Nick Cave – vocais, guitarra, orgão e piano
Warren Ellis – violão, violino e bandolim
Jim Sclavunos – bateria, percussão