domingo, 13 de março de 2011

The Mothers Of Invention - Freak Out! (1966)

Todo mundo sabe quem é o pai, mas a mãe das invenções que dão certo ninguém quer saber. Como filho feio só tem mãe, Freak Out! é o álbum de estréia The Mothers Of Invention. Na Califórnia dos anos 60, o feio (para as classes dominantes) era o bonito (para uma geração inteira de jovens). Isso explica muita coisa.
Em 1965, Franz Zappa morava em Los Angeles e estava na casa de um amigo, conhecido como 'Wild Bill', quando acompanhou o noticiário sobre as revoltas no bairro de Watts daquela cidade. Essa revolta ocorreu em um bairro onde a população era de maioria negra. O fato que desencadeou a revolta foi a abordagem de um policial branco que fazia uma ronda de moto a um motorista negro que aparentemente dirigia embriagado. O policial submeteu o motorista a "testes" para comprovar sua imcapacidade de dirigir um carro, como andar em linha reta e levar o dedo indicador ao nariz, no meio da rua. O irmão do motorista passava na hora pela rua e foi impedido de levar o carro pelo policial. As pessoas que passavam pelo local se aglomeravam em dezenas e rapidamente em centenas, também com mais policiais. Quando a polícia prendeu os irmãos e a mãe deles, a multidão começou a jogar pedras. Os policiais foram embora deixando as pessoas em fúria para trás. O resultado foi seis dias de revoltas e saques a lojas e fábricas onde era cotidiana a descriminação racial. Zappa, atento aos acontecimentos ao seu redor, compôs "Trouble Every Day", uma crítica às injustiças sociais, à violência empregada em tensões raciais e ao sensacionalismo da imprensa.
No ano seguinte, Tom Wilson, lendário produtor que já trabalhava para a MGM Records, no selo Verve, ouviu a demo da música e julgou estar diante de uma banda de blues-rock. Ofereceu o contrato e entrou no estúdio com a banda. Quando os The Mothers gravaram "Who's Are The Brain Police?" e "Anyway the wind blows" o produtor se deu conta de que não era bem assim. Ligou para a sede da empresa, em Nova Iorque, e conseguiu carta branca para a trupe de Zappa fazer seu álbum duplo, conceitual de estréia. A banda fazia experimentos musiciais em cada faixa, sem cair nas características mais batidas da música psicodélica. Cada letra tem um discurso, seja uma sátira ou uma questão social.
O auge da experimentação sonora e lisérgica veio em "The Return Of The Son Of Monster Magnet" em que Suzy Creamcheese, uma personagem fictícia criada por Zappa, tem um diálogo surreal com a voz de sua consciência. A capa do LP original, duplo nos EUA, mas simples na Inglaterra, era na capa e na contra-capa fotos lisergicamente tratadas para retratar a postura da banda. Dentro, a capa trazia notas sobre as músicas, tantando explicar um pouco o conceito em que o álbum fora realizado, além de um guia de lugares bacanas para se visitar em LA e um aviso da polícia.
Freak Out! é, facilmente, um dos cinco melhores discos de estréia de todos os tempos na música popular mundial.
Faixas:

1. Hungry Freaks, Daddy
2. I Ain't Got No Heart
3. Who Are the Brain Police?
4. Go Cry on Somebody Else's Shoulder
5. Motherly Love
6. How Could I Be Such a Fool?
7. Wowie Zowie
8. You Didn't Try to Call Me
9. Any Way the Wind Blows
10. I'm not Satisfied
11. You're Probably Wondering Why I'm Here
12. Trouble Every Day
13. Help, I'm a Rock
14. It Can't Happen Here
15. The Return of the Son of Monster Magnet

Formação:

Frank Zappa - guitarra, teclados, percussão, vocais
Ray Collins - vocais, harmônica, percussão
Elliot Ingber - guitarra
Roy Estrada - baixo, vocais
Jimmy Carl Black - bateria, vocais

The Mothers Of Invention - Freak Out!

sábado, 12 de março de 2011

Marcelo Jeneci - Feito Para Acabar (2010)

Hoje tem apresentação do Marcelo Jeneci na cidade do Rio de Janeiro e quem ainda não assistiu é bom não perder porque ele é um cara feito para acabar. A piada é ruim mesmo porque não é uma piada. A apresentação de janeiro foi no bairro do Leblon, teatro Oi Casa Grande, e contou com uma orquestra de câmara regida pelo músico Arthur Verocai. No Oi Futuro de Ipanema, hoje, o Jeneci, que teve seu álbum bancado, em parte (quanto será?), com dinheiro público graças à lei de incentivo à cultura aplicada pelo Ministério da Cultura, vai engatar seu segundo show na cidade e na zona sul. Também patrocina o disco a Natura, empresa de produtos de cosméticos, ou algo do tipo, e a Oi tem algum tipo de acordo com o músico.
Nessa altura dos acontecimentos você se pergunta efusivamente: "O que isso tem a ver com música?!". Eu digo: - Pácas, Anônimo (o sujeito que mais frequenta esse blogue)! A relação de quem faz música, não necessariamente um artista, com quem banca financeiramente tudo que envolve a produção de um álbum, não necessariamente, quase nunca, um mecenas, é importante para entender quem é o músico e o que é o som dele. As gravadoras e os selos independentes, que ainda sobrevivem com alguma força na Europa e EUA principalmente, são importantes não apenas para financiar e lucrar sobre algum trabalho artístico. Há nessa situação um compromisso artístico, de promoção da música e de quem a faz. A necessidade do lucro rápido fez essa relação ficar cada vez mais rara, mas ela ainda existe, mesmo com artistas das novas gerações.
Quando o governo e empresas particulares resolvem financiar diretamente a produção cultural do país abrem uma situação perigosa. Todos querem parecer 'bonszinhos' e aparecer como motivadores da cultura brasileira. Essa relação se espalhou por toda produção cultural brasileira. Na música, o que se ouve e o que se vê dos artistas financiados por parcerias entre estado e iniciativa privada são composições com letras vazias, pouca inventividade artística e criatividade musical, além de apresentações tímidas, de quem pouco tem jeito para a coisa. Uma parceria dessas financiaria o disco da Legião Urbana em início de carreira? Colocaria dinheiro numa banda que carrega um discurso social forte como os Sex Pistols? Isso fede à cultura estatal ou arte oficial.
Preciso deixar uma resalva aqui. A banda Cidadão Instigado, principalmente pela figura do guitarrista Fernando Catatau, é a exceção que honra a turma pelo menos no que se refere à criatividade artística e musical. Do resto - Otto, Tulipa, Bárbara Eugênia, Siba e a Fuloresta, Céu, Jeneci, Do Amor, Lucas Santtana, Mombojó, Móveis Coloniais de Acaju, Orquestra Contemporânea de Olinda, Superguidis e Violins - espero que cumpram o profético título deste álbum e mostrem que foram feitos para acabar, nati-mortos.
No Brasil-Anos 2000, a música popular feita pela nova geração, que está na faixa-etária de 30 à 35 anos, é dividida em duas: Entretenimento para as massas, bancado principalmente pelas filiais das grandes gravadoras, e entretenimento para a parte da classe-média e a parte dos ricos ricos que não querem se misturar mas também não são exigentes no que consomem. Pouquíssimos artístas por aqui exercem com plenitude o papel de críticos imanentes da sociedade, desta vez colocando todos os artistas, músicos ou não, que estão na ativa, no mesmo barco.
Tudo bem, Anônimo. Não se irrite! Vou falar do disco. Ou será que já falei? Ou será que já falei de toda uma geração de músicos que sob o epitáfio de "A Nova MPB" estará sepultada dentro em breve? Se não, o disco é bem executado e produzido. Os músicos, assim como o produtor, são competentes. Não há canções inspiradas, longe disso. O álbum se arrasta durante seus 62 minutos, a melhor parte é quando finalmente acaba.
Como eu não tenho nenhuma pressa, vou esperar o Marcelo Jeneci vir tocar no Méier, quando a reforma do Imperator estiver concluída. Mas espera aí! Será que o Marcelo Jeneci toca no Méier?


Faixas:
1. Felicidade
2. Jardim Do Eden
3. Copo D'agua
4. Cafe Com Leite De Rosas
5. Quarto De Dormir
6. Pra Sonhar
7. Por Que Nos?
8. Dear-Te-Ei
9. Longe
10. Tempestade Emocional
11. Show De Estrelas
12. Pense Duas Vezes Antes De Esquecer
13. Feito Pra Acabar

Marcelo Jeneci - Feito Para Acabar





Todos os vídeos acima postados pela Natura, no Youtube. Como precisa de gente para elogiar, esse rapaz!




Para quem quer saber mais sobre a lei de incentivo à cultura, clique aqui.