segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Beck, Bogert & Appice - Beck, Borget & Appice (1973)

O power-trio é uma formação difícil para o blues-rock. A rapaziada realmente precisa saber fazer barulho. Tirar o máximo dos instrumentos não era problema para nenhum desses três. Vanilla Fudge e Cactus estavam no currículo da dupla baixo-bateria.Alías, uma das melhores cozinhas da história do rock'n'roll. Quanto a guitarra, Jeff Beck é mais que recomendado. As contribuições ao Yardbirds e ao Jeff Beck Group já garantiriam o nome do guitarrista no rol dos maiores de sua época.

A união entre o guitarrista e a dupla da cozinha era para ter acontecido em 1969, quando o Jeff Beck Group original se desfez. Pouco antes de anunciar a nova formação da banda, Beck sofreu um acidente de carro, o que adiou a volta do grupo. Com isso, Bogert e Appice formaram o Cactus, lançando seu primeiro álbum em 1970. Beck gravou mais dois discos com outra formação do JBG. O primeiro - terceiro contando a partir do Truth de 69 - em 1971 e o último em 1972.

Finalmente, no final de 72 eles conseguitaram se juntar para formar um trio. Excursionaram pelos Estados Unidos até que em 1973 resolveram entrar no lenndário estúdio da Chess Records em Illions. O disco, único do grupo em estúdio, foi considerado dócil pela rolling Stone. Eu nunca vi ou ouvi a banda ao vivo, mas se eles faziam um som mais pesado nos palcos pode estar ligado ao preciosismo de guitarristas como Jeff Beck com o som de seu instrumento no estúdio. Os pontos altos do álbum são "Black Cat Moan", "Lady", "Superstition" de Stevie Wonder e "I'm So Proud" de Curtis Mayfield.

A banda não durou muito. Quando já estavam gravando materia para um segundo álbum, em 1974, Beck, Bogert e Appice deixaram o rock órfão de mais uma grande banda.

Faixas:
  1. "Black Cat Moan" (Don Nix) – 3:44
  2. "Lady" (Appice, Beck, Bogert, J. Bogert, French, Duane Hitchings) –5:33
  3. "Oh to Love You" (Appice, Beck, T. Bogert, J. Bogert, French, Hitchings) – 4:04
  4. "Superstition" (Stevie Wonder) – 4:15
  5. "Sweet Sweet Surrender" (Nix) – 3:59
  6. "Why Should I Care" (R. Kennedy) – 3:31
  7. "Lose Myself with You" (Appice, Beck, T. Bogert, J. Bogert, French) – 3:16
  8. "Livin' Alone" (Appice, Beck, T. Bogert, J. Bogert) – 4:11
  9. "I'm So Proud" (Curtis Mayfield) – 4:12
Formação:

Beck, Bogert & Appice - Beck, Borget & Appice

sábado, 25 de dezembro de 2010

Roberto Carlos - O Inimitável (1968)

Não satisfeito em tornar-se artista da globo, não lançar nada inédito desde o final dos anos 80 e ser a materialização de tudo que é mais chato e decadente na sociedade brasileira, resolveram que o Roberto Carlos deveria fazer uma apresentação na praia de copacabana às custas do contribuinte do município do Rio de Janeiro. "Ai, meu Aristóteles", como diria Paulo Francis. Muito melhor do que isso é este disco lançado em 1968. Dizem por aí, que era o início da transição do RC da jovem guarda com músicas originais e engenhosas para o RC azul e branco de hoje.

A parceria com Erasmo Carlos, esse sim, O Tremendão, rendeu quatro músicas para o álbum. "Se você pensa" tornou-se, no ano seguinte, uma das interpretações mais impressionantes de Gal Costa. "É Meu, É Meu, É Meu" e "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo" se valem da repetição do refrão para cair nas graças da audiência. A música que realmente virou febre no Brasil inteiro na época foi "As Canções Que Você Fez Prá Mim", sem dúvida uma letra bastante inspirada e até termina com um solinho de guitarra.

As músicas que são compostas por outros letristas fazem a maior parte do disco. As duas que se destacam são "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só", que abre o álbum, do Antônio Marcos e "Madrasta", a última faixa, e dizem por aí que é a única música que o RC defendeu num festival e depois incluiu num Lp.

Esse foi o primeiro álbum que Roberto gravou depois da saída do programa Jovem Guarda na TV Record (a original) graças a uma guerra de egos com o Ronnie Von, que apresentava outro programa na casa. Depois, ainda nos anos 60, lançou o disco que contém "As Curvas da Estrada de Santos", pra mim o melhor álbum de sua carreira.

Faixas:
1. Eu não vou mais deixar você tão só
2. Ninguém vai tirar você de mim
3. Se você pensa
4. É meu, é meu, é meu
5. Quase fui lhe procurar
6. Eu te amo, eu te amo, eu te amo
7. As canções que você fez para mim
8. Nem mesmo você
9. Ciumes de você
10. Não há dinheiro que page
11. O tempo vai apagar
12. Madrasta

Músicos:
Tá de brincadeira! Achas que o RC vai dar credito pra músico?


Roberto Carlos - O Inimitável


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

The Specials - Specials (1979)

1979 foi um ano engraçado para a música britânica. Muita coisa estava acontecendo, explodindo. Muita gente fazendo música diferente um do outro, mesmo que tivessem o mesmo rótulo colado na testa. Enquanto os Sex Pistols já tinham chegado no seu limite o Clash lançava um dos melhores discos do rock, London Calling. Do outro lado da rua havia o mod revival acontecendo. Impulsionados pelo filme Quadrophenia e pelo The Jam, com Paul Weller a frente, os mods dos anos 70 não precisaram viajar para a Jamaica para assistir uma banda tocando ska. Os Specials estavam lá para preencher uma lacuna que o Clash também percebeu.

A primeira geração mod não teve nenhuma banda tocando Ska, apesar dos Skatalites e dos Toots and the Maytals, por exemplo, já tocarem nas rádios inglesas nos anos 60. O estilo manteve seu espaço nas rádios e com o aparecimento de uma certa banda chamada Wailers, a música jamaicana invadiu definitivamente a ilha que foi sua colônia. Os Specials apareceram para dar início ao ska feito na Inglaterra e com a "benção" dos mestres jamaicanos.

Lançado pela lendária 2 Tone records, este disco de estréia é um pingo (ou seria oceano?) de frescor na música popular britânica. Produzido por Elvis Costello, o disco reflete a revolta e a insatisfação sentida pela juventude inglesa que só iriam aumentar nos tempos de Margareth Thatcher. A guitarra, mais alta que o normal, passou ter uma relação diferente no ska. Muitos colocam isso na conta do punk, eu diria do Clash. Os instrumentos de sopro tradicionais estão todos lá e, claro, as faixas clássicas dos anos 60 diretamente da Jamaica também. "Monkey Man" do Toots & The Maytals, "Too Hot" de Prince Buster e "A Message to Rudy" da dupla Lee Perry e Dandy Livingstone, que abre o disco magistralmente, são alguns exemplos da influência direta e escancarada dos jamaicanos na banda.

"Nite Klub" é a melhor composição própria do disco e não deixa a banda atrás das versões em termos de composição. O disco ainda contou com a participação do trobonista original dos Skatalites, Rico Rodriguez, na primeira faixa. Nem precisa dizer que o disco foi sucesso de público e crítica alavancando a carreira da banda para mais seis discos de inéditas, além de turnês pela Europa.

Faixas:
  1. "A Message to You, Rudy"
  2. "Do the Dog"
  3. "It's Up to You"
  4. "Nite Klub"
  5. "Doesn't Make It Alright"
  6. "Concrete Jungle"
  7. "Too Hot"
  8. "Monkey Man"
  9. "(Dawning of A) New Era"
  10. "Blank Expression"
  11. "Stupid Marriage"
  12. "Too Much Too Young"
  13. "Little Bitch"
  14. "You're Wondering Now"

Membros:

The Specials - Specials

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Brazilian Guitar Fuzz Bananas (2010)

Se não fosse essa compilação, seria muito mais difícil chegar até sons jamais imaginados por mim de serem feitos aqui no Brasil. A maioria desses artistas nunca chegaram a gravar um álbum inteiro e os que conseguiram, não mantiveram a proposta psicodélica dos compactos resgatados aqui. Aliás, cabe aqui a saudação ao idealizador deste projeto. Joel Stones é um brasileiro que chegou em Nova Iorque com uma mão na frente e outra atrás e hoje é o dono de uma das lojas de disco mais bacanas daquela cidade, a Tropicalia In Furs. Fico imaginando a quantidade absurda de compactos que ele escutou até chegar a essa compilação com 16 raridades. Tudo isso por causa de um simples pedal de guitarra que virou a cabeça de uma geração inteira.

Assim que a agulha que começa a deslizar pelos sulcos do vinil o recado começa a ser dado sem rodeios. O multiinstrumentista Celio Balona, na época (fim dos anos 60) um garoto de quase vinte anos, fez uma versão própria para o tema do seriado estadunidense Batman. No livro que acompanha o LP, Joel defende a escolha da faixa para abrir o disco dizendo que tudo que está presente nela, desde a guitarra absurdamente distorcida até as colagens de som com o barulho de carros de Fórmula 1 simulando as naves espaciais, de certa forma resume a mensagem e o sentimento que o álbum quer passar.

Loyce e os Gnomes vêm a seguir com a espetacular 'Era uma nota de 50 cruzeiros'. Aliás, eles são a única banda a aparecer duas vezes na compilação. O compacto de onde foram retiradas as músicas tem quatro faixas, o que na época já era dificil de acontecer, ainda mais para uma banda de Ribeirão Preto.

Agora, na terceira faixa, entram a dupla mais criativa de compositores do rock'n'roll. Lennon e McCartney também estão presentes no disco, assim como Jagger e Richards mais a frente. Os Youngster deitaram os cabelos numa faixa pouco conhecida que está no segundo disco da banda de Liverpool, "With The Beatles". Na releitura, a guitarra base e o baixo são mauito perecidos mas a bateria e a guitarra ligada no pedal de fuzz dão a assinatura dessa banda espetacular e o ingresso na compilação.

Serguei, folclórica lenda do rock brasileiro, aparece num dos muitos compactos que lançou durante sua carreira. No ínício do lado B está uma das atrações do álbum. Lindo Sonho Delirante é a contribuição do underground brasileiro para o rock feito em 1968. Apesar do intérprete ser paraguaio, Fábio já vivia em São Paulo há muito tempo, o sufuciente para se tornar amigo de Carlos Imperial e estabelecer essa parceria que rendou outras ótimas músicas.

Seguindo no lado B, 'O Carona' do Tony e o Som Colorido, produzido por Raul Seixas, traz um Tony pré Nesse Inverno. O 14 Bis que aparece com a potente God Save The Queen não tem nada a ver com os Sex Pistols. Os ingleses não conseguiriam, e nem queriam, um som tão swingado. No livro, Joel diz não ter conseguido a informação se essa banda é a 14-Bis formada em 79 em alguma versão anterior ou outra banda sem nenhuma relação, o que é mais provável, pois o compacto foi lançado quando O Terço, banda que gerou o 14-Bis, ainda estava em atividade.

A Banda 7 Léguas com a ótima 'Dia de Chuva' é ainda mais sombria e desconhecida, não há muito o que falar deles. Ton & Sergio, que vem a seguir, são tão obscuros quanto os anteriores. Gravaram esse compacto pela Polydor e sumiram. Os executivos da empresa provavelmente não queriam arriscar num Lp de um banda inteiramente nova que fazia críticas em letras magistralmente compostas contra o regime militar. No embalo, vem Ely, o Ely Barra da The Brazilian Bitles, em carreira solo mostrando apenas no título qual é a sensação de tocar e ouvir um guitarra num pedal fuzz. É como se uma turbina de avião estivesse ligada do seu lado.

Dos Falcões Reais, a mesma história da Banda 7 Léguas. Fizeram uma letra protestando veladamente contra a ditadura e não tiveram mais nenhum registro, dessa vez pela gravadora Copacabana. Marisa Rossi fecha o terceiro lado do álbum com seu 'Cinturão de Fogo' composto por seu então namorado Fábio em parceria com Paulo Imprial, irmão do Carlos. Logo depois a Marisa dá um pé na bunda do Fábio para casar com um ricaço e ele grava um dos seus sucessos, Stella.

Então, eis que chega a hora de uma das melhores bandas desta coleção. The Pops era uma banda contratada pela gravadora Equipe para acompanhar alguns de seus intérpretes. O estrandoso disco que eles gravaram com o sambista Oswaldo Nunes em 1969 já foi comentado aqui. Nessa faixa, eles tentam e conseguem atingir o som de Jimi Hendrix. Por pouco mais de 3 minutos isso deixa de ser imaginário.

Loyce e os Gnomes, como já foi dito, voltam a aparecer na coleção que toma rumo para o final com Piry, ex-integrante do A Barca do Sol. A letra é uma homenagem aos ex-companheiros de banda. Eles são os heróis modernos. A compilação é encerrada com a formidável versão de "The Lantern" dos Rolling Stones, que está no disco "Their Satanic Majesties Request" de 1967. A banda Mac Rybell chegou a experimentar algum sucesso e depois que encerrou suas atividades como banda, investiram numa empresa de produção.

Se você teve folego para chegar até aqui, fique sabendo que estas são apenas algumas referências que eu selecionei de algumas pesquisas e da leitura do livreto que acompanha do Lp. Essa compilação pode te levar a sons jamais imaginados, a história, em vários casos bem escondida, por trás de cada banda e cada música mostram os tímidos avanços pdo Rock feito no Brasil, que nunca foi explorado comercialmente até os anos 80. Apesar de não aparecerem aqui, por motivos óbvios, é bom dar o crédito os que conseguiram, à base de muito talento e esforço, fazer rock'n'roll neste país sem se dobrarem às exigências comerciais do mercado. Fica aos Mutantes, aos Beat Boys, Rogério Duprat e a turma da tropicália meu muito obrigado por terem feito o máximo para que esses sons tenham existido por aqui.

Faixas:
01 03:03 Celio Balona - Tema De Batman
02 03:35 Loyce E Os Gnomes - Era Uma Nota De
03 02:23 The Youngsters - I Wanna Be Your Man
04 03:14 Serguei - Ourico
05 02:26 Fabio - Lindo Sonho Delirante
06 02:26 Tony E Som Colorido - O Carona
07 03:36 14 Bis - God Save The Queen
08 02:54 Banda De 7 Leguas - Dia De Chuva
09 02:51 Ton & Sergio - Vou Sair Do Cativeiro
10 03:04 Ely - As Turbinas Estao Ligadas
11 02:58 Com Os Falcoes Reais - Ele Seculo Xx
12 02:21 Marisa Rossi - Cinturao De Fogo
13 03:27 The Pops - Som Imaginario De Jimmi Hendrix
14 02:01 Loyce E Os Gnomes - Que E Isso
15 02:09 Piry - Heroi Moderno
16 04:12 Mac Rybell - The Lantern


Brazilian Guitar Fuzz Bananas

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

King Crimson - In The Court Of The Crimson King (1969)

Não sou, particularmente, um ávido fã do rock progressivo. Acho que já existem muitos deles e eles são chatos o suficiente. Agora, não sou tão implicante ao ponto de negar o lugar do King Crimson e de seu disco de estréia no rol das melhores bandas e discos da história do rock. Eles conseguiram aqui, misturar o blues-rock com o jazz e sinfonia clássica, o principal objetivo do rock progressivo, melhor que qualquer outra banda do gênero.

Antes do lançamento do álbum, a banda estava tocando para mais de 600 mil pessoas no meio do Hype Park em julho de 69 antes do celebre show do Rolling Stones. Mostraram ali uma pequena parte do turbilhão sonoro que viria. Ele chegou em outubro. Lançado pelo tradicional selo de origem jamaicana Island Records, o disco teve tal impacto que Pete Townshend o descreveu como uma obra-prima. Em cinco músicas arrebatadoras que tinham a força e o peso do rock inglês, além da suavidade e da orquestração do rock progressivo, a banda conta a história do transcedental do reino do rei escarlate.

Duas características do disco são fundamentais. A capa e as letras da música, já que é uma ópera-rock. O encarte completo é parte fundamental da história. Feito por um programador de sistemas amigo de Robert Fripp, guitarrista da banda. A capa mostra o Schizoid Man e na parte de dentro do encarte aparece o Crimson King, com sua expressão dúbia de tristeza e felicidade. Essas expressões resumem a música e o sentimento que a banda quer passar.

Na parte das letras, a peculiridade da banda era ter um membro para pensar apenas nisso. Peter Sinfield. Porém a banda inteira acabava participando do processo, o que se provou essencial para a densidade e honestidade na hora de gravar as músicas. Sinfield não subia ao palco, mas comandava ele. Foi ele que bolou e pôs em prática um sistema de iluminação revolucionário para a época e marcou os primeiros shows da banda.

Depois do lançamento do disco, a banda começou uma turnê pela Inglaterra e logo depois foram para os EUA. Foi então que a banda começou a desandar. O flautista e saxofonista Ian McDonald e o baterista Michael Giles insatifeitos com os rumos que a banda tomava pediram a conta e resolveram sair no meio da turnê. Começou assim uma sina que acomphou a banda até os anos 2000, nunca conseguiram manter uma formação por muito tempo. A última apresentação da primeira formação, que é considerada pelos críticos como a melhor, foi no lendário Fillmore West, na Califórnia em dezembro de 69.

Formação:
Robert Fripp - guitarra
Ian McDonald - flauta, clarineta, saxofone, teclados, mellotron
Greg Lake - baixo e vocal
Michael Gilles - bateria e percussão
Peter Sinfield - letras e iluminação
Barry Goldber - capa

Faixas:
01. 21st Century Schizoid Man
02. I Talk to the Wind
03. Epitaph
04. Moonchild
05. The Court of the Crimson King