terça-feira, 30 de novembro de 2010

Caetano Veloso - Caetano Veloso (1971)

Se os baianos já cantavam as saudades da Bahia morando no Rio de Janeiro e em São Paulo, imaginem como ficaram os que foram para a Europa! Depois que o governo militar resolveu libertar Gilberto Gil e Caetano Veloso da prissão de Realengo, em 69, eles foram para um período de exílio na Europa que durou até 1972. Estabelecendo residência em Londres, longe dos amigos e da agitação do tropicalismo, conseguiram manter um produção à altura de seus discos anteriores, mas as marcas da solidão londrina (mesmo dentro da ainda Swinging London) são profundas, principalmente neste disco de Caetano.
A abertura do disco já não deixa dúvidas sobre os sentimentos do baiano tropicalista. Em inglês, língua que usou oportunamente nesse disco em composições originais, Caetano consegue em versos simples e numa interpretação inspirada contar como saiu do Brasil e o que sentiu. "London, London" é umas das músicas do disco que virou obrigatória no repertório do artista durante os anos posteriores. Com um refrão inspiradíssimo, a letra, também em inglês, vai contando as impressões da nova cidade de Caetano.
Completa o primeiro lado do disco a outra saudade de Caetano: sua irmã Maria Bethania. Diz na letra para sua irmã que mandar notícias por cartas para fazê-lo mais feliz. Para dar um clima um pouco mais alegre, faz uma improvisação com 'Baião' de Alceu Valença. Virando o disco, a primeira música é "If You Hold A Stone" que acaba desaguando em outra música em português, desta vez, a versão de 'Marinheiro Só', de seu álbum anterior.
"In the hot sun of a christmas day" é a música mais impressionante do álbum. Ali, ele junta tudo e manda a pedrada certeira. A família, a mulher, a perseguição da ditadura, a saudade, o exílio em pouco mais de três minutos acompanhados de um baixo estremecedor, não há nenhum crédito aos músicos que gravaram as faixas com Caetano.
O Rei do Baião, em sua composição mais genial, é um lugar de visita fácil para o artista exilado. A interpretação é emocionante pelo momento, pelo arranjo e por tudo mais que poderia estar passando pela cabeça dele enquanto a gravava. Não é à toa que tem sete minutos.
O disco foi gravado em inglês pensando no mercado daquele país e lançado pelo selo Famous. Não obteve sucesso por lá, apesar das críticas positivas que obteve, sendo comparado até mesmo com Bob Dylan e Tim Buckley. Caetano não é da turma do folk, a comparação é pelo tom intimista do disco parecido com algumas gravações daqueles artistas. No Brasil, o disco foi melhor recebido, já que estava (e está) aqui toda a bagagem discursiva que faz esse disco ter sentido dentro de sua obra e dentro da sociedade que está inserido.
Faixas:
01. A Little More Blue
02. London, London
03. Maria Bethania
04. If You Hold A Stone
05. Shoot Me Dead
06. In The Hot Sun Of A Christmas Day
07. Asa Branca
Caetano Veloso - Caetano Veloso

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The Velvet Undergound - The Velvet Underground & Nico (1967)

Este é um texto que escrevi para um trabalho na faculdade.
Em 1967, o Velvet Underground era uma banda bem diferente de dois anos antes, quando foi formado. A primeira diferença: tocavam muito melhor que na época dos ensaios na garagem de Lou Reed. Tornaram-se profissionais. A segunda, e principal: foram descobertos por Andy Warhol, artista plástico e rei da parte mais glamurosa que a cidade de Nova Iorque podia oferecer.
Com a influência de Warhol, a banda conseguiu o contrato com a Verve Records e outras facilidades, mas também vieram certas imposições. A modelo e cantora alemã Nico, também gerenciada pelo artista plástico, foi uma delas. Além do papel de gerente, ele também é o autor da capa e, ao lado do lendário Tom Wilson, produtor, o que também leva sua influência para o som da banda. Apesar disso, existe uma controvérsia sobre a produção do disco e de qual foi a exata influência de Warhol no processo, porém ele foi o único que acompanhou a banda, como produtor, em todas as sessões de gravação ocorridas no ano de 1966.
A capa é tão antológica quanto as músicas presentes no álbum. Durante os anos 1960, as capas das melhores, ou nem tanto, bandas de rock aproveitavam cada parte do espaço disponível. Warhol abusa de toda sua capacidade de artista plástico para criar uma capa singular. O Lp original traz uma banana adesiva, com o convite para o dono “descasca-la” e por baixo, uma banana rosa descascada. A MGM, dona do selo Verve, precisou encomendar a impressão da capa em uma máquina especial, porém concordou com o gasto tendo em mente que qualquer álbum com uma capa assinada por Warhol venderia feito banana.
Considerado um dos pilares do rock’n’roll e inspiração para jovens das décadas posteriores, o álbum não atingiu esse status rapidamente. As vendas foram tímidas, não houve esforço da gravadora para divulgação e, para piorar, um processo do ator Eric Emerson, por uso de sua imagem sem seu consentimento na contracapa, obrigou a gravadora a recolher as cópias que encalhavam nas lojas.
O som experimental, usando instrumentos menos convencionais para o rock, era influência das experiências de John Cale, baixista. A celesta e o violino, o próprio Cale gravou o último, além de uma afinação com todas as cordas da guitarra de Lou Reed em ré são as peripécias mais celebradas do disco. A temática do álbum é, em quase sua totalidade, o ambiente que a banda estava inserida. Drogas, seu uso e como afetavam as pessoas que os rodeavam eram temas centrais, como em “I’m Waiting For The Man”, “Heroin” e “Run, run, run”. À pedido de Andy Warhol, Lou Reed escreveu “Femme Fatale” para a bela atriz Edie Sedgwick, que fazia parte do seu círculo amigos.
O álbum, considerado um dos melhores de estréia de uma banda de rock, influenciou o punk, uma década depois, de forma seminal. Tantos lançamentos impactantes no mesmo ano talvez tenham contribuído para a estréia do Velvet Underground ter sido pouco notada. Para o ano seguinte, a banda desfez seu vínculo com Warhol e, consequentemente com Nico. Porém, o desejado sucesso comercial nunca veio instantaneamente para o VU, eles foram muito mais que isso.
Faixas:

1."Sunday Morning"
2."I'm Waiting for the Man"
3."Femme Fatale"
4."Venus in Furs"
5."Run Run Run"
6."All Tomorrow's Parties"
7."Heroin"
8."There She Goes Again"
9."I'll Be Your Mirror"
10."The Black Angel's Death Song"
11."European Son"

Formação:

John Cale – viola, piano, celesta on "Sunday Morning", baixo, vocais de apoio
Sterling Morrison – guitarra, baixo, vocais de apoio
Nico – chanteuse, voz em "Femme Fatale", "All Tomorrow's Parties" and "I'll Be Your Mirror"; vocais de apoio "Sunday Morning"
Lou Reed – vocaz, guitarra
Maureen Tucker – percussão