domingo, 31 de outubro de 2010

Zabriskie Point Soundtrack (1970)

Uma amiga outro dia me disse sobre um filme que usava a indústria cinematográfica para combater os valor sociais vigentes, inclusive aqueles que sustentam a prória indústria. Usava o sistema para combater o próprio sistema. Teria concordado com ela se o filme fosse Zabriskie Point. Para finalizar essa série de trilhas sonoras, volto a trazer Michelangelo Antonioni, novamente num filme para a MGM, o segundo dos três que o diretor italiano fez em lingua inglesa.

Assim como em 1966 Antonioni retratou a Inglaterra, Londres mais precisamente, partindo de um recorte social, neste filme que foi lançado em 1970, depois de dois anos de produção, o diretor italiano tentou a mesma tática com os EUA. A contra-cultura aqui é muito mais exposta e debatida que na produção anterior do cineasta, alguns críticos escreveram à época que as cenas eram caricatas e muito superficiais. Hoje considerado um filme cult, deu prejuízo para o estúdio, deixou o próprio diretor insatisfeito pelos percausos durante as filmagens e produção mas deixou, além de um marco no cinema feito no século passado, uma trilha sonora incrível.

Ao contrário do que havia feito na trilha sonora de Blow Up, quando entregou a produção da trilha à Herbie Hancock, desta vez Antonioni tentou agrupar, inspirado na trilha sonora de Easy Rider, canções que estavam na cabeça daquela geração e fez mais, ao colocar Patti Page, cantora dos anos 50, na trilha. "Tennessee Waltz", uma canção completamente inserida no modo de vida estadunidense do conservadorismo da era Eisenhower se destaca pelo contraste com Jerry Garcia e Pink Floyd.

Os filmes de Antonioni são perfeitos quando casam a extraordinária fotografia com as músicas. Cada uma é cuidadosamente colocada ali, cada momento é único, nada é à toa. A sequência final do filme com a música "Come In Number 51, Your Time Is Up" é devastadora. A regravação do Pink Floyd para "Careful With The Axe, Eugene", um lado b de 1968, entra na sequência final tão poderosa quanto a explosão da casa no Death Valley e, talvez, mais ainda que a explosão que o filme causou nas mentes das pessoas daquela geração.

Outras bandas menos conhecidas como The Youngbloods e Kaleindoscope marcam presença para uma levada folk que acaba se tornando maioria do disco da trilha sonora. Além deles, completam o time folk Roscoe Holcomb e John Fahey, representando uma ala mais tradicional do gênero. Os Rolling Stones têm "You Got The Silver" no filme, mas não da trilha. Um pena, problema entre gravadoras. Outro do tipo foi o que impediu o uso de "L´America" do Doors, feita especialmente para o filme. Essa música acabou nem entrando no filme.
Nessa postagem chego ao final dessa série, que era para ter durado apenas uma semana em junho e se estendeu até agora por pura falta de tempo para escrever aqui. Em dezembro e janeiro, além das postagens habituais sobre discos pretendo algumas gracinhas a mais e espero não sofrer com pouco tempo.

Faixas:

1.Pink Floyd – "Heart Beat, Pig Meat"
2.Kaleidoscope – "Brother Mary"
3.Grateful Dead – "Dark Star" (excerpt)
4.Pink Floyd – "Crumbling Land"
5.Patti Page – "Tennessee Waltz"
6.The Youngbloods – "Sugar Babe"
7.Jerry Garcia – "Love Scene"
8.Roscoe Holcomb – "I Wish I Was a Single Girl Again"
9.Kaleidoscope – "Mickey's Tune"
10.John Fahey – "Dance of Death"
11.Pink Floyd – "Come in Number 51, Your Time Is Up"












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