sexta-feira, 30 de julho de 2010

Blow Up Soundtrack (1966)

Finalmente vou começar uma série de postagens que há muito tempo venho imaginando para o blogue. Duas artes que, desde que juntaram-se, nunca mais se separaram e transmitem as mais diferentes emoções, muitas vezes sem legenda ou tradução, para platéias do mundo inteiro. O cinema, quando ainda mudo, era "sonorizado" ao vivo por um piano na própria sala de projeção. Com o advento do aúdio sincronizado com o filme, músicas começaram a ser editadas ou então especialmente compostas para determinada película ou cena em especial. A reunião dessas músicas em disco, as trilhas sonoras, passaram a ser mais um produto que os estúdios cinematográficos passaram a explorar. Nesta série tentarei mostrar não apenas trilhas de filmes ou músicos consagrados mas como imagem e som encaixam-se de forma espetacular, além, é claro, de viajar pelo tempo e por diversos gêneros musicais.

Para o clássico de 1966 de Michelangelo Antonioni, que mostra o cotidiano de um fotógrafo na Londres dos anos 60 e como ele se envolve num crime cometido em um parque, Herbie Hancock volta aos EUA para recrutar o melhor do Jazz de Nova Iorque. Com Freddie Hubbard, Joe Henderson, Ron Carter e Jack DeJohnette, Hancock entrou no estúdio com a intenção de recriar o clima da Swinging London através do groove do Jazz, Funk e Blues. O trabalho do então jovem Herbie Hancock é primoroso, mas a trilha não seria completa sem uma banda inglesa. Apaixonado pela intensidade do Who, principalmente quando Pete Townshend destruia sua guitarra no palco, eles foram a primeira opção do diretor. Com a recusa, Antonioni sondou os estadunidenses do Velvet Underground, que não puderam ir pra Inglaterra, pois estavam mais duros que um côco. Então, Antonioni resolveu chamar os Yardbirds, que na ocasião contava com Jimmy Page e Jeff Beck como guitarristas, inclusive com direito a uma cena antológica dentro de um clube em plena Carnaby Street. A música executada pela banda, Stroll On, é uma versão para "Train Kept-A-Rollin' ". Gravada exclusivamente para o filme, essa versão é muito melhor que a presente no disco BBC Sessions.

Alternando temas de três ou quatro minutos com passagens curtas de menos de 2 minutos, Hancock consegue retratar toda a intensidade e suspense do filme em suas partituras. A edição em CD ainda disponibiliza duas faixas da banda Tomorrow, que não foram usadas no filme.

Faixas:
1. Main Title
2. Verushka Pt.1
3. Verushka Pt.2
4. The Naked Camera
5. Bring Down The Birds 6. Jane's Theme
7. Stroll On (The Yardbirds)
8. The Thief
9. The Kiss
10. Curiosity
11. Thomas Studies Photos
12. The Bed
13. End Title 'Blow Up'
14. Am I Glad To See You?
15. Blow Up
Formação:

Herbie Hancock: piano
Freddie Hubbard: trompete
Joe Newman: trompete
Phil Woods: Sax alto
Joe Henderson: Sax tenor
Jimmy Smith: órgão
possivelmente Paul Griffin: órgão
Jim Hall: guitarra
Ron Carter: baixo
Jack DeJohnette: bateria
The Yardbirds:

Jeff Beck: guitarra
Jimmy Page: guitarra
Keith Relf: gaita, vocais
Jim McCarty: bateria
Chris Dreja: baixo

Blow Up Soundtrack


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Maquinado - Mundialmente Anônimo O Magnético Sangramento da Existência (2010)

Lucio Maia não é apenas o guitarrista da Nação Zumbi, como se isso fosse pouco. Ele é um músico extremamente preocupado com arranjos, produção, incorporação de influências brasileiras e muitas outras coisas que eu nem imagino. Nesse segundo disco de seu projeto, além de estabelecer uma formação padrão para a banda, Lucio e seus bluecaps foram capazes de misturar influências como Jorge Ben, ídolo do guitarrista, com música eletrônica, maracatu e afrobeat.
As músicas que abrem o disco, além de trazerem as homenagens rendidas a Ben, também mostram a bandeira da causa negra no Brasil, servindo como uma voz de protesto de Maia em relação a duas figuras do período de luta contra a escravidão no país, Zumbi e Dandara. Há também espaço para a regravação da espetacular canção "Super Homem Plus", do Mundo Livre S/A, numa versão que, pelo menos pra mim, é melhor que a original. Talvez pelo andamento do ritmo e a percussão mais elaborada. Em "Tropeços Musicais", a voz do guitarrista dá espaço para a única convidada do disco, Lourdes da Luz, do Mamelo Sound System, faixa onde a banda coloca toda sua veia hip-hop à mostra.
O álbum é encerrado com a caótica homenagem à paulicéia desvairada "SP". Com guitarras e percussão misturando-se de forma experimental, Lucio Maia coloca toda sua criatividade a funcionar nesse álbum que torna o Maquinado um projeto com a grandeza proporcional a um dos principais músicos e compositores do país nos dias de hoje. Nas faixas bônus disponíveis no sítio da banda, destaco a espetacular versão para "Are You Experienced?" do Jimi Hendrix Experience.

Faixas:
Zumbi
Dandara
Bem Vinda ao Inferno
Super Homem Plus
Tropeços Tropicais
Pode Dormir
Provando a Sanidade
Recado ao Pio, Extensivo ao Lucas
Girando ao Sol
SP

Download grátis no sítio oficial da banda

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Reginaldo Rossi - Reginaldo Rossi (1971)

Um dos artistas mais estereopotizados do Brasil, Reginaldo Rossi, O Rei, chegou em 1971 a seu quinto álbum, segundo pela CBS. Hoje, com quase cinquenta anos de carreira, Rossi é dono de uma discografia numerosa e de muito sucesso de vendas. É um dos artistas que melhor mostra o nordeste brasileiro em uma de suas muitas facetas.
Até o início do anos 70, Reginaldo Rossi era adepto da Jovem Guarda e já tinha marcado seu nome durante os anos 60 como o expoente nordestino do gênero. Nesse Lp, Reginaldo traz como principal composição a clássica e chacoalhadora 'Tô doidão'. O grande problema de postar um disco desses, ou seja, brasileiro e de pouco é que o texto fatalmente será curto e pobre de detalhes. O disco não tem informações interessantes no encarte, principalmente que toca o órgão nas faixas. O instrumento marca de forma significativa a maioria das melodias e é muito bem executado. Outra faixa de destaque é 'Gênio Cabeludo', referencia a Bethoveen. Reginaldo é muita cultura!

Faixas:
01. Tô Doidão
02. Uma Alegre Canção
03. Ainda Amo Você
04. Um Bem Maior
05. O Gênio Cabeludo
06. O Paquerador
07. Estou Chegando Pra Ficar
08. Aquela Triste Canção
09. Toda A Minha Vida
10. Hoje A Noite Vou Sair
11. É Mentira
12. Ainda Amo Você
Reginaldo Rossi - Reginaldo Rossi

sexta-feira, 16 de julho de 2010

The Black Keys - Brothers (2010)

Depois de mais de um mês de férias do "brog" volto com a carga máxima e a prova disso é o disco escolhido para a reestréia. O sexto disco dupla estadunidense Black Keys é arrebatador, mostra com quantos paus se faz uma canoa no rock/blues do século XXI e coloca o nome de Dan Auerbach entre os melhores letristas e guitarristas de seu tempo.
O álbum é recheado de referências à história do blues, principalmente a Howlin' Wolf, começando pela capa, uma homenagem clara ao disco do Grande Lobo de 1969. A segunda referência (reverência?) a Chester Burnett é a faixa 'Howlin' for you', que traz de volta todo o jeito peculiar do blues de paquerar um mulher e chorar as mágoas dos amores não correspondidos.
A faixa de abertura, 'Everlasting Light', mostra a levada com influências do Soul e do Hip-hop, resultados da experiência do baterista Patrick Carney, em seu projeto BlakRoc, durante o hiato da dupla em 2009. Auerbach também trouxe influências de seu disco solo, Keep It Hid, além de maturar toda a carreira da banda. 'Next Girl' faz o papel de preparar os tímpanos do ouvinte para duas pedradas que são 'Tighten Up', com o assovio marcante do vocalista, e a já citada 'Howlin' for you'.
Eu queria falar sobre cada faixa em separado mas como já está tarde (01:52) e o texto ficaria muito mais chato do que já está, prefiro apontar as faixas que vão ficar ecoando na sua cabeça com apenas uma audição, além das já comentadas. 'Black Mud', instrumental, densa e possivelmente uma referência ao negro Mud do Mississippi, pai do blues de Chicago, que todo mundo conhece. 'Too Afraid To Love You' e 'Ten Cent Pistol' formam outra sequência interessante no álbum, com andamentos lentos, para o padrão da banda, e a temática de medo do amor e pistolas de dez centavos encaixando-se muito bem.
O final do álbum começa a se desenhar com 'Never Gonna Give You Up' que bebe na fonte do R&B dos anos 60 e ajuda a mostrar o leque aberto pela dupla bem de baixo do nariz do feliz ouvinte que comprou o disco. Falando nisso, o meu acetato dessa papita está em algum ponto do planeta a caminho da minha residência, depois tenho que acertar as contas com the mama & the papa.

Formação:
Dan Auerbach - vocalista e guitarrista
Patrick Carney - baterista
Faixas:
01. Everlasting Thing
02. Next Girl
03. Tighten Up
04. Howlin' For You
05. She's Long Gone
06. Black Mud
07. The Only One
08. Too Afraid To Love You
09. Ten Cent Pistol
10. Sinister Kid
11. The Go Better
12. I'm Not The One
13. Unknown Brother
14. Never Gonna Give You Up
15. These Days