sexta-feira, 30 de abril de 2010

Franz Ferdinand - Blood (2009)

Indie não é um estilo musical, é apenas um rótulo. Bandas de rock não precisam de rótulos, muito menos as boas, ao contrário das garrafas de whisky, que além dele, é de bom tom que estejam com o rótulo de importação. Isso tudo pra dizer que o Franz Ferdinand traz tantas influências que chega a ser feio chamá-los de Indie. Prova disso é Blood, sub-produto de Tonight, que é o ápice da discografia dos escoceses, que é composto por remixes de faixas de Tonight em Dub.
O Dub é um estilo oriundo do Reggae, mas que derruba diferenças de estilos musicais quando junta no mesmo remix Choro e Blues, ou então Rock e Reggae. Nomes como Lee "Scratch" Perry, Mad Professor e toda a turma de Kingston não são referências de bandas que se contentam com pouco. Com o produtor Dan Carey, a banda leva Tonight a viagens pelas mixagens do Dub.
"Feel the Plessure" é o resultado da experimentação que abre o disco, com batidas pesadas, a voz de Kapranos precisa driblar os efeitos eletrõnicos e as notas mais graves para se destacar. Em "Die on the Floor", a banda transforma "Can't Stop Felling" numa autentica música para o auge da pista num sábado a noite. Em "Felling Kind of Anxious" está a faixa que menos muda da versão original. O baixo ganha mais destaque, mas é a mesma divisão que leva o público ao delírio em "Ulysses". Nessa faixa, as mudanças mais significativas estão na voz de Kapranos. As partes quietas de Blood, são mais quietas ainda que em Tonight, particularmente em "The Vaguest of Feeling".
Ao contrário de "Feeling Kind of Anxious", em "Backwards on my Face" a única pista de "Twilight Omens" é a linha de teclado. Nessa faixa, temos o melhor exemplo de como o Dub pode reconstruir descontruindo. O baixo reina nessa faixa, principalmente. Bob Hardy dá um show a parte revelando-se melhor que nunca, suas notas graves são vitais para o sucesso musical dessa empreitada tão arriscada quanto necessária.
O uso de sintetizadores em Tonight ajudou bastante nas remizagens. Para o próximo disco, a banda promete arriscar na percussão. De repente, decidem fazer uma visita à África para trocar figurinhas com o legado de Fela Kuti. Não há limites para os Ferdinandos.

Faixas:
1. Feel the Pressure
2. Die on the Floor
3. The vaguest of Felling
4. If I Can't Have You Then Nobody Can
5. Katherine Hit Me
6. Backwards On My Face
7. Felling King Of Anxious
8. Feel The Envy
9. Be Afraid
Membros:
Alex Kapranos
Robert Hardy
Nicholas McCarthy
Paul Thompson
Franz Ferdinand - Blood

sábado, 10 de abril de 2010

Paulinho da Viola - Nervos de Aço (1973)

Eis mais um disco que não fico completamente satisfeito com a edição em CD. Pelo som, obviamente, mas principalmente pela arte da capa e do encarte. A capa do LP é para emoudurar e colocar na parede, com certeza Paulinho tem um quadro desses em sua casa, e se não tem deveria ter, já que é um dos melhores discos de sua carreira.
A escolha das músicas de outros autores que ganharam a interpretação de Paulinho é extremamente feliz. Para abrir o disco, uma composição de Mijinha, integrante da Velha Guarda da Portela, "Sentimentos". "Não quero mais amar a ninguém" é a homenagem de Paulinho ao mestre da Mangueira, principalmente a Cartola, um dos compositores. A escolha mais feliz de todas, para mim, é justamente a faixa título. Prova disso é que a canção acompanha a trajetória de Paulinho desde então. Mesmo anos depois de dar sua versão ao clássico de Lupicílio Rodrigues, a composição é sempre impressindível em qualquer apresentação de Paulinho. Além das três faixas citadas, "Nega Luzia", de Wilson Baptista e Jorge de Castro, e "Sonho de um carnaval" de Chico Buarque, completam a seleção de composições que ganharam o toque de ouro de Paulinho neste disco.
O nível e a quantidade das músicas de outros compositores são tão altos que as autorais acabam ficando numa condição de coadjuvante. Mesmo assim, "Cidade Submersa" tem grande destaque, além de "Choro Negro", parceria com Fernando Costa.
A década de 70 é muito importante para a carreira de Paulinho, pois foi durante esse período que ele consolidou-se como um dos grandes músicos da música popular brasileira, graças a discos como Nervos de Aço.
Faixas:
1. Sentimentos
2. Comprimido
3. Não Leve a Mal
4. Nervos de Aço
5. Roendo as Unhas
6. Não Quero Mais Amar A Ninguém
7. Nega Luzia
8. Cidade Submersa
9. Sonho de um Carnaval
10. Sonho Negro

Paulinho da Viola - Nervos de Aço

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Eric Clapton - Eric Clapton (1970)

O primeiro álbum solo do guitarrista aclamado como Deus na Inglaterra, passou, e ainda passa, desapercebido dentro de sua discografia. Lançado entre o disco do Blind Faith e o aclamadíssimo Layla and Other Assorted Love Songs do Derek & The Dominos, dá pra entender o porque esse álbum não foi tão notado quanto deveria. Alguns declaram, porém, que o disco é recheado de R&B, Gospel e country, mas na minha opinião, é aí que está o diferencial do disco. Era um momento em que Clapton estava tentando se afastar do blues e do rock'n'roll.
Depois das gravações e apresentações com o Blind Faith, Eric embarcou em turnê com o casal Bramlett, Delaney e Bonnie. A banda tinha como baterista Jim Gordon e como baixista Carl Radle, e de quebra, George Harrison, um admirador de longa data da música folk e country estadunidenses, também participou de alguns shows. Com a excessão de Harrison, esses músicos também tocam na estréia solo de Clapton. Logo, nada mais lógico que as sessões do estúdio sejam algo como o que foi aquela experiência anterior.
"Slunky" é a faixa de abertura, instrumental, começa o disco sem rodeios, vai direto ao ponto. Escancarando as intenções do guitarrista, "Bad Boy" reforça essa impressão. A releitura de "After Midnight" é a primeira vez que o blues entra com força numa das faixas, apesar de que é uma faixa com a levada de baixo e bateria bem aceleradas, características do Rythym&Blues. "Blues Power" apesar do nome, não vai na fonte que Clapton bebeu durante a maior parte dos anos 60. "Let It Rain", música de título perigoso para o Rio de Janeiro nesse abril/10, é a faixa que mais carrega a sonoridade do Cream ou do Blind Faith, na guitarra.
Esse álbum representa um último suspiro de Eric Clapton fora das influências que pautaram sua carreira até então, para, dali em diante, mergulhar novamente no blues nas gravações com o Derek & The Dominos. Depois, o blues foi tomando outra proporção, menor, na carreira brilhante do guitarrista.

Banda:

Eric Clapton – guitar, lead vocals
Delaney Bramlett – rhythm guitar, vocals
Leon Russell – piano
Bobby Whitlock – organ, vocals
John Simon – piano
Carl Radle – bass
Jim Gordon – drums
Jim Price – trumpet
Bobby Keys – saxophone
Tex Johnson – percussion
Bonnie Bramlett – vocals
Rita Coolidge – vocals
Sonny Curtis – vocals
Jerry Allison – vocals
Stephen Stills – vocals
Faixas:
"Slunky"
"Bad Boy"
"Lonesome and a Long Way from Home" (Delaney Bramlett, Bonnie Bramlett, Leon Russell)
"After Midnight" (J. J. Cale)
"Easy Now" (Clapton)
"Blues Power" (Clapton, Russell)

"Bottle of Red Wine"
"Lovin' You Lovin' Me"
"Told You For the Last Time" (Delaney Bramlett, Bonnie Bramlett, Steve Cropper)
"Don't Know Why"
"Let It Rain"