segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures (2009)

A primeira vez que o termo 'Super-grupo' apareceu no Rock foi em 1969, quando Eric Clapton e Steve Winwood juntaram-se a Rick Grech e Ginger Baker para formar o Blind Faith. Após 40 anos, outra banda que atende aos requisitos do termo chega para tentar a sorte. O Them Crooked Vulture não tem o virtuosismo de Clapton na guitarra, nem a precisão e destreza de Ginger Baker na bateria, porém fazem bom papel entre as bandas contemporâneas do gênero.
O principal atrativo para a banda chamar a minha atenção é a presença de John Paul Jones no baixo. Curioso com o que o baixista de uma das maiores bandas de rock poderia fazer hoje, quase 30 anos após a dissolução do Led Zeppelin, não perdi tempo e escutei o disco inteiro várias vezes. Se no Led Zeppelin a dificuldade era acompanhar John Bonham, na nova empreitada a dificuldade é parecida mas invertida. Enquanto Bonham era um ás, dominava todas as técnicas que o instrumento possibilita no gênero, com 'viradas', mudanças de divisão, ritmo e andamento, tornando para o baixista muito difícil acompanhar a pegada, Grohl é um baterista muito limitado, compensando em força o que não tem em técnica, o que também torna a vida do baixista complicada, pois é difícil compor uma linha de baixo de qualidade quando o baterista não dá alternativas. Resumindo: JP Jones não era tão bom para acompanhar Bonham no Zeppelin, pouquíssimos baixistas no rock seriam, mas também não é o baixista discreto e, às vezes, inaudível que o Them Crooked Vultures mostra.
O Dave Grohl baterista do Nirvana não é algo difícil de explicar. Um estilo despojado, com a forte levada do punk e todo o sentimento de raiva, frustração e melancolia das letras de Cobain que era transmitido pelo jeito que Grohl atacava a bateria. Essa descrição vale também para sua nova banda. Até aí, ou seja, baixo e bateria, o Them Crooked Vultures lembra muito o Nirvana, mas as letras são outras, a guitarra é outra, os tempos são outros e a atitude é outra. O modo com que Grohl tirava o som de seu instrumento no Nirvana foi a principal influência entre 9 de 10 bateristas de banda que surgiram depois do auge do trio estado-unidense, em 91 com Nevermind, talvez seja esse o motivo para se acreditar que não existem bons bateristas nas principais bandas de rock.
Josh Homme, produtor de mão cheia e um dos principais responsáveis pela guinada do som do Arctic Monkeys, também é guitarrista das bandas Queens of the Stone Age e Eagles of Death Metal. Com pouca ou nenhuma influência do blues em sua carreira, as linhas de guitarra de seu novo projeto não fogem à essa regra, ajudando a banda a ter um caráter pouco melódico e bastante harmônico. Além disso, nas apresentações ao vivo ainda existe um segundo guitarrista, Alain Johannes, que, como se precisasse, deixa o som da banda tão pesada nas apresentações quanto no disco.
Falta, ao Them Crooked Vultures, a ousadia de inovar, experimentar e improvisar. Nenhum dos três músicos mostra novidades em comparação ao que já mostraram em suas carreiras. O rótulo de 'Super-grupo' vem à calhar pelo passado e o sucesso de cada membro mas não pelo resultado deste primeiro álbum.

Faixas:
1. "No One Loves Me & Neither Do I"
2. "Mind Eraser, No Chaser"
3. "New Fang"
4. "Dead End Friends"
5. "Elephants"
6. "Scumbag Blues"
7. "Bandoliers"
8. "Reptiles"
9. "Interlude with Ludes"
10. "Warsaw or the First Breath You Take After You Give Up"
11. "Caligulove"
12. "Gunman"
13. "Spinning in Daffodils"