segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Beck, Bogert & Appice - Beck, Borget & Appice (1973)

O power-trio é uma formação difícil para o blues-rock. A rapaziada realmente precisa saber fazer barulho. Tirar o máximo dos instrumentos não era problema para nenhum desses três. Vanilla Fudge e Cactus estavam no currículo da dupla baixo-bateria.Alías, uma das melhores cozinhas da história do rock'n'roll. Quanto a guitarra, Jeff Beck é mais que recomendado. As contribuições ao Yardbirds e ao Jeff Beck Group já garantiriam o nome do guitarrista no rol dos maiores de sua época.

A união entre o guitarrista e a dupla da cozinha era para ter acontecido em 1969, quando o Jeff Beck Group original se desfez. Pouco antes de anunciar a nova formação da banda, Beck sofreu um acidente de carro, o que adiou a volta do grupo. Com isso, Bogert e Appice formaram o Cactus, lançando seu primeiro álbum em 1970. Beck gravou mais dois discos com outra formação do JBG. O primeiro - terceiro contando a partir do Truth de 69 - em 1971 e o último em 1972.

Finalmente, no final de 72 eles conseguitaram se juntar para formar um trio. Excursionaram pelos Estados Unidos até que em 1973 resolveram entrar no lenndário estúdio da Chess Records em Illions. O disco, único do grupo em estúdio, foi considerado dócil pela rolling Stone. Eu nunca vi ou ouvi a banda ao vivo, mas se eles faziam um som mais pesado nos palcos pode estar ligado ao preciosismo de guitarristas como Jeff Beck com o som de seu instrumento no estúdio. Os pontos altos do álbum são "Black Cat Moan", "Lady", "Superstition" de Stevie Wonder e "I'm So Proud" de Curtis Mayfield.

A banda não durou muito. Quando já estavam gravando materia para um segundo álbum, em 1974, Beck, Bogert e Appice deixaram o rock órfão de mais uma grande banda.

Faixas:
  1. "Black Cat Moan" (Don Nix) – 3:44
  2. "Lady" (Appice, Beck, Bogert, J. Bogert, French, Duane Hitchings) –5:33
  3. "Oh to Love You" (Appice, Beck, T. Bogert, J. Bogert, French, Hitchings) – 4:04
  4. "Superstition" (Stevie Wonder) – 4:15
  5. "Sweet Sweet Surrender" (Nix) – 3:59
  6. "Why Should I Care" (R. Kennedy) – 3:31
  7. "Lose Myself with You" (Appice, Beck, T. Bogert, J. Bogert, French) – 3:16
  8. "Livin' Alone" (Appice, Beck, T. Bogert, J. Bogert) – 4:11
  9. "I'm So Proud" (Curtis Mayfield) – 4:12
Formação:

Beck, Bogert & Appice - Beck, Borget & Appice

sábado, 25 de dezembro de 2010

Roberto Carlos - O Inimitável (1968)

Não satisfeito em tornar-se artista da globo, não lançar nada inédito desde o final dos anos 80 e ser a materialização de tudo que é mais chato e decadente na sociedade brasileira, resolveram que o Roberto Carlos deveria fazer uma apresentação na praia de copacabana às custas do contribuinte do município do Rio de Janeiro. "Ai, meu Aristóteles", como diria Paulo Francis. Muito melhor do que isso é este disco lançado em 1968. Dizem por aí, que era o início da transição do RC da jovem guarda com músicas originais e engenhosas para o RC azul e branco de hoje.

A parceria com Erasmo Carlos, esse sim, O Tremendão, rendeu quatro músicas para o álbum. "Se você pensa" tornou-se, no ano seguinte, uma das interpretações mais impressionantes de Gal Costa. "É Meu, É Meu, É Meu" e "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo" se valem da repetição do refrão para cair nas graças da audiência. A música que realmente virou febre no Brasil inteiro na época foi "As Canções Que Você Fez Prá Mim", sem dúvida uma letra bastante inspirada e até termina com um solinho de guitarra.

As músicas que são compostas por outros letristas fazem a maior parte do disco. As duas que se destacam são "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só", que abre o álbum, do Antônio Marcos e "Madrasta", a última faixa, e dizem por aí que é a única música que o RC defendeu num festival e depois incluiu num Lp.

Esse foi o primeiro álbum que Roberto gravou depois da saída do programa Jovem Guarda na TV Record (a original) graças a uma guerra de egos com o Ronnie Von, que apresentava outro programa na casa. Depois, ainda nos anos 60, lançou o disco que contém "As Curvas da Estrada de Santos", pra mim o melhor álbum de sua carreira.

Faixas:
1. Eu não vou mais deixar você tão só
2. Ninguém vai tirar você de mim
3. Se você pensa
4. É meu, é meu, é meu
5. Quase fui lhe procurar
6. Eu te amo, eu te amo, eu te amo
7. As canções que você fez para mim
8. Nem mesmo você
9. Ciumes de você
10. Não há dinheiro que page
11. O tempo vai apagar
12. Madrasta

Músicos:
Tá de brincadeira! Achas que o RC vai dar credito pra músico?


Roberto Carlos - O Inimitável


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

The Specials - Specials (1979)

1979 foi um ano engraçado para a música britânica. Muita coisa estava acontecendo, explodindo. Muita gente fazendo música diferente um do outro, mesmo que tivessem o mesmo rótulo colado na testa. Enquanto os Sex Pistols já tinham chegado no seu limite o Clash lançava um dos melhores discos do rock, London Calling. Do outro lado da rua havia o mod revival acontecendo. Impulsionados pelo filme Quadrophenia e pelo The Jam, com Paul Weller a frente, os mods dos anos 70 não precisaram viajar para a Jamaica para assistir uma banda tocando ska. Os Specials estavam lá para preencher uma lacuna que o Clash também percebeu.

A primeira geração mod não teve nenhuma banda tocando Ska, apesar dos Skatalites e dos Toots and the Maytals, por exemplo, já tocarem nas rádios inglesas nos anos 60. O estilo manteve seu espaço nas rádios e com o aparecimento de uma certa banda chamada Wailers, a música jamaicana invadiu definitivamente a ilha que foi sua colônia. Os Specials apareceram para dar início ao ska feito na Inglaterra e com a "benção" dos mestres jamaicanos.

Lançado pela lendária 2 Tone records, este disco de estréia é um pingo (ou seria oceano?) de frescor na música popular britânica. Produzido por Elvis Costello, o disco reflete a revolta e a insatisfação sentida pela juventude inglesa que só iriam aumentar nos tempos de Margareth Thatcher. A guitarra, mais alta que o normal, passou ter uma relação diferente no ska. Muitos colocam isso na conta do punk, eu diria do Clash. Os instrumentos de sopro tradicionais estão todos lá e, claro, as faixas clássicas dos anos 60 diretamente da Jamaica também. "Monkey Man" do Toots & The Maytals, "Too Hot" de Prince Buster e "A Message to Rudy" da dupla Lee Perry e Dandy Livingstone, que abre o disco magistralmente, são alguns exemplos da influência direta e escancarada dos jamaicanos na banda.

"Nite Klub" é a melhor composição própria do disco e não deixa a banda atrás das versões em termos de composição. O disco ainda contou com a participação do trobonista original dos Skatalites, Rico Rodriguez, na primeira faixa. Nem precisa dizer que o disco foi sucesso de público e crítica alavancando a carreira da banda para mais seis discos de inéditas, além de turnês pela Europa.

Faixas:
  1. "A Message to You, Rudy"
  2. "Do the Dog"
  3. "It's Up to You"
  4. "Nite Klub"
  5. "Doesn't Make It Alright"
  6. "Concrete Jungle"
  7. "Too Hot"
  8. "Monkey Man"
  9. "(Dawning of A) New Era"
  10. "Blank Expression"
  11. "Stupid Marriage"
  12. "Too Much Too Young"
  13. "Little Bitch"
  14. "You're Wondering Now"

Membros:

The Specials - Specials

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Brazilian Guitar Fuzz Bananas (2010)

Se não fosse essa compilação, seria muito mais difícil chegar até sons jamais imaginados por mim de serem feitos aqui no Brasil. A maioria desses artistas nunca chegaram a gravar um álbum inteiro e os que conseguiram, não mantiveram a proposta psicodélica dos compactos resgatados aqui. Aliás, cabe aqui a saudação ao idealizador deste projeto. Joel Stones é um brasileiro que chegou em Nova Iorque com uma mão na frente e outra atrás e hoje é o dono de uma das lojas de disco mais bacanas daquela cidade, a Tropicalia In Furs. Fico imaginando a quantidade absurda de compactos que ele escutou até chegar a essa compilação com 16 raridades. Tudo isso por causa de um simples pedal de guitarra que virou a cabeça de uma geração inteira.

Assim que a agulha que começa a deslizar pelos sulcos do vinil o recado começa a ser dado sem rodeios. O multiinstrumentista Celio Balona, na época (fim dos anos 60) um garoto de quase vinte anos, fez uma versão própria para o tema do seriado estadunidense Batman. No livro que acompanha o LP, Joel defende a escolha da faixa para abrir o disco dizendo que tudo que está presente nela, desde a guitarra absurdamente distorcida até as colagens de som com o barulho de carros de Fórmula 1 simulando as naves espaciais, de certa forma resume a mensagem e o sentimento que o álbum quer passar.

Loyce e os Gnomes vêm a seguir com a espetacular 'Era uma nota de 50 cruzeiros'. Aliás, eles são a única banda a aparecer duas vezes na compilação. O compacto de onde foram retiradas as músicas tem quatro faixas, o que na época já era dificil de acontecer, ainda mais para uma banda de Ribeirão Preto.

Agora, na terceira faixa, entram a dupla mais criativa de compositores do rock'n'roll. Lennon e McCartney também estão presentes no disco, assim como Jagger e Richards mais a frente. Os Youngster deitaram os cabelos numa faixa pouco conhecida que está no segundo disco da banda de Liverpool, "With The Beatles". Na releitura, a guitarra base e o baixo são mauito perecidos mas a bateria e a guitarra ligada no pedal de fuzz dão a assinatura dessa banda espetacular e o ingresso na compilação.

Serguei, folclórica lenda do rock brasileiro, aparece num dos muitos compactos que lançou durante sua carreira. No ínício do lado B está uma das atrações do álbum. Lindo Sonho Delirante é a contribuição do underground brasileiro para o rock feito em 1968. Apesar do intérprete ser paraguaio, Fábio já vivia em São Paulo há muito tempo, o sufuciente para se tornar amigo de Carlos Imperial e estabelecer essa parceria que rendou outras ótimas músicas.

Seguindo no lado B, 'O Carona' do Tony e o Som Colorido, produzido por Raul Seixas, traz um Tony pré Nesse Inverno. O 14 Bis que aparece com a potente God Save The Queen não tem nada a ver com os Sex Pistols. Os ingleses não conseguiriam, e nem queriam, um som tão swingado. No livro, Joel diz não ter conseguido a informação se essa banda é a 14-Bis formada em 79 em alguma versão anterior ou outra banda sem nenhuma relação, o que é mais provável, pois o compacto foi lançado quando O Terço, banda que gerou o 14-Bis, ainda estava em atividade.

A Banda 7 Léguas com a ótima 'Dia de Chuva' é ainda mais sombria e desconhecida, não há muito o que falar deles. Ton & Sergio, que vem a seguir, são tão obscuros quanto os anteriores. Gravaram esse compacto pela Polydor e sumiram. Os executivos da empresa provavelmente não queriam arriscar num Lp de um banda inteiramente nova que fazia críticas em letras magistralmente compostas contra o regime militar. No embalo, vem Ely, o Ely Barra da The Brazilian Bitles, em carreira solo mostrando apenas no título qual é a sensação de tocar e ouvir um guitarra num pedal fuzz. É como se uma turbina de avião estivesse ligada do seu lado.

Dos Falcões Reais, a mesma história da Banda 7 Léguas. Fizeram uma letra protestando veladamente contra a ditadura e não tiveram mais nenhum registro, dessa vez pela gravadora Copacabana. Marisa Rossi fecha o terceiro lado do álbum com seu 'Cinturão de Fogo' composto por seu então namorado Fábio em parceria com Paulo Imprial, irmão do Carlos. Logo depois a Marisa dá um pé na bunda do Fábio para casar com um ricaço e ele grava um dos seus sucessos, Stella.

Então, eis que chega a hora de uma das melhores bandas desta coleção. The Pops era uma banda contratada pela gravadora Equipe para acompanhar alguns de seus intérpretes. O estrandoso disco que eles gravaram com o sambista Oswaldo Nunes em 1969 já foi comentado aqui. Nessa faixa, eles tentam e conseguem atingir o som de Jimi Hendrix. Por pouco mais de 3 minutos isso deixa de ser imaginário.

Loyce e os Gnomes, como já foi dito, voltam a aparecer na coleção que toma rumo para o final com Piry, ex-integrante do A Barca do Sol. A letra é uma homenagem aos ex-companheiros de banda. Eles são os heróis modernos. A compilação é encerrada com a formidável versão de "The Lantern" dos Rolling Stones, que está no disco "Their Satanic Majesties Request" de 1967. A banda Mac Rybell chegou a experimentar algum sucesso e depois que encerrou suas atividades como banda, investiram numa empresa de produção.

Se você teve folego para chegar até aqui, fique sabendo que estas são apenas algumas referências que eu selecionei de algumas pesquisas e da leitura do livreto que acompanha do Lp. Essa compilação pode te levar a sons jamais imaginados, a história, em vários casos bem escondida, por trás de cada banda e cada música mostram os tímidos avanços pdo Rock feito no Brasil, que nunca foi explorado comercialmente até os anos 80. Apesar de não aparecerem aqui, por motivos óbvios, é bom dar o crédito os que conseguiram, à base de muito talento e esforço, fazer rock'n'roll neste país sem se dobrarem às exigências comerciais do mercado. Fica aos Mutantes, aos Beat Boys, Rogério Duprat e a turma da tropicália meu muito obrigado por terem feito o máximo para que esses sons tenham existido por aqui.

Faixas:
01 03:03 Celio Balona - Tema De Batman
02 03:35 Loyce E Os Gnomes - Era Uma Nota De
03 02:23 The Youngsters - I Wanna Be Your Man
04 03:14 Serguei - Ourico
05 02:26 Fabio - Lindo Sonho Delirante
06 02:26 Tony E Som Colorido - O Carona
07 03:36 14 Bis - God Save The Queen
08 02:54 Banda De 7 Leguas - Dia De Chuva
09 02:51 Ton & Sergio - Vou Sair Do Cativeiro
10 03:04 Ely - As Turbinas Estao Ligadas
11 02:58 Com Os Falcoes Reais - Ele Seculo Xx
12 02:21 Marisa Rossi - Cinturao De Fogo
13 03:27 The Pops - Som Imaginario De Jimmi Hendrix
14 02:01 Loyce E Os Gnomes - Que E Isso
15 02:09 Piry - Heroi Moderno
16 04:12 Mac Rybell - The Lantern


Brazilian Guitar Fuzz Bananas

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

King Crimson - In The Court Of The Crimson King (1969)

Não sou, particularmente, um ávido fã do rock progressivo. Acho que já existem muitos deles e eles são chatos o suficiente. Agora, não sou tão implicante ao ponto de negar o lugar do King Crimson e de seu disco de estréia no rol das melhores bandas e discos da história do rock. Eles conseguiram aqui, misturar o blues-rock com o jazz e sinfonia clássica, o principal objetivo do rock progressivo, melhor que qualquer outra banda do gênero.

Antes do lançamento do álbum, a banda estava tocando para mais de 600 mil pessoas no meio do Hype Park em julho de 69 antes do celebre show do Rolling Stones. Mostraram ali uma pequena parte do turbilhão sonoro que viria. Ele chegou em outubro. Lançado pelo tradicional selo de origem jamaicana Island Records, o disco teve tal impacto que Pete Townshend o descreveu como uma obra-prima. Em cinco músicas arrebatadoras que tinham a força e o peso do rock inglês, além da suavidade e da orquestração do rock progressivo, a banda conta a história do transcedental do reino do rei escarlate.

Duas características do disco são fundamentais. A capa e as letras da música, já que é uma ópera-rock. O encarte completo é parte fundamental da história. Feito por um programador de sistemas amigo de Robert Fripp, guitarrista da banda. A capa mostra o Schizoid Man e na parte de dentro do encarte aparece o Crimson King, com sua expressão dúbia de tristeza e felicidade. Essas expressões resumem a música e o sentimento que a banda quer passar.

Na parte das letras, a peculiridade da banda era ter um membro para pensar apenas nisso. Peter Sinfield. Porém a banda inteira acabava participando do processo, o que se provou essencial para a densidade e honestidade na hora de gravar as músicas. Sinfield não subia ao palco, mas comandava ele. Foi ele que bolou e pôs em prática um sistema de iluminação revolucionário para a época e marcou os primeiros shows da banda.

Depois do lançamento do disco, a banda começou uma turnê pela Inglaterra e logo depois foram para os EUA. Foi então que a banda começou a desandar. O flautista e saxofonista Ian McDonald e o baterista Michael Giles insatifeitos com os rumos que a banda tomava pediram a conta e resolveram sair no meio da turnê. Começou assim uma sina que acomphou a banda até os anos 2000, nunca conseguiram manter uma formação por muito tempo. A última apresentação da primeira formação, que é considerada pelos críticos como a melhor, foi no lendário Fillmore West, na Califórnia em dezembro de 69.

Formação:
Robert Fripp - guitarra
Ian McDonald - flauta, clarineta, saxofone, teclados, mellotron
Greg Lake - baixo e vocal
Michael Gilles - bateria e percussão
Peter Sinfield - letras e iluminação
Barry Goldber - capa

Faixas:
01. 21st Century Schizoid Man
02. I Talk to the Wind
03. Epitaph
04. Moonchild
05. The Court of the Crimson King

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Caetano Veloso - Caetano Veloso (1971)

Se os baianos já cantavam as saudades da Bahia morando no Rio de Janeiro e em São Paulo, imaginem como ficaram os que foram para a Europa! Depois que o governo militar resolveu libertar Gilberto Gil e Caetano Veloso da prissão de Realengo, em 69, eles foram para um período de exílio na Europa que durou até 1972. Estabelecendo residência em Londres, longe dos amigos e da agitação do tropicalismo, conseguiram manter um produção à altura de seus discos anteriores, mas as marcas da solidão londrina (mesmo dentro da ainda Swinging London) são profundas, principalmente neste disco de Caetano.
A abertura do disco já não deixa dúvidas sobre os sentimentos do baiano tropicalista. Em inglês, língua que usou oportunamente nesse disco em composições originais, Caetano consegue em versos simples e numa interpretação inspirada contar como saiu do Brasil e o que sentiu. "London, London" é umas das músicas do disco que virou obrigatória no repertório do artista durante os anos posteriores. Com um refrão inspiradíssimo, a letra, também em inglês, vai contando as impressões da nova cidade de Caetano.
Completa o primeiro lado do disco a outra saudade de Caetano: sua irmã Maria Bethania. Diz na letra para sua irmã que mandar notícias por cartas para fazê-lo mais feliz. Para dar um clima um pouco mais alegre, faz uma improvisação com 'Baião' de Alceu Valença. Virando o disco, a primeira música é "If You Hold A Stone" que acaba desaguando em outra música em português, desta vez, a versão de 'Marinheiro Só', de seu álbum anterior.
"In the hot sun of a christmas day" é a música mais impressionante do álbum. Ali, ele junta tudo e manda a pedrada certeira. A família, a mulher, a perseguição da ditadura, a saudade, o exílio em pouco mais de três minutos acompanhados de um baixo estremecedor, não há nenhum crédito aos músicos que gravaram as faixas com Caetano.
O Rei do Baião, em sua composição mais genial, é um lugar de visita fácil para o artista exilado. A interpretação é emocionante pelo momento, pelo arranjo e por tudo mais que poderia estar passando pela cabeça dele enquanto a gravava. Não é à toa que tem sete minutos.
O disco foi gravado em inglês pensando no mercado daquele país e lançado pelo selo Famous. Não obteve sucesso por lá, apesar das críticas positivas que obteve, sendo comparado até mesmo com Bob Dylan e Tim Buckley. Caetano não é da turma do folk, a comparação é pelo tom intimista do disco parecido com algumas gravações daqueles artistas. No Brasil, o disco foi melhor recebido, já que estava (e está) aqui toda a bagagem discursiva que faz esse disco ter sentido dentro de sua obra e dentro da sociedade que está inserido.
Faixas:
01. A Little More Blue
02. London, London
03. Maria Bethania
04. If You Hold A Stone
05. Shoot Me Dead
06. In The Hot Sun Of A Christmas Day
07. Asa Branca
Caetano Veloso - Caetano Veloso

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The Velvet Undergound - The Velvet Underground & Nico (1967)

Este é um texto que escrevi para um trabalho na faculdade.
Em 1967, o Velvet Underground era uma banda bem diferente de dois anos antes, quando foi formado. A primeira diferença: tocavam muito melhor que na época dos ensaios na garagem de Lou Reed. Tornaram-se profissionais. A segunda, e principal: foram descobertos por Andy Warhol, artista plástico e rei da parte mais glamurosa que a cidade de Nova Iorque podia oferecer.
Com a influência de Warhol, a banda conseguiu o contrato com a Verve Records e outras facilidades, mas também vieram certas imposições. A modelo e cantora alemã Nico, também gerenciada pelo artista plástico, foi uma delas. Além do papel de gerente, ele também é o autor da capa e, ao lado do lendário Tom Wilson, produtor, o que também leva sua influência para o som da banda. Apesar disso, existe uma controvérsia sobre a produção do disco e de qual foi a exata influência de Warhol no processo, porém ele foi o único que acompanhou a banda, como produtor, em todas as sessões de gravação ocorridas no ano de 1966.
A capa é tão antológica quanto as músicas presentes no álbum. Durante os anos 1960, as capas das melhores, ou nem tanto, bandas de rock aproveitavam cada parte do espaço disponível. Warhol abusa de toda sua capacidade de artista plástico para criar uma capa singular. O Lp original traz uma banana adesiva, com o convite para o dono “descasca-la” e por baixo, uma banana rosa descascada. A MGM, dona do selo Verve, precisou encomendar a impressão da capa em uma máquina especial, porém concordou com o gasto tendo em mente que qualquer álbum com uma capa assinada por Warhol venderia feito banana.
Considerado um dos pilares do rock’n’roll e inspiração para jovens das décadas posteriores, o álbum não atingiu esse status rapidamente. As vendas foram tímidas, não houve esforço da gravadora para divulgação e, para piorar, um processo do ator Eric Emerson, por uso de sua imagem sem seu consentimento na contracapa, obrigou a gravadora a recolher as cópias que encalhavam nas lojas.
O som experimental, usando instrumentos menos convencionais para o rock, era influência das experiências de John Cale, baixista. A celesta e o violino, o próprio Cale gravou o último, além de uma afinação com todas as cordas da guitarra de Lou Reed em ré são as peripécias mais celebradas do disco. A temática do álbum é, em quase sua totalidade, o ambiente que a banda estava inserida. Drogas, seu uso e como afetavam as pessoas que os rodeavam eram temas centrais, como em “I’m Waiting For The Man”, “Heroin” e “Run, run, run”. À pedido de Andy Warhol, Lou Reed escreveu “Femme Fatale” para a bela atriz Edie Sedgwick, que fazia parte do seu círculo amigos.
O álbum, considerado um dos melhores de estréia de uma banda de rock, influenciou o punk, uma década depois, de forma seminal. Tantos lançamentos impactantes no mesmo ano talvez tenham contribuído para a estréia do Velvet Underground ter sido pouco notada. Para o ano seguinte, a banda desfez seu vínculo com Warhol e, consequentemente com Nico. Porém, o desejado sucesso comercial nunca veio instantaneamente para o VU, eles foram muito mais que isso.
Faixas:

1."Sunday Morning"
2."I'm Waiting for the Man"
3."Femme Fatale"
4."Venus in Furs"
5."Run Run Run"
6."All Tomorrow's Parties"
7."Heroin"
8."There She Goes Again"
9."I'll Be Your Mirror"
10."The Black Angel's Death Song"
11."European Son"

Formação:

John Cale – viola, piano, celesta on "Sunday Morning", baixo, vocais de apoio
Sterling Morrison – guitarra, baixo, vocais de apoio
Nico – chanteuse, voz em "Femme Fatale", "All Tomorrow's Parties" and "I'll Be Your Mirror"; vocais de apoio "Sunday Morning"
Lou Reed – vocaz, guitarra
Maureen Tucker – percussão



domingo, 31 de outubro de 2010

Zabriskie Point Soundtrack (1970)

Uma amiga outro dia me disse sobre um filme que usava a indústria cinematográfica para combater os valor sociais vigentes, inclusive aqueles que sustentam a prória indústria. Usava o sistema para combater o próprio sistema. Teria concordado com ela se o filme fosse Zabriskie Point. Para finalizar essa série de trilhas sonoras, volto a trazer Michelangelo Antonioni, novamente num filme para a MGM, o segundo dos três que o diretor italiano fez em lingua inglesa.

Assim como em 1966 Antonioni retratou a Inglaterra, Londres mais precisamente, partindo de um recorte social, neste filme que foi lançado em 1970, depois de dois anos de produção, o diretor italiano tentou a mesma tática com os EUA. A contra-cultura aqui é muito mais exposta e debatida que na produção anterior do cineasta, alguns críticos escreveram à época que as cenas eram caricatas e muito superficiais. Hoje considerado um filme cult, deu prejuízo para o estúdio, deixou o próprio diretor insatisfeito pelos percausos durante as filmagens e produção mas deixou, além de um marco no cinema feito no século passado, uma trilha sonora incrível.

Ao contrário do que havia feito na trilha sonora de Blow Up, quando entregou a produção da trilha à Herbie Hancock, desta vez Antonioni tentou agrupar, inspirado na trilha sonora de Easy Rider, canções que estavam na cabeça daquela geração e fez mais, ao colocar Patti Page, cantora dos anos 50, na trilha. "Tennessee Waltz", uma canção completamente inserida no modo de vida estadunidense do conservadorismo da era Eisenhower se destaca pelo contraste com Jerry Garcia e Pink Floyd.

Os filmes de Antonioni são perfeitos quando casam a extraordinária fotografia com as músicas. Cada uma é cuidadosamente colocada ali, cada momento é único, nada é à toa. A sequência final do filme com a música "Come In Number 51, Your Time Is Up" é devastadora. A regravação do Pink Floyd para "Careful With The Axe, Eugene", um lado b de 1968, entra na sequência final tão poderosa quanto a explosão da casa no Death Valley e, talvez, mais ainda que a explosão que o filme causou nas mentes das pessoas daquela geração.

Outras bandas menos conhecidas como The Youngbloods e Kaleindoscope marcam presença para uma levada folk que acaba se tornando maioria do disco da trilha sonora. Além deles, completam o time folk Roscoe Holcomb e John Fahey, representando uma ala mais tradicional do gênero. Os Rolling Stones têm "You Got The Silver" no filme, mas não da trilha. Um pena, problema entre gravadoras. Outro do tipo foi o que impediu o uso de "L´America" do Doors, feita especialmente para o filme. Essa música acabou nem entrando no filme.
Nessa postagem chego ao final dessa série, que era para ter durado apenas uma semana em junho e se estendeu até agora por pura falta de tempo para escrever aqui. Em dezembro e janeiro, além das postagens habituais sobre discos pretendo algumas gracinhas a mais e espero não sofrer com pouco tempo.

Faixas:

1.Pink Floyd – "Heart Beat, Pig Meat"
2.Kaleidoscope – "Brother Mary"
3.Grateful Dead – "Dark Star" (excerpt)
4.Pink Floyd – "Crumbling Land"
5.Patti Page – "Tennessee Waltz"
6.The Youngbloods – "Sugar Babe"
7.Jerry Garcia – "Love Scene"
8.Roscoe Holcomb – "I Wish I Was a Single Girl Again"
9.Kaleidoscope – "Mickey's Tune"
10.John Fahey – "Dance of Death"
11.Pink Floyd – "Come in Number 51, Your Time Is Up"












domingo, 3 de outubro de 2010

Hair Original Soundtrack (1979)

Inspirada, não copiada. A versão cinematográfica de Hair, musical de 1968 que obteve estrondoso sucesso na Broadway, tem algumas diferenças de roteiro para a versão teatral, algumas, inclusive, que desagradaram os roteristas da peça original. Não vou me alongar no assunto, até porque está chegando ao Rio de Janeiro uma montagem brasileira do espetáculo original, então você vai poder ir lá no teatro Casa Grande, no Leblon, a partir de cinco de novembro e conferir. Gostam tanto de copiar os musicais estadunidenses por aqui que é impossível errar a mão em todas. Em 1969, menos de um ano depois da instauração do AI-5, aconteceu a primeira montagem brasileira do espetáculo. Um marco para o teatro nacional.
Todas as composições que aparecem no disco são as originais de 68. Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado são os compositores das músicas, mas não consegui a informação de quem as gravou para o filme. Sem essa informação, esse disco nem deveria aparecer aqui, mas por motivos expressamente afetivos não pode faltar no finalzinho dessa série. As letras carregam todo peso político e social de uma Nova Iorque do final dos anos 60, com uma juventude ceifada e aterrorizada por uma guerra sanguinária do outro lado do mundo. A liberdade contra-cultural, que é o grande legado daquela geração, é mostrada com todo frescor e intensidade para rebater tudo o que poderia aflingir aqueles jovens.
Uma lição, em contextos gerais, de como ser jovem para o resto do mundo em qualquer tempo após os anos 60. O filme existe completo no youtube, sem legenda em português, para o deleite daqueles que ainda não tiveram a oportunidade e o prazer de revê-lo para os demais.


Faxias:



Aquarius (4:47)
Sodomy (1:29)
Donna / Hashish (4:20)
Colored Spade (1:33)
Manchester, England (1:57)
I'm Black / Ain't Got No (2:24)
Party Music (3:25)
My Conviction (1:47)
I Got Life (2:15)
Hair (2:42)
L.B.J. (Initials) (1:07)
Electric Blues / Old Fashioned Melody (3:53)
Hare Krishna (3:24)
Where Do I Go? (2:48)
Black Boys (1:11)
White Boys (2:35)
Walking In Space (6:13)
Easy To Be Hard (3:39)
3-5-0-0 (3:49)
Good Morning Starshine (2:24)
What A Piece Of Work Is Man (1:39)
Somebody To Love (4:12)
Don't Put It Down (2:25)
The Flesh Failures / Let The Sunshine In (6:04)








Hair Original Soundtrack

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Trilha Sonora do filme Deus e o diabo na terra do sol (1964)

O maior cineasta brasileiro não poderia faltar nesta série. Numa de suas produções mais marcantes, a trilha sonora é assinada por Sergio Ricardo, que o próprio diretor apresenta e justifica a escolha do sambista para compor a trilha sonora. Ninguém melhor que o próprio Glauber Rocha para apresentar o álbum.


DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL

cancioneiro do nordeste
composto e interpretado por
SERGIO RICARDO

Letras de
GLAUBER ROCHA


O cego Zé, guiado apenas por seu primo Pedro das Ovelhas, me disse que ele cantava para não perder o juízo; pegava o cavaquinho e, voz de angústia, furando as tardes de Monte Santo, invocava amores perdidos e crimes terríveis.

Quem anda pelo sertão conhece bem um cantador -- velho e cego (que cego vê a verdade no escuro e assim canta o sofrimento das coisas) bota os dedos no violão e dispara nas feiras, levando de feira em feira e do passado para o futuro, a legenda sertaneja: história e tribunal de Lampião, vida, moralidade e crítica. Na voz de um cantador está o "não" e o "sim" -- e foi através dos cantadores que achei as veredas de Deus e o Diabo nas terras de Cocorobó e Canudos.

Sou mau cantador -- sem ritmo e sem memória, fiquei por tempos a ruminar e reinventar a essência das coisas que tinha ouvido -- e um enorme romance em versos nasceu, impuro e rude, narrando o filme. Acabando o trabalho, pronta a montagem, restavam imagens neutras, mortas, que necessitavam da música para viver: eram imagens do romanceiro transcrito. Todo o episódio de "Corisco", por exemplo, nasceu das cantigas que ouvi cantar em vários lugares diferentes e, dispensada a música, perderia um significado maior.

Sérgio Ricardo, embora seja sambista com mistura de morro e asfalto, tem paixão pelo nordeste, tem a vantagem de ser cineasta e sabe que música de filme é coisa diferente: tem de ser parte da imagem, ter o ritmo da imagem, servir (servindo-se) à imagem.

Começamos o trabalho. Dei as letras -- nas quais usei muitos versos autênticos do povo -- e Sérgio começou a compor. Tinha seus vícios de "arranjos"; discutimos que o negócio tinha de ser "puro". Sérgio ouviu péssimas gravações do cego Zé e do seu primo Pedro: pegou e matutou o tom. Cortamos certos versos, fizemos outros: Sérgio deu uns palpites nas letras e eu, mau cantador, dei palpites na música. E ensaiamos pra valer na hora da gravação. Transformei Sérgio em ator -- gritei, ele ficou nervoso, deixou os preconceitos e soltou a voz e os dedos do violão. Depois de vários dias a noites a banda sonora estava gravada.

Acho que o cinema brasileiro tem, nas origens de sua linguagem, um grande compromisso com a música -- o nosso triste povo canta alegre, uma terrível alegria de tristeza. O samba de morro e a bossa nova, o romanceiro do nordeste e o samba de roda da Bahia, cantiga de pescador e Villa-Lobos -- tudo vive desta tristeza larga, deste balanço e avanço que vem do coração antes da razão.

Uma das mais belas imagens do nosso cinema é, por isso, aquela de Grande Othelo, em "Rio Zona Norte", cantando um samba de Zé-Keti. É assim que nossa música no cinema funcionará sempre como a explicação profunda da alma brasileira.

Glauber Rocha




Trilha Sonora do filme Deus e o diabo na terra do sol















quarta-feira, 1 de setembro de 2010

The Great Rock'N'Roll Swindle Soundtrack (1979)

Não existe trilha sonora como esta, nenhuma outra banda poderia chegar a tal resultado. Com todo o respeito ao meu Olímpo das bandas de rock, onde o Sex Pistols não está, nenhum componente da minha mitologia roqueira tem a descaralhação necessária para chamar Ronald Biggs, o ladrão mais famoso do mundo, para uma participação no filme e em duas faixas da trilha.
O interessante no álbum são as versões que os Pistols estavam acostumados a tocar ao vivo, as duas primeiras faixas que se enquadram nesse contexto são Johnny B. Goode (Chuck Berry) e Road Runner (Jonathan Richman, do Modern Lovers), completamente erráticas e caóticas, refletem o modo de viver da banda e daqueles que seguiam o punk. Para Substitute, do The Who, vem a primeira versão razoavelmente bem gravada e sóbria, e claro que não poderiam deixar de mandar um recado para Pete Townshend: "We don't ask permission for anything".
"C'mon Everybody" e "Rock Around The Clock" são outros dois clássicos do rock desconstruídos com toda sagacidade da banda, o último com vocais do inglês Edward Tudor-Pole, um amigo da banda. Em gravações pouco diferentes do álbum Never Mind The Bollocks, as músicas icônicas voltam em novas versões, como God Save The Queen e Anarchy In The UK. Além de faixas com o vocal de Biggs, No One Is Innocent.

Faixas:
1- God Save The Queen 2- Johnny B. Goode 3- Road Runner 4- Black Arabs 5- Anarchy In The U.K. 6- Substitute 7- Don't Give Me NoLip Child 8- (I'm Not Your) Stepping Stone 9- L'anarchie pour le U.K. 10- Belsen Was A Gas 11- Einmal Belsen War Wirflich Bortreflich (Belsen Vosa Gassa) 12- Silly Thing 13- My Way 14- I Wanna Be Me 15- Something Else 16- Rock Around The Clock 17- Lonely Boy 18- No One Is Innocent 19- C'Mon Everybody 20- EMI 21- The Great Rock 'N' Roll Swindle 22- Friggin' The Riggin' 23- You Need Hands 24- Who Killed Bambi?





segunda-feira, 30 de agosto de 2010

The Watchmen Soundtrack (2009)

Perto dos filmes postados aqui até agora, Watchmen é insignificante. Passaria totalmente desapercebido. Porém uma trilha sonora que traz Leonard Cohen, Bob Dylan, Jimi Hendrix Experience, Simon & Garfunkel e muitos outros grandes aritistas com ótimas músicas não pode ser descartada.
O disco começa com uma versão inusitada de Desolation Row pelo My Chemical Romance, banda emo que, com bastante razão, pouca gente leva a sério. Passado o susto inicial, Nat King Cole chega com sua elegância ímpar no piano com Unforgettable. Mr. Zimmerman, a dupla de poetas do Greenwich Village e a melhor cantora branca de blues em todos os tempos fazem uma sequência excepcional para uma coletânea com diversos artistas. A KC & The Sunshine Band aparece com um de seus maiores sucessos, I'm Your Boogie Man. Junto com Billie Holiday e o Philip Glass Essemble, a Sunshine prepara o terreno para o final avassalador do álbum.
A versão original da lendária Hallelujah por Leonard Cohen abre a sequência final, seguida pela principal versão (cover) da história do rock. All Along The Watchtower brilhantemente interpretada pelo Jimi Hendrix Experience. A interpretação pela Orquestra Sinfônica de Budapeste para a Cavalgada das Valquírias (Walkürenritt, no alemão original) de Richard Wagner aparece de forma realmente surpreendente. Essa passagem, na verdade o terceiro ato da ópera A Valquíria (Die Walküre) ficou consagrada na história do cinema no filme Apocalypse Now, na cena onde helicópteros bombardeiam uma vila praiana em plena guerra do Vietnã.
A última faixa traz a diva Nina Simone interpretando a versão em inglês de outra ópera alemã. Desta vez, a música é Pirate Jane (Seeräuberjenny) da ópera Die Dreigroschenoper (The threepenny opera) que é assinada pelo teatrólogo Bertolt Brecht e pelo compositor Kurt Weill. A versão em inglês interpretada por Simone tem estrofes com tradução ligeiramente modificada para que a métrica não fosse prejudicada. A faixa foi retirada do disco de 1964 Nina Simone In Concert, gravado ao vivo no Carnigie Hall, em Nova Iorque. Na época, a cantora utilizava a música em suas apresentações com o viés político da luta do negros pelos direitos civis.
No geral, a compilação e o modo como as músicas se encaixam no filme, em boa sincronia de emoções e ações, fazem o álbum uma interessante trilha sonora.
Faixas:
1. My Chemical Romance - “Desolation Row” (a Bob Dylan cover)
2. Nat King Cole - “Unforgettable”
3. Bob Dylan - “The Times They Are A-Changin’”
4. Simon & Garfunkel - “The Sound of Silence”
5. Janis Joplin - “Me & Bobby McGee”
6. KC and the Sunshine Band - “I’m Your Boogie Man”
7. Billie Holiday - “You’re My Thrill”
8. Philip Glass Ensemble - “Pruit Igoe & Prophecies”
9. Leonard Cohen - “Hallelujah”
10. The Jimi Hendrix Experience - “All Along the Watchtower”
11. Budapest Symphony Orchestra - “Ride of the Valkyries”
12. Nina Simone - “Pirate Jenny"
The Watchmen Soundtrack

domingo, 15 de agosto de 2010

I'm Not There Soundtrack (2007)

Nos últimos anos ainda não notei nenhuma trilha sonora tão boa quanto esta. Claro que o repertório ajuda, e muito. Diversos artistas fizeram uma releitura dos mais de 40 anos de carreira de um dos maiores músicos populares do século XX, que é tão surpreendente e intensa quanto o filme de Todd Haynes.
O grande barato do álbum é a reunião de grandes nomes da música estadunidense desde os veteranos Richie Havens e Ramblin' Jack Elliot até The Black Keys, Calexico e Charlotte Gainsbourg. Destaque também para a participação de Yo La Tengo, com I Wanna Be Your Lover, e do The Hold Steady, com uma interpretação memorável de Can You Please Crawl Out Your Window.
As parcerias concebidas especialmente para o disco também são marcantes. A The Million Dollar Bashers foi especialmente formada para acompanhar os artistas "sem banda". Formada por Lee Ranaldo e Steve Shelley, respectivamente guitarrista e baterista do Sonic Youth. Além de Nels Cline, guitarrista do Wilco, Tom Verlaine, guitarrista do Television. Completam o time os músicos da banda do próprio Bob Dylan, Tony Garnier, baixo, Smokey Hormel, guitarrista, e John Medeski, tecladista. Com essa formação, a banda ataca versões de All Along The Watchtower com Eddie Vedder e Ballad Of A Thin Man com Stephen Malkmus, além de outras excelentes participações. Além dessas, Jim James gravou com o Calexico uma versão inspirada para Goin' to Acapulco e Roger McGuinn, velho amigo de Dylan, e também com o Calexico, mandou ver em One More Cop Of Coffee.
O disco ainda reserva agradáveis surpresas, como a versão Knockin' On Heavens Door do Anthony & The Johnsons e ainda o menino Marcus Carl Franklin, que interpreta uma das facetas de Dylan no filme, com When The Ship Comes In. O disco termina com chave de ouro com a versão da música-título do filme. I'm Not There (1956) gravada com a The Band em 1967 e que não foi usada no disco de 1972, o Basement Tapes, finalmente viu a luz do sol.


Faixas:


Disco 1:

1. All Along the Watchtower - Eddie Vedder & The Million Dollar Bashers
2. I’m Not There - Sonic Youth
3. Goin’ To Acapulco - Jim James & Calexico
4. Tombstone Blues - Richie Havens
5. Ballad Of a Thin Man - Stephen Malkmus & The Million Dollar Bashers
6. Stuck Inside Of Mobile With the Memphis Blues Again - Cat Power
7. Pressing On - John Doe
8. Fourth Time Around - Yo La Tango
9. Dark Eyes - Iron & Wine & Calexico
10. Highway 61 Revisited - Karon O & the Million Dollar Bashers
11. One More Cup Of Coffee - Roger McGuinn & Calexico
12. Lonesome Death Of Hattie Carroll, The - Mason Jennings
13. Billy 1 - Los Lobos
14. Simple Twist Of Fate - Jeff Tweedy
15. Man In the Long Black Coat - Mark Lanegan
16. Senor (Tales Of Yankee Power) - Willie Nelson & Calexico


Disco 2:

1. As I Went Out One Morning - Mira Billotte
2. Can’t Leave Her Behind - Stephen Malkmus & The Bashers
3. Ring Them Bells - Sufjan Stevens
4. Just Like a Woman - Charlotte Gainsbourg & Calexico
5. Mama, You’ve Been On My Mind - Jack Johnson
6. I Wanna Be Your Lover - Yo La Tango
7. You Ain’t Goin’ Nowhere - Glen Hansard & Marketa Irglova
8. Can You Please Crawl Out Your Window? - The Hold Steady
9. Just Like Tom Thumb’s Blues - Ramblin’ Jack Elliott
10. Wicked Messenger, The - The Black Keys
11. Cold Irons Bound - Tom Verlaine & the Millions Dollar Bashers
12. Times They Are a Changin’, The - Mason Jennings
13. Maggie’s Farm - Stephen Malkmus & The Million Dollar Bashers
14. When the Ship Comes In - Marcus Carl Franklin
15. Moonshiner - Bob Forrest
16. I Dreamed I Saw St. Augustine - John Doe
17. Knockin’ On Heaven’s Door - Antony & The Johnsons
18. I’m Not There - Bob Dylan with The Band









terça-feira, 3 de agosto de 2010

Easy Rider Soundtrack (1969)

Provavelmente, de todas as trilhas sonoras que postarei aqui nas próximas semanas, as músicas de Easy Rider, clássico de 1969, são as que melhor expressam os sentimentos não apenas dos protagonistas, brilhantemente interpretados por Peter Fonda e Dennis Hooper, como também das pessoas inseridas no contexto social daquela época, principalmente em relação ao ideal de liberdade, sempre alardeado pelo modelo de vida estadunidense.
Quando a juventude da década de 60 nos EUA começou, principalmente nas grandes cidades, a viver uma nova espécie de "novo sonho americano", começaram a mudar certos paradigmas enraizados na sociedade. A questão da liberdade é claramente abordada no filme de forma antagônica ao "clássico" ideal de formar uma família, morar numa casa de subúrbio com o gramado verdinho e um emprego fixo. A relação dessa juventude, contra-cultural e despojada, e a grande parcela conservadora e preconceituosa da população daquele país, principalmente fora das grandes cidades, é o principal tema do filme. O final traz um grande anti-clímax, quando os dois protagonistas viram alvo dos tiros de camponeses numa pequena estrada do sul dos EUA, o que seria uma alegoria para a derrota da contra-cultura graças aos esforços das forças conservadoras, simbolizadas pelos caipiras sulistas.
A trilha sonora resume essa e várias outras facetas expostas no filme de forma extraordinária. O rock estadunidense é quase absoluto, considerando o Jimi Hendrix Experience uma banda britânica. Assim como no filme, o Steppenwolf abre o álbum com as icônicas "The Pusher" e "Born To Be Wild", que representam, respectivamente, a relação daquela geração com as drogas e o novo ideal de liberdade que surgiu e se espalhou pelos jovens de todo país.
A espetacular canção "The Weight", composta por Robbie Robertson, do The Band, está presente na versão da banda Smith, graças a problemas contratuais entre gravadoras. Três bandas pouco conhecidas naquela época tiveram suas músicas incluídas na trilha: The Holy Modal Hounders, Fraternity Of A Man e The Electric Prunes. A última teve sua música incluída na cena do carnaval de rua de Nova Orleães, o Mardi Gras, e na cena seguinte quando os protagonistas experimentam LSD num cemitério da cidade.
Os grandes momentos do álbum ficam por conta de "Wasn't Born to Follow", que se encaixa perfeitamente na posição vanguardista daquela geração e do filme. Além de "If Six Was Nine" do Jimi Hendrix Experience que toma uma posição individualista em relação ao resto da sociedade.
O álbum termina com Roger McGuinn, vocalista do The Byrds, interpretando "It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)" do "poeta da América" Bob Dylan, que não podia faltar na trilha sonora de um filme como esse, e "Ballad Of Easy Rider" composta especialmente para o filme, por Dylan, que escreveu somente a primeira linha, e Roger McGuinn.


Faixas:
1. The Pusher
2. Born To Be Wild
3. The Weight
4. Wasn't Born to Follow
5. If You Want To Be A Bird (Bird Song)
6. Don't Bogart me
7. If 6 Was 9
8. Kyrie Eleson/Mardi Gras
9. It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding)
10. Ballad Of Easy Rider
Easy Rider Soundtrack




sexta-feira, 30 de julho de 2010

Blow Up Soundtrack (1966)

Finalmente vou começar uma série de postagens que há muito tempo venho imaginando para o blogue. Duas artes que, desde que juntaram-se, nunca mais se separaram e transmitem as mais diferentes emoções, muitas vezes sem legenda ou tradução, para platéias do mundo inteiro. O cinema, quando ainda mudo, era "sonorizado" ao vivo por um piano na própria sala de projeção. Com o advento do aúdio sincronizado com o filme, músicas começaram a ser editadas ou então especialmente compostas para determinada película ou cena em especial. A reunião dessas músicas em disco, as trilhas sonoras, passaram a ser mais um produto que os estúdios cinematográficos passaram a explorar. Nesta série tentarei mostrar não apenas trilhas de filmes ou músicos consagrados mas como imagem e som encaixam-se de forma espetacular, além, é claro, de viajar pelo tempo e por diversos gêneros musicais.

Para o clássico de 1966 de Michelangelo Antonioni, que mostra o cotidiano de um fotógrafo na Londres dos anos 60 e como ele se envolve num crime cometido em um parque, Herbie Hancock volta aos EUA para recrutar o melhor do Jazz de Nova Iorque. Com Freddie Hubbard, Joe Henderson, Ron Carter e Jack DeJohnette, Hancock entrou no estúdio com a intenção de recriar o clima da Swinging London através do groove do Jazz, Funk e Blues. O trabalho do então jovem Herbie Hancock é primoroso, mas a trilha não seria completa sem uma banda inglesa. Apaixonado pela intensidade do Who, principalmente quando Pete Townshend destruia sua guitarra no palco, eles foram a primeira opção do diretor. Com a recusa, Antonioni sondou os estadunidenses do Velvet Underground, que não puderam ir pra Inglaterra, pois estavam mais duros que um côco. Então, Antonioni resolveu chamar os Yardbirds, que na ocasião contava com Jimmy Page e Jeff Beck como guitarristas, inclusive com direito a uma cena antológica dentro de um clube em plena Carnaby Street. A música executada pela banda, Stroll On, é uma versão para "Train Kept-A-Rollin' ". Gravada exclusivamente para o filme, essa versão é muito melhor que a presente no disco BBC Sessions.

Alternando temas de três ou quatro minutos com passagens curtas de menos de 2 minutos, Hancock consegue retratar toda a intensidade e suspense do filme em suas partituras. A edição em CD ainda disponibiliza duas faixas da banda Tomorrow, que não foram usadas no filme.

Faixas:
1. Main Title
2. Verushka Pt.1
3. Verushka Pt.2
4. The Naked Camera
5. Bring Down The Birds 6. Jane's Theme
7. Stroll On (The Yardbirds)
8. The Thief
9. The Kiss
10. Curiosity
11. Thomas Studies Photos
12. The Bed
13. End Title 'Blow Up'
14. Am I Glad To See You?
15. Blow Up
Formação:

Herbie Hancock: piano
Freddie Hubbard: trompete
Joe Newman: trompete
Phil Woods: Sax alto
Joe Henderson: Sax tenor
Jimmy Smith: órgão
possivelmente Paul Griffin: órgão
Jim Hall: guitarra
Ron Carter: baixo
Jack DeJohnette: bateria
The Yardbirds:

Jeff Beck: guitarra
Jimmy Page: guitarra
Keith Relf: gaita, vocais
Jim McCarty: bateria
Chris Dreja: baixo

Blow Up Soundtrack


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Maquinado - Mundialmente Anônimo O Magnético Sangramento da Existência (2010)

Lucio Maia não é apenas o guitarrista da Nação Zumbi, como se isso fosse pouco. Ele é um músico extremamente preocupado com arranjos, produção, incorporação de influências brasileiras e muitas outras coisas que eu nem imagino. Nesse segundo disco de seu projeto, além de estabelecer uma formação padrão para a banda, Lucio e seus bluecaps foram capazes de misturar influências como Jorge Ben, ídolo do guitarrista, com música eletrônica, maracatu e afrobeat.
As músicas que abrem o disco, além de trazerem as homenagens rendidas a Ben, também mostram a bandeira da causa negra no Brasil, servindo como uma voz de protesto de Maia em relação a duas figuras do período de luta contra a escravidão no país, Zumbi e Dandara. Há também espaço para a regravação da espetacular canção "Super Homem Plus", do Mundo Livre S/A, numa versão que, pelo menos pra mim, é melhor que a original. Talvez pelo andamento do ritmo e a percussão mais elaborada. Em "Tropeços Musicais", a voz do guitarrista dá espaço para a única convidada do disco, Lourdes da Luz, do Mamelo Sound System, faixa onde a banda coloca toda sua veia hip-hop à mostra.
O álbum é encerrado com a caótica homenagem à paulicéia desvairada "SP". Com guitarras e percussão misturando-se de forma experimental, Lucio Maia coloca toda sua criatividade a funcionar nesse álbum que torna o Maquinado um projeto com a grandeza proporcional a um dos principais músicos e compositores do país nos dias de hoje. Nas faixas bônus disponíveis no sítio da banda, destaco a espetacular versão para "Are You Experienced?" do Jimi Hendrix Experience.

Faixas:
Zumbi
Dandara
Bem Vinda ao Inferno
Super Homem Plus
Tropeços Tropicais
Pode Dormir
Provando a Sanidade
Recado ao Pio, Extensivo ao Lucas
Girando ao Sol
SP

Download grátis no sítio oficial da banda

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Reginaldo Rossi - Reginaldo Rossi (1971)

Um dos artistas mais estereopotizados do Brasil, Reginaldo Rossi, O Rei, chegou em 1971 a seu quinto álbum, segundo pela CBS. Hoje, com quase cinquenta anos de carreira, Rossi é dono de uma discografia numerosa e de muito sucesso de vendas. É um dos artistas que melhor mostra o nordeste brasileiro em uma de suas muitas facetas.
Até o início do anos 70, Reginaldo Rossi era adepto da Jovem Guarda e já tinha marcado seu nome durante os anos 60 como o expoente nordestino do gênero. Nesse Lp, Reginaldo traz como principal composição a clássica e chacoalhadora 'Tô doidão'. O grande problema de postar um disco desses, ou seja, brasileiro e de pouco é que o texto fatalmente será curto e pobre de detalhes. O disco não tem informações interessantes no encarte, principalmente que toca o órgão nas faixas. O instrumento marca de forma significativa a maioria das melodias e é muito bem executado. Outra faixa de destaque é 'Gênio Cabeludo', referencia a Bethoveen. Reginaldo é muita cultura!

Faixas:
01. Tô Doidão
02. Uma Alegre Canção
03. Ainda Amo Você
04. Um Bem Maior
05. O Gênio Cabeludo
06. O Paquerador
07. Estou Chegando Pra Ficar
08. Aquela Triste Canção
09. Toda A Minha Vida
10. Hoje A Noite Vou Sair
11. É Mentira
12. Ainda Amo Você
Reginaldo Rossi - Reginaldo Rossi

sexta-feira, 16 de julho de 2010

The Black Keys - Brothers (2010)

Depois de mais de um mês de férias do "brog" volto com a carga máxima e a prova disso é o disco escolhido para a reestréia. O sexto disco dupla estadunidense Black Keys é arrebatador, mostra com quantos paus se faz uma canoa no rock/blues do século XXI e coloca o nome de Dan Auerbach entre os melhores letristas e guitarristas de seu tempo.
O álbum é recheado de referências à história do blues, principalmente a Howlin' Wolf, começando pela capa, uma homenagem clara ao disco do Grande Lobo de 1969. A segunda referência (reverência?) a Chester Burnett é a faixa 'Howlin' for you', que traz de volta todo o jeito peculiar do blues de paquerar um mulher e chorar as mágoas dos amores não correspondidos.
A faixa de abertura, 'Everlasting Light', mostra a levada com influências do Soul e do Hip-hop, resultados da experiência do baterista Patrick Carney, em seu projeto BlakRoc, durante o hiato da dupla em 2009. Auerbach também trouxe influências de seu disco solo, Keep It Hid, além de maturar toda a carreira da banda. 'Next Girl' faz o papel de preparar os tímpanos do ouvinte para duas pedradas que são 'Tighten Up', com o assovio marcante do vocalista, e a já citada 'Howlin' for you'.
Eu queria falar sobre cada faixa em separado mas como já está tarde (01:52) e o texto ficaria muito mais chato do que já está, prefiro apontar as faixas que vão ficar ecoando na sua cabeça com apenas uma audição, além das já comentadas. 'Black Mud', instrumental, densa e possivelmente uma referência ao negro Mud do Mississippi, pai do blues de Chicago, que todo mundo conhece. 'Too Afraid To Love You' e 'Ten Cent Pistol' formam outra sequência interessante no álbum, com andamentos lentos, para o padrão da banda, e a temática de medo do amor e pistolas de dez centavos encaixando-se muito bem.
O final do álbum começa a se desenhar com 'Never Gonna Give You Up' que bebe na fonte do R&B dos anos 60 e ajuda a mostrar o leque aberto pela dupla bem de baixo do nariz do feliz ouvinte que comprou o disco. Falando nisso, o meu acetato dessa papita está em algum ponto do planeta a caminho da minha residência, depois tenho que acertar as contas com the mama & the papa.

Formação:
Dan Auerbach - vocalista e guitarrista
Patrick Carney - baterista
Faixas:
01. Everlasting Thing
02. Next Girl
03. Tighten Up
04. Howlin' For You
05. She's Long Gone
06. Black Mud
07. The Only One
08. Too Afraid To Love You
09. Ten Cent Pistol
10. Sinister Kid
11. The Go Better
12. I'm Not The One
13. Unknown Brother
14. Never Gonna Give You Up
15. These Days




quarta-feira, 26 de maio de 2010

Orquestra Contemporânea de Olinda - Orquestra Contemporânea de Olinda (2008)

Não costumo fazer postagens relacionadas em sequência, mas este caso é especial. O disco logo abaixo traz um clássico da música brasileira: "Canto da Sereia". Faixa esta, brilhantemente regravada pela sensacional Orquestra Contemporênea de Olinda (OCO), uma das grandes novidades brasileiras neste fim de década. Oswaldo Nunes deveria estar entre nós para poder colocar toda a potência de sua voz à frente da OCO.
Além da faixa de Oswaldo Nunes, "O Samba É Bom", de Zé Cobrinha; "Não Interessa Não", de Luiz Bittencourt e Zé Menezes, e muito material autoral fazem o repertório do disco de estréia dessa "big band". Formada pelo percussionista Gilú com uma tradicional formação de bandas de rock, baixo-bateria-guitarra-baixo elétrico-percussão, misturando com uma seção de metais, típica das bandas de soul, seção essa, formada por alunos do Grêmio Musical Henrique Dias, uma escola profissionalizante para música em Olinda. O som desse verdadeiro coletivo é uma sensacional mistura de ritmos afrobeat, ritmos pernambucanos e samba.
O álbum foi lançado numa das festas roNca-roNca de 2008, não me lembro exatamente da data, só que estava chovendo muito e foi uma loucura. O sucesso da banda foi tamanho, que conseguiram viajar o Brasil inteiro levando o disco na bagagem, tacando em grandes casas de espetáculos das grandes cidades e nos principais festivais do circuito brasileiro. Além do sucesso em âmbito nacional, o grupo acaba de voltar de uma turnê de sete apresentações pelos EUA, tocando em cidades como Nova Iorque, Washington e Nova Orleans.
Assim, a expectativa é grande para o próximo lançamento da banda, que, até onde consegui apurar, não tem data de lançamento. A orquestra é uma das grandes aparições neste fim de década na música brasileira.

Faixas:
Tá Falado
Canto da Sereia
Ladeira
Joga Do Peito
Brigitti
Balcão da Venda
Durante o Carnaval
Não Interessa Não
Vinheta
Saúde
Saúde II
Formação:
Gilú
Tiné
Maciel Salú
Juliano Holanda
Hugo Gila
Raphael Beltrão
Maestro Ivan Do Espírito Santo
+ rapaziada do Grêmio Henrique Dias

Orquestra Contemporânea de Olinda - Orquestra Contemporânea de Olinda


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Oswaldo Nunes & The Pop's - Tá Tudo Aí (1969)

Homossexual, negro, sambista, malandro da Lapa e uma das figuras marcantes do lendário bloco de carnaval Bafo da Onça. Oswaldo Nunes é uma das figuras mais marcantes que já passaram pelo boêmio e, à sua época, perigoso bairro carioca. Morador do bairro, enquanto passava de emprengo a emprego, conheceu figuras como Madame Satã e vários sambistas que o levavam aos barracões das escolas de samba, onde Oswaldo começou a enveredar sua vida para o gênero musical.
Nesse LP, primeiro de sua carreira, Oswaldo traz toda sua influência do samba e junto com o The Pop's entra na alçada do rock. Vindos do bairro do Jacaré, Zona Norte do Rio de Janeiro, e hoje em dia um dos lugares mais perigosos da cidade, esse grupo instrumental acompanhou várias estrelas da Jovem-Guarda, como Erasmo Carlos e Wanderléia em apresentações ao vivo. Porém, é com Oswaldo Nunes que o grupo atinge o máximo da experimentação em sua carreira, e também, é o único artista que eles acompanharam em estúdio.
Já com dois membros originais fora da banda; J. Cesar, guitarrista, e Parada, baterista, sairam da banda em 67 e 68, respectivamente. O The Pop's gravou um disco revolucionário para o samba. Antes de Jorge Ben chegar com seu aclamadíssimo África Brasil (1976), Oswaldo Nunes colocou o samba de pernas pro ar.
Entre a imitação do som de um berimbau pelo guitarrista da banda, não sei exatamente a formação utilizada pelo The Pop's nas gravações, que abre o disco em "Tá tudo aí!" até a clássica "Canto da Sereia", o disco é recheado de ritmos como forró, baião, samba e rock'n'roll.
Mesmo na contra-capa do LP não existem informações precisas das gravações ou da formação do The Pop's. Para minha sorte, consegui garantir minha cópia desse disco revolucionário da música brasileira.

Faixas:
Lado A
01 - Tá Tudo Aí (Oswaldo Nunes)
02 - Cateretê (Arnoldo Silva / Odair José de Araújo)
03 - Outro Amor de Carnaval (Raul Borges / Oswaldo Nunes / Humberto de Carvalho)
04 - Você Deixa (Oswaldo Nunes)
05 - Guerra Santa (Ciro de Souza / Mário Rossi)
06 - Tamanqueiro (Oswaldo Nunes)
Lado B
07 - Dendeca (Oswaldo Nunes)
08 - Doce Canção (Oswaldo Nunes)
09 - Cascata (Oswaldo Nunes / A. Marcilac)
10 - Mulher de Malandro (Celso Castro / Oswaldo Nunes)
11 - Chorei Chorei (Oswaldo Nunes)
12 - Canto da Sereia (Oswaldo Nunes)
Oswaldo Nunes & The Pop's - Tá Tudo Aí