quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

The White Stripes - White Blood Cells (2001)

Hoje, 17 de dezembro, este blog orgulhosamente completa um ano de vida. Segundo a Uncut, o melhor disco da década. Então, sem mais enrolação White Blood Cells!

Faixas:

"Dead Leaves and the Dirty Ground" – 3:04
"Hotel Yorba" – 2:10
"I'm Finding It Harder to Be a Gentleman" – 2:54
"Fell in Love with a Girl" – 1:50
"Expecting" – 2:03
"Little Room" – 0:50
"The Union Forever" – 3:26
"The Same Boy You've Always Known" – 3:09
"We're Going to Be Friends" – 2:22
"Offend in Every Way" – 3:06
"I Think I Smell a Rat" – 2:04
"Aluminum" – 2:19
"I Can't Wait" – 3:38
"Now Mary" – 1:47
"I Can Learn" – 3:31
"This Protector" – 2:12
Banda:
Jack White
Meg White
The White Stripes - White Blood Cells

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

The Dead Weather - Horehound (2009)

As expectativas para um supergrupo formado por membros dos White Stripes, Raconteurs, Queens of the Stone Age e The Kills era as melhores possíveis, e a mais nova banda captaniada por Jack White não fez feio, muito pelo contrário. Alheio à todas essas expectativas, a banda apresenta um Jack White de volta às baquetas, e cantando de um jeito diferente, principalmente em "I Cut Like A Buffalo". O som da banda não é tão pesado quanto a capa ou as roupas dos integrantes ou então, o clipe de "Treat Me Like Your Mother" presupõem, o uso exaustivo de sintetizadores dão um tom eletrônico ao disco. Assim o baixo de Jack Lawrence fica um pouco em segundo plano.
Em "Hang You from the Heavens" e "Treat Me Like Your Mother" traz um tema recorrente no White Stripes e no The Kills, a rivalidade sexual, em vários aspectos. Apesar das qualidades musicais dos quatro membros, a voz de Alisson Mosshart é o destaque individual do disco, com o carisma que lea traz do Kills mais um certo groove que ela ainda não tinha apresentado na sua banda. A faixa "So Far from Your Weapon", escrita por ela, é a que melhor mostra os nuances de sua bela voz. Além da voz de Mosshart no máximo, a bateria, as guitarras, o baixo e os sintetizadores estão sempre no volume máximo sem deixar nenhum espaço vazio fazendo o rock'n'roll de primeira linha.
Uma das faixas mais surpreendentes é "New Pony" de Bob Dylan, gravado com um arranjo bastante diferente do original traz um riff de guitarra marcante e as vozes de fundo bem altas durante a música inteira. Depois da tempestade da qual o ouvinte é submetido, "Will there be enough water?" é um final bastate adequado, um blues com apenas White e seu violão e a bateria bem mais calma que durante o disco todo.
Considerando que a banda reuniu-se e gravaram em questão de semanas todas as faixas do disco, além das faixas que ficaram para lado B dos compactos, o disco mostra a capacidade de cada um apresentar o inesperado e inovador, mesmo sem fugir muito do contexto do rock'n'roll moderno.

Formação:
Allison Mosshart
Jack White
Dean Fertitta
Jack Lawrence
Faixas:
1. "60 Feet Tall"
2. "Hang You from the Heavens"
3. "I Cut Like A Buffalo"
4. "So Far from Your Weapon"
5. "Treat Me Like Your Mother"
6. "Rocking Horse"
7. "New Pony"
8. "Bone House"
9. "3 Birds"
10. "No Hassle Night"
11. "Will There Be Enough Water?"

The Dead Weather - Horehound



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

The Who - Quadrophenia Soundtrack (1979)

A adaptação da lendária ópera-rock e maior disco do quarteto inglês à telona também virou disco. Quadrophenia é o auge do intelecto de Pete Townshend, já deve ter escrito a seguinte frase algumas três vezes pelo blog, mas nunca é ruim repetir: Pete Townshend é um gênio!
O disco original é de 1973, baseado no movimento Mod de 1964, o filme é de 1979, mas Quadrophenia eterno. Até hoje, é cultuado na Inglaterra pelas novas gerações, adaptações para o teatro acontecem rotineiramente desde que o filme foi lançado. O lançamento do filme alavancou ainda uma nova onda do movimento Mod, sem tanta força mas características parecidas e à reboque estouraram bandas como The Jam, Police, Secret Scene entre outras.
O filme é retrata a Londres de 1964 do ponto de vista do jovem Mod Jimmy Cooper, vivendo toda a intensidade da que a juventude da época dispunha. O grande mérito do filme é fazer a ficção parecer uma espécie de documentário, contando a vida do garoto da classe trabalhadora através de sua relação com as amigos, com o chefe, com a música, com os pais e com todo o ambiente que o cerca. Cenas como a batalha dos Mods contra os Rockers na cidade de Brighton reforçam essa sensação de documentário.
Porém, a essência do filme não é nossa preocupação aqui, e sim a trilha sonora. As músicas do álbum original que também aparecem na trilha sonora foram regravadas com Kenny Jones na bateria, substituindo o insubstituível Keith Moon. O interessante é reparar nas mudanças, as novas linhas de baixo e os metais, compostos e arranjados por John Entwhistle. Além das músicas do Who, a banda ainda traz 3 faixas que ficaram de fora da versão final do álbum original: "Joker James", "Get Out Stay Out" e "Four Faces".
A parte mais interessante do disco começa quando começam a aparecer as músicas que marcaram o movimento Mod. Vindo do soul e R&B estadunidenses, com James Brown, Booker T. And The MG's e The Crystals, até os representantes ingleses desses ritmos e também do rock como The High Numbers e Cross Section. O disco também traz e conta um pouco do espírito e do movimento Mod em sua essência mais profundo, a música.

Faixas:
Lado 1
"I Am the Sea" – 2:03
"The Real Me" – 3:28
"I'm One" – 2:40
"5:15" – 4:50
"Love Reign O'er Me" – 5:11
Lado 2
"Bell Boy" – 4:55
"I've Had Enough" – 6:11
"Helpless Dancer" – 0:22
"Doctor Jimmy" – 7:31
Lado 3
"Zoot Suit" (The High Numbers) – 2:00
"Hi-Heel Sneakers" (Cross Section) – 2:46
"Get Out and Stay Out" – 2:26
"Four Faces" – 3:20
"Joker James" – 3:13
"The Punk and the Godfather" – 5:21
Lado 4
The Who - Quadrophenia Soundtrack



Volta Sêca - As Cantigas de Lampeão (1957)

"Pouca gente no Brasil, conhecerá um sertanejo baixinho, simpático e de cara fechada chamado Antonio dos Santos. Mas todos já ouviram falar, com certeza, no famoso Volta Sêca, o mais jovem dos cangaceiros do bando de Lampeão." É assim que Paulo Roberto, então locutor da Rádio Nacional, faz a introdução ao 10 polegadas originalmente lançado em 1957 pela Todamérica. Cada faixa é prefaciada por um texto curto (meio romanceado, como convinha na época), lido pelo locutor. Em seguida, Volta Sêca entoa as melodias quase à capela e a orquestração irrompe geralmente no compasso do baião, com acordeom e zabumba.
Os épicos da saga de Lampeão, Mulher Rendeira (com os versos originais, utilizados no ataque do bando à cidade de Mossoró), Acorda Maria Bonita (a cantiga de despertar do grupo) e mais a lírica Se Eu Soubesse ("que chorando/ empatava sua viagem/ meus olhos eram dois rios/ que não te davam passagem") entram no precioso registro, onde todas as composições são atribuídas exclusivamente a Volta Sêca. Não falta o desafio Sabino e Lampeão , no qual o bando, que chegou a somar 240 integrantes, cutuca o chefe com vara curta, e lamentos quase parnasianos como Escuta Donzela (encordoado por um violão na linha de Dorival Caymmi). Cangaceiro a partir dos 11 anos, prisioneiro da polícia por outros 20, Volta Sêca mostra seu talento de voz trêmula nas queixas de Eu Não Pensei Tão Criança ("na flor da infância/ padecesse assim"). O baião Ia Pra Missa decifra o código dos embarcados para a guerra contra os "macacos" da força repressora. E A Laranjeira transborda de requinte poético, ao comparar o amor não correspondido ao bacutinho, a flor que fenece e morre sem dar frutos.Uma pequena jóia histórica de curta duração. Além disso, recomendo, para quem quer saber um pouco mais, o texto do jornalista Gilfransico, do Jornal da Cidade, clicando aqui.



Faixas:


Volta Sêca - As Cantigas de Lampeão