segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Lula Côrtes & Zé Ramalho - Paêbirú (1975)

No dia 18 de setembro de 1970 morria James Marshall Hendrix. Trinta e nove anos depois, ou seja, na última sexta, eu estava, alheio ao significado da data, percorrendo a cidade de norte a sul pelas lojas de disco, quando numa delas me deparo com esse disco. Vinil duplo em 180 gramas, prensado recentemente na Inglaterra. Comentei com o vendedor que nunca ouvi o disco, então ele, gentilmente, colocou o lado 1 na vitrola para eu ouvir. Eu mal podia acreditar no que ouvia, um rock psicodélico do jeito que eu jamais havia ouvido antes. Guitarras, vocais, letras totalmente influenciadas pelo ácido lisérgico. Parecia que o ácido de Hendrix tinha virado bala juquinha.
Até então, eu só conhecia o disco por sua raridade. Estava sendo prensado numa fábrica em Recife, quando uma grande enchente atingiu a cidade e danificou todas as cópias, prensas e levou a fita-mestre, impossibilitando assim outras prensagens com a tecnologia da época. Sobraram as cópias que a esposa de Lula havia levado para casa. Essas cópias, se estiverem em bom estado, são avaliadas em até 4 mil reais, tornando-o assim o disco mais caro da música brasileira.
Paêbirú, em tupi-guarani, significa "Caminho do Sol" e envolve um lenda indígena bastante misteriosa, da qual vou poupá-los aqui. O disco narra todo o mistério e mitologia, graças a atuação sensacional de Lula Côrtes e Zé Ramalho, além de todos os outros músicos que participaram das gravações. Dividido em 4 partes (água, terra, fogo e ar), Paêbirú é carregado de climas nordestinos (evidenciados pelo uso de instrumentos típicos), sons da natureza e rock psicodélico.
Gravado nos estúdios da Rozemblit, o disco foi um projeto independente tocado por Lula e sua então esposa e lançado por conta própria no selo Solar. O encarte original conta com oito páginas ricamente ilustrado, mas se você não tem 4 mil pratas para gastar assim, basta procurar pelo selo que reeditou o disco em CD e vinil. Esse tem que ter em casa.

Faixas:
Lado Um
1 - "Trilhas de Sumé" – 13:05
"Cultivo à Terra"
"Bailado das muscarias"
Lado Dois
2 - "Harpa dos Ares" (Geraldo Azevedo/Côrtes/Ramalho) – 3:56
3 -"Não Existe Molhado Igual ao Pranto" – 7:23
4 - "Omm" – 5:55
Lado Três
5 - "Raga dos Raios" – 2:25
6 - "Nas Paredes da Pedra Encantada, Os Segredos Talhados Por Sumé" (Marcelo/Côrtes/Ramalho) – 7:25
7 - "Maracas de Fogo" – 2:26
Lado Quatro
8 - "Louvação à Iemanjá" – 5:11
"Regato da montanha"
9 - "Beira mar" – 1:34
10 - "Pedra Tempo Animal" – 4:09
11 - "Sumé" – 2:01
Músicos:
Ivson Wanderley
Zé da Flauta
Paulo Rafael
Lailson
Israel Semente
Dikê
Agrício Nóia
Don Tronxo
Jarbas Mariz
Babi
Hugo Leão

Lula Côrtes & Zé Ramalho - Paêbirú

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