sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sergio Sampaio - Eu quero é botar meu bloco na rua (1973)

Lançado pela Philips, esse é o segundo disco na carreira de Sergio e primeiro solo. Notável compositor, não foi problema encarar o desafio de compor para um disco solo. O sucesso com a música que leva o mesmo no do disco, um ano antes, no festival da canção, deu à Sergio a possibilidade de gravar seu primeiro LP solo.
Apesar do sucesso da faixa-título, o disco não vendeu bem, o que prejudicou o resto de sua carreira na gravadora. Para gravar e produzir o disco, Sergio contou com Raul Seixas, então companheiro da Sociedade Grã-Kavernista, na produção, Renato Piau na guitarra, Wilson das Neves na bateria em algumas faixas, Ivan Conti como baterista titular, Alexandr Malheiros no baixo, José Roberto Bertrami nos teclados e Sergio no violão e voz, além de partcipações da banda "Cream Crackers".
Disco fundamental na música brasileira e bastantes desconhecido do grande público, praticamente não tocou em rádios, o que deixou Sergio cada vez mais longe dos olofotes. Acabou morrendo em 94 com a estigma de "maldito" mas é um dos mais injustiçados músicos no Brasil.

Faixas
Viajei de Trem
Filme de Terror
Cala a Boca, Zebedeu (Raul Sampaio)
Pobre Meu Pai
Labirintos Negros
Eu Sou Aquele que Disse
Leros e Leros e Boleros
Não Tenha Medo, não
Dona Maria de Lourdes
Odete
Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua
Raulzito Seixas

Sergio Sampaio - Eu quero é botar meu bloco na rua

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Lula Côrtes & Zé Ramalho - Paêbirú (1975)

No dia 18 de setembro de 1970 morria James Marshall Hendrix. Trinta e nove anos depois, ou seja, na última sexta, eu estava, alheio ao significado da data, percorrendo a cidade de norte a sul pelas lojas de disco, quando numa delas me deparo com esse disco. Vinil duplo em 180 gramas, prensado recentemente na Inglaterra. Comentei com o vendedor que nunca ouvi o disco, então ele, gentilmente, colocou o lado 1 na vitrola para eu ouvir. Eu mal podia acreditar no que ouvia, um rock psicodélico do jeito que eu jamais havia ouvido antes. Guitarras, vocais, letras totalmente influenciadas pelo ácido lisérgico. Parecia que o ácido de Hendrix tinha virado bala juquinha.
Até então, eu só conhecia o disco por sua raridade. Estava sendo prensado numa fábrica em Recife, quando uma grande enchente atingiu a cidade e danificou todas as cópias, prensas e levou a fita-mestre, impossibilitando assim outras prensagens com a tecnologia da época. Sobraram as cópias que a esposa de Lula havia levado para casa. Essas cópias, se estiverem em bom estado, são avaliadas em até 4 mil reais, tornando-o assim o disco mais caro da música brasileira.
Paêbirú, em tupi-guarani, significa "Caminho do Sol" e envolve um lenda indígena bastante misteriosa, da qual vou poupá-los aqui. O disco narra todo o mistério e mitologia, graças a atuação sensacional de Lula Côrtes e Zé Ramalho, além de todos os outros músicos que participaram das gravações. Dividido em 4 partes (água, terra, fogo e ar), Paêbirú é carregado de climas nordestinos (evidenciados pelo uso de instrumentos típicos), sons da natureza e rock psicodélico.
Gravado nos estúdios da Rozemblit, o disco foi um projeto independente tocado por Lula e sua então esposa e lançado por conta própria no selo Solar. O encarte original conta com oito páginas ricamente ilustrado, mas se você não tem 4 mil pratas para gastar assim, basta procurar pelo selo que reeditou o disco em CD e vinil. Esse tem que ter em casa.

Faixas:
Lado Um
1 - "Trilhas de Sumé" – 13:05
"Cultivo à Terra"
"Bailado das muscarias"
Lado Dois
2 - "Harpa dos Ares" (Geraldo Azevedo/Côrtes/Ramalho) – 3:56
3 -"Não Existe Molhado Igual ao Pranto" – 7:23
4 - "Omm" – 5:55
Lado Três
5 - "Raga dos Raios" – 2:25
6 - "Nas Paredes da Pedra Encantada, Os Segredos Talhados Por Sumé" (Marcelo/Côrtes/Ramalho) – 7:25
7 - "Maracas de Fogo" – 2:26
Lado Quatro
8 - "Louvação à Iemanjá" – 5:11
"Regato da montanha"
9 - "Beira mar" – 1:34
10 - "Pedra Tempo Animal" – 4:09
11 - "Sumé" – 2:01
Músicos:
Ivson Wanderley
Zé da Flauta
Paulo Rafael
Lailson
Israel Semente
Dikê
Agrício Nóia
Don Tronxo
Jarbas Mariz
Babi
Hugo Leão

Lula Côrtes & Zé Ramalho - Paêbirú

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Arctic Monkeys - Crying Lightning Single (2009)

Primeiro "single" lançado pelos macacos do ártico para promover o seu terceiro disco, "Humbug". Lançado em vinil 7 polegadas com as músicas "Crying Lightning" e "Red Right Hand", uma versão de Nick Cave and the Bad Seeds, que foi bem recebida pelo público. Também foi lançado em CD e Mp3 com uma música a mais que a versão em vinil: "I Haven't Got My Strange".
Num disco de onde não sairão muitos singles, como nos outros dois álbuns anteriores da banda, reflete a mudança de sonoridade da banda para "Humbug".

Faixas:
Crying Lightning
I Haven't Got My Strange
Red Right Hand



Arctic Monkeys - Crying Lightning Single

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Captain Beefheart And His Magic Band - Safe As Milk (1967)

O ano de 1967 não seria o ano da psicodelia sem Safe As Milk. O disco é a estréia da banda, tranzendo a influência do tradicional blues americano e viajando na psicodelia que é a marca registrada da banda e, em especial, do vocalista, Don Van Vliet, o Captain Beefheart. Na época, o próprio definia seu estilo de cantar como se Howlin' Wolf tivesse tomado ácido. Ry Cooder, então com 20 anos, toca,como convidado, guitarra em todas as faixas, esmirilhando o instrumento e já deixando o cartão de visitas.
Antes de lançar Safe As Milk, a banda já havia lançado vários singles pela A&M Records, que achou o som do grupo muito inconvencional para investir num LP. Então, foram levados por Bob Krashnow para a Kama Sutra Records e gravaram esse disco pelo selo da gravadora chamado Buddah. Após algumas mudanças na banda que gravou os singles para a gravadora anterior, o Capitão resolveu fechar com: Handley no baixo, St. Clair na guitarra, e John French na bateria, com Cooder providenciando a primeira guitarra. Cooder assina dois arranjos, em "Sure 'Nuff 'n Yes I Do" baseada na clássica "Rollin' And Tumblin' " famosa na voz de Muddy Waters e em "Grown So Ugly" composição de Robert Pete Williams.
Apesar do momento ser propício para a música com essas características, a recepção do público ao disco não teve sucesso nas vendas nem nos EUA nem na Inglaterra. Apesar disso, ele tem nota máxima no conceito do sítio Allmusic e, hoje em dia, é considerado um dos melhores lançados em sua época, apesar de ainda ser pouco conhecido. Se você quiser conhecer melhor o Capitão, clica aqui e leia uma entrevista dele, nos anos 80 para a revista WET. A entrevista foi traduzida pelo Rogério Skylab, diretamente da versão original.

Faixas:
Lado Um
"Sure 'Nuff 'n Yes I Do" (Don Van Vliet, Herb Bermann)
"Zig Zag Wanderer" (Van Vliet, Bermann)
"Call On Me" (Van Vliet)
"Dropout Boogie" (Van Vliet, Bermann)
"I'm Glad" (Van Vliet)
"Electricity" (Van Vliet, Bermann)
Lado Dois
"Yellow Brick Road" (Van Vliet, Bermann)
"Abba Zaba" (Van Vliet)
"Plastic Factory" (Van Vliet, Bermann, Jerry Handley)
"Where There's Woman" (Van Vliet, Bermann)
"Grown So Ugly" (Robert Pete Williams)
"Autumn's Child" (Van Vliet, Bermann)
Formação:
Don Van Vliet
Jerry Handley
Participações de:

terça-feira, 1 de setembro de 2009

The Band - Music From Big Pink (1968)

Em 66, The Hawks foi convidado por Bob Dylan para gravar um disco experimentando o Folk e o Rock'N'Roll juntos. A banda agradou tanto que Dylan a levou em sua a turnê pelos EUA e Europa, criando o famoso set-elétrico da turnê mundial de 66. Durante essa turnê, Dylan e sua trupe encararam a raiva dos fãs mais caxias e conservadores, que não entenderam a mudança de sonoridade do rapaz. Desde então, The Hawks ou a banda de apoio do Dylan virou A Banda e quando chegou em 1968 tinham experiência sobrando para gravar um álbum próprio.
Assim surgiu Music From Big Pink, um dos clássicos de 1968, que obviamente levaram The Band a um patamar acima como artistas e músicos. Misturando country, rock, folk e R&B, esse é o primeiro disco de uma banda já madura, que tem a confiança necessária para buscar a sonoridade que almeja e o introsamento perfeito, fazendo com que todos os instrumentos soem muito bem, sem ninguém ofuscar ninguém. Prova disso é a música "The Weight", sucesso absoluto da banda, composta por Robbie Robertson, é o cartão de visitas do disco que ainda conta com 3 canções compostas por Dylan.
A participação Dele se faz presente graças à "I Shall Be Released" e "Tears of Rage", "This Wheel's on Fire", a segunda composta com Richard Manuel e a terceira com Rick Danko. Além disso, Dylan é o autor da capa do disco, que simboliza A Banda tocando.

Faixas:
Lado 1

"Tears of Rage" (Bob Dylan, Richard Manuel) – 5:23
"To Kingdom Come" (Robbie Robertson) – 3:22
"In a Station" (Manuel) – 3:34
"Caledonia Mission" (Robertson) – 2:59
"The Weight" (Robertson) – 4:38
Lado 2

"We Can Talk" (Manuel) – 3:06
"Long Black Veil" (Marijohn Wilkin, Danny Dill) – 3:06
"Chest Fever" (Robertson) – 5:18
"Lonesome Suzie" (Manuel) – 4:04
"This Wheel's on Fire" (Dylan, Rick Danko) – 3:14
"I Shall Be Released" (Dylan) – 3:19
Formação:


The Band - Music From Big Pink