sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Howlin' Wolf - The London Howlin' Wolf Sessions (1971)

Gravado entre 2 e 7 de maio de 1970, esse disco faz parte de uma série chamada "The London Sessions" que tinha como principal objetivo juntar lendas do blues estadunidense com seus "alunos" britânicos, que cresceram ouvindo suas músicas. Levando, então, o blues e o rock'n'roll a um patamar totalmente diferente nos anos 60.
Para as sessões, que aconteceram no Olympia Studios, foram recrutados Eric Clapton, talvez o músico que melhor representa o blues britânico, Hubert Sumlin, guitarrista que acompanhava Wolf desde 1955, sem ele não haveriam as sessões. Além deles, também compareceram a cozinha dos Rolling Stones, Ian Stewart, piano, Bill Wymann, baixo, e Charlie Watts na bateria. Os dois últomos não apenas não participaram do primeiro dia de gravações, e foram substituídos por Ringo Starr e Klauss Voormann, baixista do Manfred Mann.
Com o time completo, as sessões descorreram no mais alto padrão do blues à época. O Lobo, ainda em grande forma, solta o vozeirão em grandes músicas de sua carreira numa levada tipicamente inglesa, claro, que deu um novo formato ao blues tradicional do Mississipi. Vale também registrar a participação do gaitista Jeffrey Carps, então com 19 anos e já considerado um prodígio no seu instrumento, infelizmente morreu poucos meses depois das sessões.
A voz rouca de Wolf entrega interpretações únicas e quase surreais de clássicos do porte de “I Ain´t Superticious”, “Sittin´ On Top of the World”, “Worried About My Baby”, “Poor Boy”, “The Red Rooster”, “Wang Dang Doodle”, “Goin´ Down Slow” e “Killing Floor”.
Ouvir o disco é como presenciar uma lição atrás da outra, executada por um mestre do assunto acompanhado por alguns de seus melhores alunos. Os momentos arrepiantes são muitos, mas talvez o mais emocionante seja a inclusão da versão de “The Red Rooster” interrompida pelo diálogo de Howlin´ Wolf com os músicos, que após a conversa reiniciam a faixa com a devida orientação de seu professor.
Em 2003, chegou ao mercado a versão deluxe do álbum, com um segundo disco repleto de outtakes e versões alternativas. Essa é a versão definitiva do trabalho, preservando para sempre esse momento histórico.
Faixas:
A1. Rockin' Daddy - 3:42
A2. I Ain't Superstitious - 3:29
A3. Sittin' on Top of the World - 3:50
A4. Worried About My Baby - 2:54
A5. What a Woman! - 3:00
A6. Poor Boy - 3:04
B1. Built for Comfort - 2:08
B2. Who's Been Talking? - 3:02
B3. The Red Rooster [Rehearsal] - 1:01
B4. The Red Rooster - 4:45
B5. Do the Do - 2:18
B6. Highway 49 - 2:46
B7. Wang-Dang-Doodle - 4:28

(Lançamento original)
Disco 1:
01 - Rockin' Daddy
02 - I Ain't Superstitious
03 - Sitting on Top of the World
04 - Worried About My Baby
05 - What a Woman!
06 - Poor Boy
07 - Built for Comfort
08 - Who's Been Talking?
09 - Red Rooster
10 - Do the Do
11 - Highway 49
12 - Wang Dang Doodle
13 - Goin' Down Slow (Bonus Track)
14 - Killing Floor (Bonus Track)
15 - I Want To Have A Word With You (Bonus Track)
Disco 2:
01 - Worried About My Baby (Rehearsal Take)
02 - The Red Rooster (Alternate Mix)
03 - What A Woman (Alternate Take)
04 - Who's Been Talking (Alternate Take)
05 - Worried About My baby (Alternate Take)
06 - I Ain't Superstitious (Alternate Take)
07 - Highway 49 (Alternate Take)
08 - Do The Do (Alternate Take)
09 - Poor Boy (Alternate Take)
10 - I Ain't Superstitious (Alternate Take)
11 - What A Woman (Alternate Mix)
12 - Rockin' Daddy (Alternate Mix)
Os endereços abaixo levam você para fazer o download da edição de luxo, lançada em 2003 e que tem as músicas listadas acima.

sábado, 22 de agosto de 2009

Elza Soares - Baterista: Wilson das Neves (1968)

Um disco curtíssimo, com apenas 26 minutos, recheado de clássicos da música brasileira em releituras extraordinárias. Realmente 1968 foi um ano sem precedentes na história da música popular mundial, grandes discos sendo idealizados, gravados e lançados por artistas de várias partes do mundo e em vários estilos musicais diferentes.
Elza, brilhante cantora de samba, leva Wilson, fantástico baterista de bossa-nova, à caminhos diferentes no samba e vice-versa.O álbum "Baterista: Wilson das Neves" foi gravado sob a regência dos maestros Nelsinho e Lyrio Panicalli em apenas quatro dias entre os meses de setembro e outubro de 1967. Para o repertório, Elza Soares e Wilson das Neves optaram por um repertório mais heterogêneo do que os álbuns anteriores da cantora, compostos essencialmente por sambas. Em "Baterista: Wilson das Neves", apesar de várias canções atirarem para outros lados, como as bossas "Samba de Verão" (Marcos Valle), "Garota de Ipanema" (Tom Jobim / Vinicius de Moraes) e "O Pato"(Neusa Teixeira / Jayme Silva), o samba-canção "Copacabana" (João de Barro / Alberto Ribeiro) e o rap "Deixa Isso Pra Lá" (Edosn Menezes / Alberto Paz), o resultado final apresentava um samba coeso e da melhor qualidade. E a maior prova disso é a irresistível gravação de "Deixa Isso Pra Lá". Nela, Wilson das Neves mostra bem o seu poder de fogo, mais parecendo que tem 50 pratos a sua disposição. Obviamente, Elza Soares não deixou de gravar sambistas que sempre estavam presentes em seus álbuns, como Haroldo Barbosa ("Palhaçada") e Dorival Caymmi ("Saudade da Bahia"). No álbum, Elza ainda aproveitou para regravar e dar nova roupagem a três sucessos de seu primeiro álbum ("Se Acaso Você Chegasse", de 1960): "Mulata Assanhada" (de Ataulfo Alves), "Teleco-Teco nº 2" (de Oldemar Magalhães e Nelsinho) e "Se Acaso Você Chegasse", de autoria de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins.
Disco totalmente necessário para quem gosta de música!!

Faixas:
1 Balanço Zona Sul – Elza Soares – (Tito Madi) (2:14)
2 Deixa Isso Para lá – Elza Soares – (Alberto Paz & Edson Menezes) (2:27)
3 Garota de Ipanema – Elza Soares – (Antonio Calros Jobim & Vinicius de Moraes) (2:23)
4 Edmundo(In The Mood) – Elza Soares – (Andy Razaf – vers. : Aloysio de Oliveira & Joe Garland) (1:54)
5 O Pato – Elza Soares – (Jayme Silva & Neusa Teixeira) (1:42)
6 Copacabana – Elza Soares – (Alberto Ribeiro & João De Barro) (2:27)
7 Teleco Teco Nº 2 – Elza Soares – (Nelsinho & Oldemar Magalhães) (2:27)
8 Saudade da Bahia – Elza Soares – (Dorival Caymmi) (2:14)
9 Samba de Verão – Elza Soares – (Marcos Valle & Paulo Sérgio Valle) (1:55)
10 Se Acaso Você Chegasse – Elza Soares – (Felisberto Martins & Lupicínio Rodrigues) (1:47)
11 Mulata assanhada – Elza Soares – (Ataulfo Alves) (1:58)
12 Palhaçada – Elza Soares – (Haroldo Barbosa & Luiz Reis) (2:33)

Elza Soares - Baterista: Wilson das Neves

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

João Gilberto - Chega de Saudade (1959)

Esse é um daqueles discos que desde criancinha já ouvimos que é muito bom, necessário na estante de qualquer um e pra dizer que sabe tocar violão tem que saber tocar 'Chega de Saudade' inteira. Brincadeiras à parte, o baiano João Gilberto gravou o disco que é considerado o marco inicial da bossa nova, estilo que já tomava forma nas canções de Johnny Alf. Esse disco influênciou uma série de músicos da mesma geração de Gilberto, como Nara Leão, Baden Powell, Dorival Caymmi, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Stan Getz e uma série de outros que estavam ou não, ligados à cultura da zona sul carioca do final dos anos 50 e início dos anos 60. Nas gerações posteriores, desde a jovem guarda até o rock dos anos 80, as influências desse estilo e desse disco são percebidas.
Quem assina o texto na contra-capa do álbum é Tom Jobim, que também toca piano em todas as faixas. Segue o texto.
"João Gilberto é um baiano, "bossa-nova" de vinte e sete anos. Em pouquíssimo tempo influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores. Nossa maior preocupação, neste LP foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade. Nos arranjos contidos neste LP Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele. João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo. Ele acredita sempre que há lugar para uma coisa nova, diferente e pura - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar como dizem na linguagem especializada: altamente comercial. Porque o povo compreende o amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade. Eu acredito em João Gilberto porque ele é simples, sincero e extraordinariamente musical.
P.S. - Caymmi também acha.
ANTONIO CARLOS JOBIM
FAIXAS:
"Chega de Saudade" (Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes) — 2:01
"Lobo Bobo" (Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli) — 1:20
"Brigas, Nunca Mais" (Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes) — 2:05
"Hô-bá-lá-lá" (João Gilberto) — 2:15
"Saudade Fez Um Samba" (Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli) — 2:01
"Maria Ninguém" (Carlos Lyra) — 2:21
"Desafinado" (Newton Mendonça, Antonio Carlos Jobim) — 1:58
"Rosa Morena" (Dorival Caymmi) — 2:04
"Morena Boca de Ouro" (Ary Barroso) — 1:58
"Bim Bom" (João Gilberto) — 1:16
"Aos Pés da Cruz" (Marino Pinto, Zé da Zilda) — 1:34
"É luxo só" (Ary Barroso, Luiz Peixoto) — 1:56




João Gilberto - Chega de Saudade

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Gal Costa - Gal (1969)

Claro que não devemos julgar o livro pela capa e muito menos um disco, mas quem está esperto já consegue perceber pela arte da capa que trata-se de um disco extremamente influenciado pela psicodelia do rock nos anos 60.
No ano de 1969, Gal Costa lançou 2 discos, e este, é o segundo deles, e terceiro na carreira da cantora. Recheado de grandes compositores como a dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Jorge Ben, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jards Macalé, o disco traz, além disso, arranjos assinados por Rogério Duprat e produzido pelo próprio Macalé. Com todas essas características o disco tornou-se o mais agressivo e ousado da carreira da cantora.
"O álbum abre com a emblemática "Cinema Olympia", que tinha sido registrada por Caetano no lendário show, que depois virou disco, "Barra69" e, numa versão que serviu de guia pra gravação de Gal, em seguida temos uma composição de Jorge Ben chamada "Tuareg", essa faixa fez parte da trilha sonora do filme "Roberto Carlos e o Diamante Cor-De-Rosa", segundo longa do Rei lançado no ano seguinte (1970). A terceira faixa inicia com um solo de Lany Gordin, um show a parte no disco, tocando guitarra e baixo, que vem esmirilhando tudo, a composição é de Gilberto Gil e se chama "Cultura e Civilização", letra e música espetaculares. Quem aparece novamente é Jorge Ben. Gal canta acompanhada por Gil e Caetano a excelente "País Tropical", hit absoluto de 1969 numa roupagem pra lá de alto-astral, quem ouve não faz idéa do clima tenso pré-exilio que pairava no ar, Gil rouba a cena e dá um show nos improvisos vocais. A canção seguinte foi composta por Roberto e Erasmo Carlos e feita sob medida para a musa da tropicália, o nome não poderia ser outro: "Meu Nome é Gal". "
O resto você confere ouvindo o disco, essa pérola cheio de cabeças gêniais da música brasileira.

Músicos Participantes:
Baixo, guitarra solo e guitarra base: Lanny Gordin
Bateria: Eduardo Portes de Souza e Diógenes Burani Filho
Violão: Jards Macalé
Baixo: Rodolpho Grani Júnior
Faixas:
1Cinema Olympia(Caetano Veloso)
2 Tuareg(Jorge Ben)
3 Cultura e civilização(Gilberto Gil)
4 País tropical(Jorge Ben)Participação: Caetano Veloso / Gilberto Gil
5 Meu nome é Gal(Erasmo Carlos - Roberto Carlos)
6 Com medo, com Pedro(Gilberto Gil)
7 The empty boat(Caetano Veloso)
8 Objeto sim, objeto não(Gilberto Gil)
9 Pulsars e quasars(Capinan - Jards Macalé)

Gal Costa - Gal

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Milton Nascimento & Lô Borges - Clube da Esquina (1972)

Até hoje na música brasileira, pouca gente se arrisca num álbum duplo, mas em 1972, a dupla Milton Nascimento e Lô Borges, auxiliados por Beto Guedes e Toninho Horta, correu o risco e gravaram um dos melhores discos da música brasileira. Com melodias e arranjos modernos e diferentes de tudo o que estava sendo feito por aqui, o disco levou a música brasileira à um novo patamar, tornando o nome de Milton, principalmente, conheciado e admirado por nomes consagrados do Jazz estadunidense como Herbie Hancock. Além da repercussão excelente fora do país, o disco serviu como influência para vários músicos de Minas Gerais, como Samuel Rosa do Skank.
O disco foi concebido de maneira tão natural quanto soa ao ouvido. A expressão "Clube da Esquina" não é à toa, já que os parceiros de Milton e Lô nas composições deste disco, já era seus amigos desde os anos 60 e muitas faixas do disco só precisavam de um arranjo mais definitivo, pois as letras já estavam compostas desde muito antes. O super-time com Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Rubinho, Wagner Tiso, Milton Nascimento, Tavito, Robertinho Silva, Luiz Alves, Nelson Angelo, Paulo Moura, Paulinho Braga, Luiz Gonzaga Jr, Eumir Deodato e Alaíde Costa se envolveu com o projeto de maneira tão profunda como se fosse uma obra individual de cada um. A entrega no trabalho é quase que envolvente. Eles passaram 6 meses, em 1971, numa casa alugada na Praia de Piratininga, em Niterói, compondo e compartilhando seu amor pelos Beatles. De volta ao estúdio, a música ganhou uma grandiosidade suntuosa com a orquestração de Eumir Deodato e Wagner Tiso. O album contém uma série de classicos, como "Cravo e Canela" e "Nada será como antes". A influência dos Beatles é particularmente forte no "Rock Mineiro" de Lô Borges, em faixas como "O trem azul" e "Nuvem cigana", músicas delicadas, cheios de encanto e sutilezas.

Faixas:
1.Tudo que Você Podia Ser (Lô Borges / Márco Borges)
2.Cais (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
3.O Tream Azul (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
4.Saídas e Bandeiras nº 1 (Milton Nascimento / Fernando Brant)
5.Nuvem Cigana (Lô Borges / Ronaldo Bastos)
6.Cravo e Canela (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
7.Dos Cruces (Carmelo Larrea)
8.Um Girassol da Cor de Seu Cabelo (Lô Borges / Márcio Borges)
9.San Vicente (Milton Nascimento / Fernando Brant)
10.Estrelas (Lô Borges / Márcio Borges)
11.Clube da Esquina nº 2 (instrumental) (Milton Nascimento / Lô Borges / Márcio Borges)
12.Paisagem da Janela (Lô Borges / Fernando Brant)
13.Me Deixa em Paz (Monsueto C. Menezes / Ayrton Amorim)
14.Os Povos (Milton Nascimento / Márcio Borges)
15.Saídas e Bandeiras nº 2 (Milton Nascimento / Fernando Brant)
16.Um Gosto de Sol (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
17.Pelo Amor de Deus (Milton Nascimento / Fernando Brant)
18.Lilia (Milton Nascimento)
19.Trem de Doido (Lô Borges / Márcio Borges)
20.Nada Será Como Antes (Milton Nascimento / Ronaldo Bastos)
21.Ao Que Vai Nascer (Milton Nascimento / Fernando Brant)


Milton Nascimento & Lô Borges - Clube da Esquina

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

The Jimi Hendrix Experience - Electric Ladyland (1968)

Vários discos lançados no ano de 1968 tornaram-se peças fundamentais na estante de qualquer um afcionado por música. Eu poderia escolher qualquer um deles, brasileiro ou não, para esta postagem, já que esta é a centésima postagem do blog. Electric Ladyland é o disco que levou Hendrix a um patamar que poucos na história conseguiram alcançar, lançar um disco conceitual, sem a interferência das gravadoras, expressando toda sua visão como músico, multi-instrumentista e artista.
Hendrix queria que esse álbum saísse perfeito, segundo seu ponto de vista, o que levou ao desgaste na relação com os colegas de banda Mitch Mitchell e Noel Redding, assim como com o produtor Chass Chandler, que resolveu sair da produção do disco, deixando com que o próprio guitarrista produzisse as músicas.
A genialidade presente em Electric Ladyland é notável na quantidade de estilos músicais presentes no disco, como a psicodelia em "Burning Of The Midnight Lamp", o "blues-jam" em "Voodoo Chile", as influências de Nova Orleans em "Como On", uma regravação de Earl King. Além das épicas "All Along The Watchtower", releitura da música de Bob Dylan, considerada o melhor "cover" do rock'n'roll, e "Voodoo Child (Slight Return)".
"Voodoo Chile" foi concebida durante uma jam, na madrugada do dia 2 de Maio de 68, quando Hendrix, depois de um dia de gravações, foi com alguns outros músicos para um bar de blues, em Nova Iorque, onde começaram a improvisar e então, a música começou a tomar forma. Já no raiar do dia, eles voltaram para o estúdio e gravaram a música em 3 levadas, sendo a terceira, a presente no disco. Participaram da gravação Mitch Mitchell, Jack Casady, Steve Winwood e o próprio Hendrix. Depois, foram introduzidos na gravação o som de pessoas falando, parecendo que a música foi realmente gravada num bar.
O disco foi concebido para ser executando por uma banda grande, deixando de lado o conceito de trio, que era a formação do Experience. Então muitos outros músicos participaram de forma decisiva na gravação do disco. Buddy Miles, gravou a bateria nas faixas "Rainy Day, Dream Away" e "Still Raining, Still Dreaming", Jack Casady, baixista do Jefferson Airplane, grvou o baixo em "Voodoo Chile", Steve Winwood, gravou o órgão de "Voodoo Chile", All Kooper gravou piano em "Hot Long Summer Night", Dave Manson grvou violão de 12 cordas em "All Along The Watchtower" e Brian Jones fez a percussão em "All Along The Watchtower".
Lançado primeiro nos EUA, atingiu logo o número 1 das paradas, usando a capa acima, uma fotografia de Karl Ferris, escolhida pela gravadora. Na Inglaterra, o disco atingiu o sexto lugar nas paradas, e usava a capa abaixo. A Track Records, tinha seu próprio departamento de artes e criou a polêmica capa com várias mulheres nuas, foto de David Montgomery, o que deixou Hendrix muito chateado, e logo as edições com esta capa não foram mais feitas, à pedido do guitarrista. No final das contas, a capa que Ele queria foi ignorada. Para Hendrix, a capa deveria ter sido uma foto da banda no Central Park, onde eles apareceriam rodeados por crianças na escultura em homenagem ao livro "Alice no país das maravilhas", tirado por Lind Eastman.




Faixas:
01. ... And The Gods Made Love
02. Have You Ever Been (To Electric Ladyland)
03. Crosstown Traffic
04. Voodoo Chile
05. Little Miss Strange
06. Long Hot Summer Night
07. Come On (Let The Good Times Roll)
08. Gypsy Eyes
09. Burning Of The Midnight Lamp
10. Rainy Day, Dream Away
11. 1983 ... (A Merman I Should Turn To Be)
12. Moon, Turn The Tides ... Gently Gently Away
13. Still Raining, Still Dreaming
14. House Burning Down
15. All Along The Watchtower
16. Voodoo Child (Slight Return)

Formação:
Noel Redding
Mitch Mitchell
Jimi Hendrix
Convidados:
Jack Casady
Steve Winwood
Al Kooper
Cissy Houston and The Sweet Inspirations
Larry Faucette


The Jimi Hendrix Experience - Electric Ladyland

domingo, 2 de agosto de 2009

Jards Macalé - Contrastes (1977)

Contrastes foi lançado pela gravadora Som Livre e trouxe um Jards Macalé livre, leve e solto, onde pode fazer releituras de Louis Armstrong (“Black and blue”), Jackson do Pandeiro (“Sim ou não”), Ismael Silva (“Contrastes”) e Moreira da Silva (“Conto do pintor”), fazer experimentações (“Cachorro babucho” de Walter Franco, “No meio do mato” e “Passarinho do relógio”), chamar a Orquestra Tabajara (“Garoto” e “Choro do Archanjo”, tema que compôs para o filme Tenda dos milagres) e ainda fazer seu reggae pessoal (“Negra melodia”). Estilo esse que Jards teve contato durante o tempo que morou em Londres, no final dos anos 60 e início dos 70. Enquanto ele ensinava o Samba para os negros dos bairros pobres da cidade, eles, em contrapartida, ensinavam-lhe a base rítmica e harmônica do reggae.
A capa do disco trazia Jards beijando sua então namorada, a escritora Ana Miranda. Quando foi lançado em CD no começo dos anos 2000, Ana não permitiu o uso da foto e Jards queimou a parte em que ela aparecia dando um sentindo ainda mais forte aos versos de “Sem essa” (“E fazer um álbum de fotografias / Pra depois queimar, lembrar, queimar”).

Faixas:
1 Contrastes
2 Poema Da Rosa
3 Black and Blue
4 Sim ou Não
5 O Conto Do Pintor
6 Negra Melodia
7 Chôro de Archanjo
8 Cachorro Babucho
9 Garoto
10 Passarinho Do Relógio
11 No Meio Do Mato