domingo, 26 de abril de 2009

Secos e Molhados - Secos e Molhados (1973)

Na década de 70, era difícil fazer rock no Brasil. A massa começava a ter contato com bandas internacionais com o Led Zeppelin, Pink Floyd, Genesis, Yes, Emerson, Lake and Palmer, King Crimson, Queen, Kiss, AC/DC. As gravadoras ainda não apostavam nos talentos brasileiros do rock.
Em 73, a Continental resolveu apostar nessa galera que gostava de pintar a cara e misturar o rock aos mais diversos ritmos nacionais como baião e samba. Essa mistura marca o disco, principalmente em faixas como "Sangue Latino" e "Primavera dos Dentes".
O disco também destaca inúmeras críticas a ditadura militar que estava implantada no Brasil, em canções como o blues "Primavera nos Dentes" e o rock progressivo "Assim Assado" – esta de forma mais explícita em versos que personificam uma disputa entre socialismo e capitalismo. Até mesmo a capa do disco foi eleita pela Folha de São Paulo como a melhor de todos os tempos de discos brasileiros. Em fevereiro de 1974, fizeram um concerto no Maracanãzinho que bateu todos os índices de público jamais visto no Brasil - enquanto o estádio comportava 30 mil pessoas, outras 90 mil ficaram do lado de fora.
As projeções da gravadora eram de vender 1.500 cópias no ano de 73, mostrando que a gravadora não acreditava no sucesso comercial da banda. O disco vendeu 300 mil cópias em apenas dois meses, enquanto o normal para a época era de apenas 30 mil. Em menos de um ano, as vendas do disco chegaram a marca de 1 milhão de cópias, apenas Roberto Carlos vendia mais.

Faixas:

"Sangue Latino" (João Ricardo/Paulinho Mendonça) – 2:07
"O Vira" (J. Ricardo/Luli) – 2:12
"O Patrão Nosso de Cada Dia" (J. Ricardo) – 3:19
"Amor" (J. Ricardo/João Apolinário) – 2:14
"Primavera nos Dentes" (J. Ricardo/J. Apolinário) – 4:50
"Assim Assado" (J. Ricardo) – 2:58
"Mulher Barriguda" (J. Ricardo/Solano Trindade) – 2:35
"El Rey" (Gerson Conrad/J. Ricardo) – 0:58
"Rosa de Hiroshima" (G. Conrad/Vinicius de Moraes) – 2:00
"Prece Cósmica" (J. Ricardo/Cassiano Ricardo) – 1:57
"Rondó do Capitão" (J. Ricardo/Manuel Bandeira) – 1:01
"As Andorinhas" (João Ricardo/C. Ricardo) – 0:58
"Fala" (J. Ricardo/Luli) – 3:13
Formação:

Ney Matogrossovocal
João Ricardoviolões de 6 e 12 cordas, harmônica de boca e vocal
Gerson Conrad – violões de 6 e 12 cordas e vocal
Marcelo Frias – bateria e percussão
Sérgio Rosadas – flauta transversal e flauta de bambu
John Flavin – guitarra e violão de 12 cordas
Zé Rodrixpiano, ocarina, acordeão e sintetizador
Willi Verdague – baixo
Emilio Carrera – piano

sexta-feira, 24 de abril de 2009

The Jimi Hendrix Experience - BBC Sessions (1998)

A BBC, depois que criou a Radio 1, se destacou por dar espaço e mostrar ao grande público bandas que já faziam algum sucesso na Inglaterra e em alguns outros países europeus. Foi assim com o Cream, The Who, Led Zeppelin, Beatles, Sex Pistols, Iron Maiden e, claro, com o Jimi Hendrix Experience entre várias outras. Durante os anos 90, a BBC se deu conta da fantástica quantidade de material que possuia em seus arquivos, gravados desde 1967; mesmo com muito material ter sido perdido ou danificado com o tempo.
Então, criaram 3 coleções: BBC Sessions, Live at the BBC e The Peel Sessions. No caso deste disco, ele reune todas as aparições da banda no BBC, tanto no rádio quanto na TV. As principais sessões foram no programa 'Top Gear' comandado por John Peel e no 'Saturday Club' apresentado por Brian Matthew.
O grande atrativo deste BBC Sessions é poder ouvir faixas que foram executadas apenas uma vez pela banda, como a canção "Can You Please Crawl Out Your Window" que é um obscuro lado-B do compacto "Highway 61 Revisited" de Bob Dylan, "Killing Floor" de Howlin' Wolf, "Hoochie Coochie Man" de Willie Dixon e "Day Tripper" dos Beatles. Além dos hits como "Hey Joe" e "Purple Haze". O disco também conta com as participações de Stevie Wonder, na bateria, em "I Was Made To Love Her", de sua autoria. Alexis Korner, apresentador da casa, também deixa sua marca em "Hoochie Coochie Man" tocando slide guitar.
Resumindo, é um disco obrigatório na discografia de Hendrix, um dos poucos lançados após a morte do guitarrista que vale a pena ter na estante de casa.

Formação:
Mitch Mitchell - Bateria
Noel Redding - Baixo
Jimi Hendrix - Guitarra e Vocal
Faixas:
Disco 1
"Foxy Lady" (Jimi Hendrix) – 2:59
"Alexis Korner Introduction" – 0:27
"Can You Please Crawl Out Your Window?" (Bob Dylan) – 3:31
"Rhythm and Blues World Service" – 0:12
"(I'm Your) Hoochie Coochie Man" (Willie Dixon) – 5:31
"Traveling with the Experience" – 0:22
"Driving South" (Curtis Knight) – 5:30
"Fire" (Hendrix) – 2:43
"Little Miss Lover" (Hendrix) – 2:57
"Introducing the Experience" – 0:51
"Burning of the Midnight Lamp" (Hendrix) – 3:43
"Catfish Blues" (Robert Petway) – 5:28
"Stone Free" (Hendrix) – 3:25
"Love or Confusion" (Hendrix) – 2:54
"Hey Joe" (Billy Roberts) – 4:01
"Hound Dog" (Jerry Leiber, Mike Stoller) – 2:42
"Driving South" (McNear) – 4:49
"Hear My Train a Comin'" (Hendrix) – 5:00
Disco 2
"Purple Haze" (Hendrix) – 3:17
"Killing Floor" (Chester Arthur Burnett) – 2:29
"Radio One" (Hendrix) – 1:34
"Wait Until Tomorrow" (Hendrix) – 2:57
"Day Tripper" (John Lennon, Paul McCartney) – 3:24
"Spanish Castle Magic" (Hendrix) – 3:07
"Jammin'" (Hendrix) – 3:23
"I Was Made to Love Her" (Henry Cosby, Lula Mae Hardaway, Sylvia Moy, Stevie Wonder) – 3:04
"Foxy Lady" (Hendrix) – 2:43
"A Brand New Sound" – 0:54
"Hey Joe" (alternate take) (Roberts) – 2:57
"Manic Depression" (Hendrix) – 3:10
"Driving South" (alternate take) (McNear) – 3:21
"Hear My Train a Comin'" (alternate take) (Hendrix) – 5:02
"A Happening for Lulu" – 0:19
"Voodoo Child (Slight Return)" (Hendrix) – 4:08
"Lulu Introduction" – 0:22
"Hey Joe" (Roberts) – 2:43
"Sunshine of Your Love" (Pete Brown, Jack Bruce, Eric Clapton) – 1:17

Disco 1
Disco 2

O vídeo corresponde às 4 últimas faixas, gravado para TV e rádio no Lulu Show em 1969.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

The Wonderful Radio London (1964-1967)

Na década de sessenta, existiam várias rádios piratas em Londres que levavam seu sinal para o reino Unido inteiro, além de outros países da Europa. Até então, nada demais, existiam e existem várias rádios piratas no mundo inteiro falando de todo tipo de coisa.
Mas essas rádios piratas inglesas nos 60 eram realmente diferentes. Haja vista que eram transmitidas de barcos espalhados pela costa da Inglaterra, vários navios já eram ferro velho da segunda guerra mundial. O fato da programação ser voltada para a juventude, revolucionou a forma de se fazer rádio na Inglaterra e foi fator determinante para a aceitação e sucesso que essas rádios obtiveram naquela época.

Não sei exatamente quantas eram, mas haviam várias rádios piratas ao longo do dial inglês, algumas até com duas estações e transmitindo de dois barcos. As rádios atraiam anunciantes nacionais e estrangeiros, tornou-se um negócio lucrativo. O impressionante é que no meio dessa loucura toda, uma delas se destacou. A Radio London chegou a ter mais audiência do que todas as outras rádios piratas juntas, desbancava a BBC em todos os horários nobres e certamente incomodava muito certas pessoas por causa disso.Os estúdios e transmissores da rádio eram situados no MV Galaxy, um návio da marinha americana que foi usado em batalhas da segunda guerra. A Wonderful Radio London ou Radio London, também conhecida como Big L, esteve no ar de 16 de dezembro de 1964 até 14 de agosto de 1967. O cidadão que levou a idéia à prática foi Don Pierson, um americano do Texas, que em 1964 leu no jornal sobre duas rádios que transmitiam por 24 horas de barcos na costa inglesa. Depois disso, pegou o primeiro voo para Londres e tratou de viabilizar sua empreitada. Apesar de todas as rádios terem registro como empresa de capital particular, nenhuma delas conseguiu o direito de usar o sinal aberto, que é concedido pelo governo britânico, por motivos desconhecidos. Logo de cara, a rádio caiu no gosto dos jovens, pois tocava as principais novidades do rock'n'roll e do blues numa linguagem mais liberal, sem as formalidades e etiqueta da BBC.




Na turnê dos Beatles pelos EUA em 1966, alguns poucos jornalistas ingleses os acompanharam a fim de cobrir a estada dos "Fab 4" na terra do tio Sam. Um deles foi Kenny Everett, um dos mais importantes disk-jockey da rádio. Nesse período, a companhia telefonica cortou todas as comunicações por telefone para os navios em que as rádios eram transmitidas. Era nescessário que Everett ligasse dos EUA para os escritórios da empresa que gerenciava a rádio em Essex para que a ligação fosse gravada em fita K-7 para ser levada ao navio e aí sim entrar no ar.
Uma verdadeira operação de guerra. Nesse episódio, é notório a importância que essas rádios tinham, já que só 3 jornalistas foram convidados para acompanhar a banda. Todos foram em nome de suas rádios piratas. Além de Kenny pela Radio London, Jerry Leighton da Radio Carolina e Ron O'Quinn da Swimming Radio England também acompanharam a turnê.
A Radio London foi a primeira a tocar Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band na íntegra, pouco menos de 1 mês antes de seu lançamento oficial.

(Na imagem, a programação da rádio em fevereiro de 66)
Após muita pressão do governo inglês, que inclusive aprovou uma lei considerando crime toda e qualquer ação que fornecesse combustível, equipamento, patrocínio, discos ou gravações para qualquer rádio pirata na costa inglesa, os diretores da rádio decidiram fechá-la antes que essa lei entrasse em vigor.
Às 3 da madrugadado dia 14 de agosto de 1967, quando os ponteiros do relógio formam a figura de um L, a Radio London encerrou suas atividades. A última hora de programação foi dedicada às músicas que mais tocaram na rádio durante os quase 3 anos de vida e mensagens de apoio de astros da música britânica como Mick Jagger, Ringo Starr, Cliff Richard e Dusty Springfield. A última música da rádio foi A Day In The Life, dos Beatles. A rádio falava para 12 milhões de britânicos e mais 4 milhões de pessoas espalhadas pela Europa, uma audiência expressiva para uma rádio pirata.











Nos vídeos acima, podemos ter uma boa noção de como era a locução e as músicas que tocavam na programação da rádio.
Os disck-jockeys eram: Chuck Blair; Tony Blackburn; Pete Brady; Tony Brandon; Dave Cash, Ian Damon; Chris Denning; Dave Dennis; Pete Drummond; John Edward; Kenny Everett, Garner Ted e Herbert W. Armstrong. Ainda, Graham Gill; Bill Hearne; Duncan Johnson; Paul Kaye, Lorne King; "Marshall" Mike Lennox; John Peel (The Perfumed Garden Show). Earl Richmond; Mark Roman; John Sedd; Keith Skues; Ed "Stewpot" Stewart; Norman St. John; Tommy Vance; Richard Warner; Willy Walker; Alan West; Tony Windsor e John Yorke.


Quando a equipe desembarcou no porto londrino, haviam centenas de fãs aguardando usando broches como este acima e portando cartazes com frases como: "Freedom died with Radio London". Os Dj's da rádio viraram figuras tão importantes quanto os músicos.

Wonderful Radio London foi inspiração para (e tave alguns de seus jingles usados) o álbum The Who Sell Out. A rádio também é citada no filme Quadrophenia.


Um dos últimos a integrar a equipe da Radio London, John Peel comandou o "The Perfumed Garden Show" entre março e agosto de 1967. Apresentando as principais novidades do blues, rock progressivo e psicodélico inglês e estadunidenense, ele tinha a principal audiência da rádio. O programa ia ao ar diariamente no horário de meia-noite até as 2 da madrugada. Após o encerramento das atividades da Radio London, ele foi um dos contratados pela BBC para iniciar a Radio 1, voltada para a juventude, que estava sendo preterida até então. Na Radio 1, John Peel trabalhou até sua morte em 2004, tornando-se o principal incentivador, divulgador e entusiasta da música popular inglesa. É com toda a certeza o principal DJ inglês de todos os tempos.



Chegada dos DJs da Radio London no porto de Essex.

Nas duas fotos acima, milhares de pessoas se expremem para dar as boas vindas aos DJ's da Radio London.

Faixas de protesto contra o governo inglês pelo fechamento da Radio London.
Ian Damon dando autógrafos no desembarque me Londres.
Para encerrar, talvez podemos comparar às rádios piratas inglesas da década de 60, em sua atitude e motivação, aos blogs que desponibilizam links para download de músicas e discos completos. A motivação tanto dos blogueiros desta área quanto dos DJ's da Radio London era de transmitir a outras pessoas o prazer de ouvir música, sem tirar nenhuma vantagem ou gozar de privilégio algum para isso. Ou seja, a música pela música! Esses caras com certeza são inspirações para qualquer um que ama música.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Chico Science & Nação Zumbi - Da Lama Ao Caos (1994)

A Sony resolveu relançar alguns álbuns em vinil e mini-LP e esse é um deles. Da primeira leva, é o único que eu faço questão absoluta de colocar na prateleira. O provável preço para o kit é de 90 reais, então a equipe deste blog aceita doações afim de rebuscar a estante dos discos aqui de casa!!
Falando do disco, essa é a estréia da Nação Zumbi e, mais importante que isso, é o disco que mostra ao Brasil o movimento Mangue-Beat e enterra de vez a geração dos anos 80 conhecida como BRock. A Nação surgiu do movimento pernambucano para se tornar uma das melhores bandas do mundo. Chico Science é o último grande compositor brasileiro, Lucio Maia é o melhor guitarrista brasileiro atualmente, pouca gente no mundo usa a percussão tão bem quanto a Nação.
“Modernizar o passado é uma evolução musical. Cadê as notas que estavam aqui? Não preciso delas! Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos. O medo dá origem ao mal. O homem coletivo sente a necessidade de lutar. O orgulho, a arrogância, a glória. Enche a imaginação de domínio. Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi! Antônio Conselheiro, todos os Panteras Negras, Lampião sua imagem e semelhança. Eu tenho certeza que eles também cantaram um dia.”
É com essa introdução, que Chico Science nos apresenta ao Mangue Beat. E com uma das melhores percussões do mundo, a Nação Zumbi acompanha Chico, em um dos discos mais revolucionários dos últimos tempos.

Faixas:
1. Monólogo Ao Pé Do Ouvido
2. Banditismo Por questão de classe
3. Rios, Pontes E Overdrives
4. A Cidade/Boa Noite Do Velho Faceta
5. A Praieira
6. Samba Makossa
7. Da Lama Ao Caos
8. Maracatu De Tiro Certeir
o9. Salustiano Song - Instrumental
10. Antene-Se
11. Risoflora
12. Lixo Do Mangue - Instrumental
13. Computadores Fazem Arte - Bonus Track
14. Coco Dub (Afrociberdelia) - Bonustrack
Formação:


Nação Zumbi - Da Lama Ao Caos

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Radio Moscow - Brain Cycles (2009)

Uma grata surpresa para o rock'n'roll neste final de década é o Radio Moscow. Formado em 2004, conseguiram lançar seu primeiro disco em 2007, que leva o mesmo nome da banda e, como disco de estréia, é impressionante pelas influências mostradas.
O rock hoje em dia precisa achar o blues novamente. As principais bandas da década são muito afastadas do ritmo de Robert Johnson, vide Arctic Monkeys, Radiohead, Franz Ferdinand, entre outros. Mas ainda existem artistas apostando no velho e bom rock'n'roll e a banda desta postagem é um desses artistas.
A banda era formada no primeiro disco pela dupla Parker Griggs e Luke McDuff. O segundo tocando baixo e Griggs assumindo os vocais, bateria e guitarra. Para esse segundo disco, Luke é substituído por Zach Anderson. Nas performaces ao vivo, a banda vira um power trio, com Griggs nos vocais e guitarra, Anderson no baixo e Corey Berry na bateria.
Esse segundo disco, que será lançado amanhã (14/02/09), traz influências óbvias do Jimi Hendrix Experience, Jeff Beck Group, Cream e outros sessentistas. Apenas pelas referências, o disco merece ser ouvido com atenção. O Radio Moscow é mais uma banda que serve de resposta àqueles que dizem que o rock acabou e ficam chorando pelos cantos.

Formação:

Parker Griggs – vocais, guitarra, bateria, percussão, produção
Zach Anderson – baixo
Faixas:
"Just Don't Know"
"Broke Down"
"The Escape"
"No Good Women"
"Brain Cycles"
"250 Miles"
"Hold on Me"
"Black Boot"
"City Lights"
"No Jane"
Link nos COMENTÁRIOS!


quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os Cantores de Ébano - Os Anjos Cantam (1962)

Finalmente chegou a hora de falar dos meus vizinhos. Todos os integrantes da banda moravam aqui no bairro do Méier, Rio de Janeiro, nos idos do final da década de 50 e início dos 60 e pelo menos 3 ainda moram por aqui.
O grande destaque do grupo é Noriel Vilela, voz de baixo, era dono de uma voz inconfundível, forte e belíssima. O grupo era formado por um meio soprano, um contralto, dois baixos, um tenor e três barítonos. Infelizmente não sei quem é quem, com excessão de Noriel, apesar de saber o primeiro nome de cada um deles. A história do grupo é rápida e cheia de altos e baixos, nunca tiveram o reconhecimento merecido, além de terem sofrido com o mal gerenciamento de turnês, gravações e shows.
Os Cantores de Ébano - "Orgulho Musical Brasileiro"
No final da década de 50, o Brasil tradicionalmente conhecido pelo seu carnaval alegre com sambas e mulatas, surpreendeu o mundo com um grupo de vocalistas do mais alto nível músical.
Os diretores das emissoras de televisão, assim como, os das agências de publicidadeficaram atônitos com a formação harmônica daquele conjunto vocal.
O sucesso foi imediato com as canções "Uirapuru" e "Leva Eu" (lançadas em compacto 7 polegadas em 45 rpm, uma raridade). A imprensa brasileira logo tomou-se de simpatia incomum pelo grupo. Contatos pessoais com o grupo eram tratados no idiomainglês, devido muita gente supor que o mesmo fosse de origem estadunidense. Convites chegaram de todas as Américas e da Europa. Em Buenos Aires foram apoteóticas as apresentações. Excursionaram por váriascidades brasileiras. Quando se preparavam para um giro pela Europa, a fatalidade cai sobre o grupo com a morte súbita de Noriel Vilela, que fazia a voz de baixo profundo.
Um substituto foi procuradode imediato, e em vão, pois elementoscom a qualidade vocal e musical do Noriel, nõ nascem em série. O desespero tomou conta do grupo. O tempo passava. Vários candidatosforam testados. Em alguns faltava voz, em outros ritmo, além dos inconvenientes comuns. Todavia, nos integrantes do grupo pairava a sensação de que a qualquer momento seria encontrado o substituto ideal.
A mesma fatalidade que havia caído sobre o grupo, veio de repente favorecer-lhe de forma simples e natural.Estando Jair num bar, ouviu alguém de voz muito grave pedir um cafezinho, esse alguém era Geraldo, , imediantamente convidado e levado para os ensaios. Hoje o baixo profundo Geraldo, resulta tão bom e potencial quando o saudoso Noriel. Assim ressurgiu Os Cantores de Ébano, queridos, aplaudidos e recebidos com carinho nas suas paresentações. Platéiaslotadas, autógrafos e parabéns são uma constante nos show desse grupo sensacional.
Formação
Noriel Vilela
João
Geraldo
Vicente
Aurora
Cacilda
Helena
Iara
Faixas
01 - Leva Eu Sôdade (Tito Neto / Alventino Cavalcanti)
02 - Boa Noite (Francisco J. Silva / Isa M. da Silva)
03 - Fiz a Cama na Varanda (Dilú Mello / Ovídio Chaves)
04 - Canção de Ninar Meu Bem (Bidú Reis / Gracindo Jr.)
05 - Down By The Riverside (D. Jordan)
06 - Greenfields (Gilkyson / Deher / Miller / Vrs. Romeo Nunes)
07 - A Lenda do Abaeté (Dorival Caymmi)
08 - Azulão (Jaime Ovalle / Manuel Bandeira)
09 - Eu e Você (Roberto Muniz / Jairo Aguiar)
10 - Minha Graúna (Tito Neto / Avarese)
11 - Dorinha (Tito Neto / Ari Monteiro)
12 - A Noiva (La Novia) (J. Prieto / Vrs. Fred Jorge

Os Cantores de Ébano - Os Anjos Cantam

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sergio Mendes & Brasil '66 - Look Around (1967)

A parceria entre Sergio Mendes e o Brasil '66 trouxe uma das melhores bandas de samba que eu já ouvi. Levando a bossa nova a terras estrangeiras, Sergio Mendes colocou em evidência o movimento musical brasileiro nos EUA, Japão e em alguns países europeus naquela época.
O disco teve impacto nos EUA graças a versão de "Look Of Love", que concorria ao Oscar naquele ano. A canção foi executada na cerimônia de entrega do Oscar. Taanta visibilidade deixou a música entre os 10 primeiros na parada estadunidense.
Da música brasileira, existem versões sensacionais como "Roda" de Gilberto Gil, "The Frog" de João Donato e "Batucada" dos irmãos Valle.

Faixas

With A Little Help From My Friends
Roda
Like A Lover
The Frog
Tristeza (Goodbye Sadness)
The Look of Love
Pra Dizer Adeus (To Say Goodbye)
Batucada (The Beat)
So Many Stars
Look Around
Formação
Sergio Mendes - Orgão, Piano
Lani Hall - Vocais
Bob Matthews - Baixo, Vocal
Joao Palma - Bateria
John Pisano - Piano
Jose Soares - Percussão, Vocal
Janis Hansen - Vocal


Sergio Mendes & Brasil '66 - Look Around

sábado, 4 de abril de 2009

The Allman Brothers Band - Live At The Atlanta International Pop Festival 1970 (2003)

A segunda edição do Atlanta Pop Festival foi realizada na semana em que era comemorado mais um aniversário de independência no país do Tio Sam. Essa edição foi um dos melhores festivais da época. Um momento marcante do festival foi quando Jimi Hendrix, à meia-noite do dia 3 para o dia 4, desferiu o hino americano em sua Fender Stratocaster, ao meio dos fogos de artifício.
Falando dos shows do Allman Brothers, a banda foi convidada para o festival como um representante local. Os "Allmans" estavam em estúdio, preparando seu segundo disco, Idlewild South, e de repente se veem tocando para mais de 300 mil pessoas. Musicalmente, o show do dia 3 é fantástico. As versões de "Statesboro Blues" e "Hoochie Coochie Man" são acachapantes. Prestando atenção no orgão elétrico de Gregg Allman, neste registro pode-se escutar bem como os arranjos de base eram proferidos por Gregg, enquanto os dois guitarristas levam seus instrumentos ao limite em solos e improvisos fantásticos.
Embora esse disco não substitua o "Live At Fillmore East" como principal registro ao vivo da banda, serve para o fã da banda dos irmãos Allman como um importante registro do início da carreira da banda, tocando com sua formação original.
Formação:
Duane Allman: slide guitar e primeira guitarra
Gregg Allman: vocals, orgão
Dickey Betts: guitarra
Berry Oakley: baixo, vocal
Butch Trucks: bateria
Jai Johanny "Jaimoe" Johanson: congas
Thom Doucette: Harmonica
Johnny Winter: guitarra no 5 Julio Mountain Jam
Disco 1: "7/3/70"
Introduction – 1:04
"Statesboro Blues" (Blind Willie McTell) – 6:05
"Trouble No More" (McKinley Morganfield) – 4:04
"Don't Keep Me Wonderin'" (Gregg Allman) – 3:49
"Dreams" (Gregg Allman) – 9:49
"Every Hungry Woman" (Gregg Allman) – 4:31
"Hoochie Coochie Man" (Willie Dixon) – 5:29
"In Memory of Elizabeth Reed" (Dickey Betts) – 11:35
"Whipping Post" (G. Allman) – 14:47
"Mountain Jam Part I" (G. Allman/D. Allman/D. Betts/J.J. Johanson/B. Oakley/B. Trucks) – 10:35
Rain Delay – 1:14
"Mountain Jam Part II" (G. Allman/D. Allman/D. Betts/J.J. Johanson/B. Oakley/B. Trucks) – 6:51
Disco 2: "7/5/70"
Introduction – 1:10
"Don't Keep Me Wonderin'" (Gregg Allman) – 4:04
"Statesboro Blues" (Blind Willie McTell) – 4:25
"In Memory of Elizabeth Reed" (Dickey Betts) – 13:14
"Stormy Monday" (T. Bone Walker) – 9:04
"Whipping Post" (Gregg Allman) – 14:23
"Mountain Jam" (G. Allman/D. Allman/D. Betts/J.J. Johanson/B. Oakley/B. Trucks) – 28:20



The Allman Brothers Band - Live At The Atlanta International Pop Festival 1970