domingo, 29 de março de 2009

Celso Blues Boy - Ao Vivo (1991)

Conversando por aí, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que não conhecem o Celso. Aí vem aquela velha constatação de que somos bombardeados por cultura estrangeira, principalmente estadunidense, e não prestamos atenção no que acontece bem de baixo dos nossos narizes.
Apresentando o sujeito, Celso é um dos poucos guitarristas brasileiros com talento reconhecido também fora do país por publicações dedicadas à guitarra, inventou um jeito brasileiro de tocar o blues. Fato é que Celso vem fazendo história desde a metade dos anos 70. Com apenas 17 anos, por exemplo, integrou o grupo de Raul Seixas. Acompanhou uma penca de veneráveis nomes da MPB (Renato e Seus Blue Caps, Sá & Guarabira, Luiz Melodia...) e arregimentou fãs ao empunhar a guitarra nas bandas Legião Estrangeira e Aero Blues, considerado o primeiro grupo de blues do Brasil e dono de performances memoráveis na lendária casa de shows Apa Loosa, no Rio de Janeiro.
Nos anos 80, Celso começa a carreira solo. Sua estréia solo, em 1984, com "Som na Guitarra", é um clássico absoluto, não só pelos hits que contém ("Aumenta que isso aí é rock'n'roll", "Blues Motel"), mas por espalhar aos quatro cantos do país a notícia de que havia bom blues sendo feito no Brasil. Junte isso ao talento nas seis cordas, a voz rouca, a boa aparência e canções de qualidade e se tem um astro instantâneo. Foi o que aconteceu.
A década de 80 foi mesmo pródiga para o guitarrista - é dessa época outros hits como "Marginal" (ao lado de Cazuza), "Damas da Noite", "Tempos Difíceis", "Fumando na Escuridão", "Sempre Brilhará" e as trilhas de "Rock Estrela" e "Bete Balanço" -, tanto que ele está entre os artistas-símbolo do período. Mas jamais ficou restrito a ele. Tanto é que foi na década de 90 que ele gravou o excepcional "Vivo" no Circo Voador (RJ). Foi também quando passou a se apresentar regularmente na Europa, virou amigo de BB King - a quem homenageia no nome artístico e que empresta seu toque único a "Mississipi", faixa do álbum "Indiana Blues", de 95 - e recebeu o convite para integrar os Commitments. Isso sem falar na agenda lotada de shows pelo Brasil.
Nos anos 80, B.B. King veio ao Rio de Janeiro fazer um show no teatro do hotel Nacional, na primeira fila estava Celso, em certo momento do show, B.B. chama Celso para o palco, tira a guitarra e a entrega para Celso, que tira algumas notas. Isso é um momento histórico para a música brasileira. Ainda bem que foi devidamente filmado e postado no youtube.
Quanto ao disco aqui postado, é o primeiro registro oficial da carreira de Celso, gravado no ano de 1991, em pleno Circo Voador, a casa do blues brasileiro.

Faixas:
1 Tempos difíceis
2 Blues motel
3 Fumando na escuridão
4 A isso chamam blues
5 Sempre brilhará
6 Atrás do tempo perdido (Cláudio Salles - Celso Blues Boy)
7 Me diga o que é o amor
8 Damas da noite
9 Sem ninguém
10 Amor vazio
11 De um jeito blues
12 Brilho da noite (Geraldo D'Arbilly - Celso Blues Boy)
13 Aquarela do Brasil (Ary Barroso)
14 Marginal
15 Aumenta que isso aí é rock and roll
16 Até a próxima blues
Todas a faixas compostas por Celso Blues Boy, menos onde indicado.


Celso blues Boy - Ao Vivo


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