sábado, 31 de janeiro de 2009

Kraftwerk - Radio-Activity (1975)

Pra sair um pouco da repetição, ou seja, de mim mesmo, decidi chamar uns amigos pra escrever aqui pro blog, aos poucos vou publicando o texto de cada um. Por hora, vou começar com a Tatiana Leal:

No ar, para eu e você
Do ano de 1975, ouvido por mim a primeira vez somente em 2001, na fase em que eu praticamente só ouvia albuns que tinham capa preta, qualquer relação com a Alemanha (tendo este uma relação direta), e principalmente que causassem alguma sensação de estar na era glacial, porque eu estava na minha fase "Werther" e queria fugir dela desesperadamente, nada mais perfeito do que ter descoberto "Radio-Activity" da então importante banda eletrônica Kraftwerk. Enquando que na década de 70 os jovens alemães estavam culturalmente sem nada muito inspirador, apenas consumindo os restos do psicodelismo, ansiavam por algo inovador, que representasse as mudanças que estavam chegando, especialmente a revolução tecnológica. Nesse contexto, surge o Kraftwerk formada por Ralf Hütter e Florian Schneider (os cabeças da banda), mais dois integrantes que nem sempre participavam das gravações, até chegar a formação mais conhecida que se consolidou entre 1975 e 1987 e que incluía os percussionistas Wolfgang Flür e Karl Bartos.A banda chega quebrando o tradicionalismo do rock'n roll sessentista, e com Radio-Activity (Radio-Aktivität em alemão), o primeiro totalmente eletrônico, que embora tivesse como base a linha sequencial/conceitual das bandas progressivas da época, se difenrencia completamente no tema e na simplicidade.Radioatividade, tema em voga na época por conta das ameaça nuclear, por outro lado, fonte de energia e criações tecnológicas. As faixas "Geiger Counter" e "Uranium" fazem referência a radioatividade nociva, "Radio Stars" e "Antenna" abordam o outro aspecto do radio, o entretenimento. Sendo assim, há várias maneiras de perceber esse album tão peculiar: numa rápida ouvida é um disco descontraído, porém ao escutá-lo mais atentamente percebe-se algo de triste e opressor.Eu tenho a seguinte teoria: a música escolhe a gente, e antes que ela chegue aos nossos ouvidos, vamos sendo preparados para ela. A minha preparação para Kraftwerk foi Joy Division (que conheci em 1999), grande banda, não pode ter como influência algo não menos importante do que os 4 "Männer kalt" de Düsseldorf; mais um abrir os olhos para o que aconteceu, acontece e acontecerá na Alemanha, uma curiosidade repentina, uma paixão inexplicável. Quando chega pela primeira vez aos meus ouvidos em 1998, Trans-Europe Express (1977), pensei "ah legal, mas o que é isso??". Foi preciso mais 3 anos para entrar na minha casa os vinis Tangerine Dream (uma chatice alemã necessária a parte), um tal de The Man Machine (1978), de novo o "Trans-Europe Express" e finalmente o próprio com capa preta e desenho lembrando um rádio dos anos 30, esquisito, para eu lembrar, ahhhh aqueles alemães cultuados por Ian Curtis e David Bowie... e finalmente estar preparada para congelar e depois derreter a minha pobre noção de música. Congelar também um pouco as emoções, porque Radio-Activity não tem nada de sentimento, e era exatamente o que eu precisava ouvir na época, algo diferente de "Ice Age" ou "Love will tear us apart", rs.Ouvir a música eletronica atual sem nunca ter ouvido Kraftwerk, especialmente este album, significa que a música e todo o resto relacionado a cultura pop não tem a menor importância pra você. Ele é essencial para entender o que vem depois. Especialmente para aqueles que conservam o hábito de ouvir rádio.

Por Tatiana Leal.
Faixas:
Side one
"Geiger Counter" / "Geigerzähler" – 1:07
"Radioactivity" / "Radioaktivität" – 6:42
"Radioland" / "Radioland" – 5:50
"Airwaves" / "Ätherwellen" – 4:40
"Intermission" / "Sendepause" – 0:39
"News" / "Nachrichten" – 1:17
2 - 4 written by Hütter/Schneider/Schult1, 5 & 6 written by Hütter/Schneider
Side two
"The Voice of Energy" / "Die Stimme der Energie" – 0:55
"Antenna" / "Antenne" – 3:43
"Radio Stars" / "Radio Sterne" – 3:35
"Uranium" / "Uran" – 1:26
"Transistor" / "Transistor" – 2:15
"Ohm sweet Ohm" / "Ohm sweet Ohm" – 5:39
1 - 4 written by Hütter/Schneider/Schult5 & 6 written by Hütter/Schneider
Banda
Ralf Hüttervocals, keyboards and synthesizers.
Florian Schneider – vocals, keyboards and synthesizers.
Karl Bartoselectronic percussion.
Wolfgang Flür – electronic percussion




Kraftwerk - Radio-Activity

3 comentários:

:: Fräulein :: disse...

ahahah finalmente!
Foi um prazer escrever isso, tão grande quanto ouvir esse album!
abração,

Bruno disse...

Muito bom o texto, Tati.

Jurassik Dark disse...

Fazem 31 anos que conheço esse grupo. a única banda do progressivo que sobreviveu dentro dos 80s dos 90s e dos 00s. Parabéns