quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

The White Stripes - White Blood Cells (2001)

Hoje, 17 de dezembro, este blog orgulhosamente completa um ano de vida. Segundo a Uncut, o melhor disco da década. Então, sem mais enrolação White Blood Cells!

Faixas:

"Dead Leaves and the Dirty Ground" – 3:04
"Hotel Yorba" – 2:10
"I'm Finding It Harder to Be a Gentleman" – 2:54
"Fell in Love with a Girl" – 1:50
"Expecting" – 2:03
"Little Room" – 0:50
"The Union Forever" – 3:26
"The Same Boy You've Always Known" – 3:09
"We're Going to Be Friends" – 2:22
"Offend in Every Way" – 3:06
"I Think I Smell a Rat" – 2:04
"Aluminum" – 2:19
"I Can't Wait" – 3:38
"Now Mary" – 1:47
"I Can Learn" – 3:31
"This Protector" – 2:12
Banda:
Jack White
Meg White
The White Stripes - White Blood Cells

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

The Dead Weather - Horehound (2009)

As expectativas para um supergrupo formado por membros dos White Stripes, Raconteurs, Queens of the Stone Age e The Kills era as melhores possíveis, e a mais nova banda captaniada por Jack White não fez feio, muito pelo contrário. Alheio à todas essas expectativas, a banda apresenta um Jack White de volta às baquetas, e cantando de um jeito diferente, principalmente em "I Cut Like A Buffalo". O som da banda não é tão pesado quanto a capa ou as roupas dos integrantes ou então, o clipe de "Treat Me Like Your Mother" presupõem, o uso exaustivo de sintetizadores dão um tom eletrônico ao disco. Assim o baixo de Jack Lawrence fica um pouco em segundo plano.
Em "Hang You from the Heavens" e "Treat Me Like Your Mother" traz um tema recorrente no White Stripes e no The Kills, a rivalidade sexual, em vários aspectos. Apesar das qualidades musicais dos quatro membros, a voz de Alisson Mosshart é o destaque individual do disco, com o carisma que lea traz do Kills mais um certo groove que ela ainda não tinha apresentado na sua banda. A faixa "So Far from Your Weapon", escrita por ela, é a que melhor mostra os nuances de sua bela voz. Além da voz de Mosshart no máximo, a bateria, as guitarras, o baixo e os sintetizadores estão sempre no volume máximo sem deixar nenhum espaço vazio fazendo o rock'n'roll de primeira linha.
Uma das faixas mais surpreendentes é "New Pony" de Bob Dylan, gravado com um arranjo bastante diferente do original traz um riff de guitarra marcante e as vozes de fundo bem altas durante a música inteira. Depois da tempestade da qual o ouvinte é submetido, "Will there be enough water?" é um final bastate adequado, um blues com apenas White e seu violão e a bateria bem mais calma que durante o disco todo.
Considerando que a banda reuniu-se e gravaram em questão de semanas todas as faixas do disco, além das faixas que ficaram para lado B dos compactos, o disco mostra a capacidade de cada um apresentar o inesperado e inovador, mesmo sem fugir muito do contexto do rock'n'roll moderno.

Formação:
Allison Mosshart
Jack White
Dean Fertitta
Jack Lawrence
Faixas:
1. "60 Feet Tall"
2. "Hang You from the Heavens"
3. "I Cut Like A Buffalo"
4. "So Far from Your Weapon"
5. "Treat Me Like Your Mother"
6. "Rocking Horse"
7. "New Pony"
8. "Bone House"
9. "3 Birds"
10. "No Hassle Night"
11. "Will There Be Enough Water?"

The Dead Weather - Horehound



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

The Who - Quadrophenia Soundtrack (1979)

A adaptação da lendária ópera-rock e maior disco do quarteto inglês à telona também virou disco. Quadrophenia é o auge do intelecto de Pete Townshend, já deve ter escrito a seguinte frase algumas três vezes pelo blog, mas nunca é ruim repetir: Pete Townshend é um gênio!
O disco original é de 1973, baseado no movimento Mod de 1964, o filme é de 1979, mas Quadrophenia eterno. Até hoje, é cultuado na Inglaterra pelas novas gerações, adaptações para o teatro acontecem rotineiramente desde que o filme foi lançado. O lançamento do filme alavancou ainda uma nova onda do movimento Mod, sem tanta força mas características parecidas e à reboque estouraram bandas como The Jam, Police, Secret Scene entre outras.
O filme é retrata a Londres de 1964 do ponto de vista do jovem Mod Jimmy Cooper, vivendo toda a intensidade da que a juventude da época dispunha. O grande mérito do filme é fazer a ficção parecer uma espécie de documentário, contando a vida do garoto da classe trabalhadora através de sua relação com as amigos, com o chefe, com a música, com os pais e com todo o ambiente que o cerca. Cenas como a batalha dos Mods contra os Rockers na cidade de Brighton reforçam essa sensação de documentário.
Porém, a essência do filme não é nossa preocupação aqui, e sim a trilha sonora. As músicas do álbum original que também aparecem na trilha sonora foram regravadas com Kenny Jones na bateria, substituindo o insubstituível Keith Moon. O interessante é reparar nas mudanças, as novas linhas de baixo e os metais, compostos e arranjados por John Entwhistle. Além das músicas do Who, a banda ainda traz 3 faixas que ficaram de fora da versão final do álbum original: "Joker James", "Get Out Stay Out" e "Four Faces".
A parte mais interessante do disco começa quando começam a aparecer as músicas que marcaram o movimento Mod. Vindo do soul e R&B estadunidenses, com James Brown, Booker T. And The MG's e The Crystals, até os representantes ingleses desses ritmos e também do rock como The High Numbers e Cross Section. O disco também traz e conta um pouco do espírito e do movimento Mod em sua essência mais profundo, a música.

Faixas:
Lado 1
"I Am the Sea" – 2:03
"The Real Me" – 3:28
"I'm One" – 2:40
"5:15" – 4:50
"Love Reign O'er Me" – 5:11
Lado 2
"Bell Boy" – 4:55
"I've Had Enough" – 6:11
"Helpless Dancer" – 0:22
"Doctor Jimmy" – 7:31
Lado 3
"Zoot Suit" (The High Numbers) – 2:00
"Hi-Heel Sneakers" (Cross Section) – 2:46
"Get Out and Stay Out" – 2:26
"Four Faces" – 3:20
"Joker James" – 3:13
"The Punk and the Godfather" – 5:21
Lado 4
The Who - Quadrophenia Soundtrack



Volta Sêca - As Cantigas de Lampeão (1957)

"Pouca gente no Brasil, conhecerá um sertanejo baixinho, simpático e de cara fechada chamado Antonio dos Santos. Mas todos já ouviram falar, com certeza, no famoso Volta Sêca, o mais jovem dos cangaceiros do bando de Lampeão." É assim que Paulo Roberto, então locutor da Rádio Nacional, faz a introdução ao 10 polegadas originalmente lançado em 1957 pela Todamérica. Cada faixa é prefaciada por um texto curto (meio romanceado, como convinha na época), lido pelo locutor. Em seguida, Volta Sêca entoa as melodias quase à capela e a orquestração irrompe geralmente no compasso do baião, com acordeom e zabumba.
Os épicos da saga de Lampeão, Mulher Rendeira (com os versos originais, utilizados no ataque do bando à cidade de Mossoró), Acorda Maria Bonita (a cantiga de despertar do grupo) e mais a lírica Se Eu Soubesse ("que chorando/ empatava sua viagem/ meus olhos eram dois rios/ que não te davam passagem") entram no precioso registro, onde todas as composições são atribuídas exclusivamente a Volta Sêca. Não falta o desafio Sabino e Lampeão , no qual o bando, que chegou a somar 240 integrantes, cutuca o chefe com vara curta, e lamentos quase parnasianos como Escuta Donzela (encordoado por um violão na linha de Dorival Caymmi). Cangaceiro a partir dos 11 anos, prisioneiro da polícia por outros 20, Volta Sêca mostra seu talento de voz trêmula nas queixas de Eu Não Pensei Tão Criança ("na flor da infância/ padecesse assim"). O baião Ia Pra Missa decifra o código dos embarcados para a guerra contra os "macacos" da força repressora. E A Laranjeira transborda de requinte poético, ao comparar o amor não correspondido ao bacutinho, a flor que fenece e morre sem dar frutos.Uma pequena jóia histórica de curta duração. Além disso, recomendo, para quem quer saber um pouco mais, o texto do jornalista Gilfransico, do Jornal da Cidade, clicando aqui.



Faixas:


Volta Sêca - As Cantigas de Lampeão

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

The Jimi Hendrix Experience - Axis: Bold as Love (1967)

Indo na onda do último RoNcA-RoNcA e também aproveitando que hoje Ele faria 67 anos, escolhi Axis: Bold As Love para reverencia-lo no dia de hoje. Também é questão de sorte, já que este é o único dos 3 álbuns de estúdio do Jimi Hendrix Experience que faltava aqui no blog.
O segundo álbum do Jimi Hendrix Experience segue o disco de estréia, Are You Experienced?, também de 67, com músicas igualmente poderosas e também uma produção ainda melhor que no álbum de estréia. Mitch Mitchell e Noel Redding estão mais à vontade tocando ainda melhor, levando seus instrumentos a novos patamares dentro do rock e ajudando Hendrix a tornar sua guitarra ainda mis poderosa.
Hendrix já dava sinais de sua famosa mania de perfeição, o disco foi todo gravado e produzido sempre tendo em vista o melhor resultado final possível, o que dificultou levar várias músicas deste disco para o palco usando apenas um trio. As músicas que a banda tocava com maior frequência era "Spanish Castle Magic" e "Little Wing". O fato curioso nisso tudo é que Hendrix esqueceu num táxi as fitas já masterizadas do lado 1, elas nunca mais foram encontradas, e a produção teve de ser totalmente refeita.
Não vou me alongar na descrição de efeitos de guitarra, solos de bateria ou viradas de baixo espetaculares. A primeira faixa resume bem o que o ouvinte vai encarar nos próximos minutos, "EXP" começa com notas do baixo que correspondem à introdução de "Stone Free", e revela-se uma imitação de uma transmissão de rádio. Mitch Mitchell é o radialista que recebe no programa "Mr. Paul Caruso" interpretado por Hendrix para falar sobre OVNI's. Quando de repente, "Mr. Caruso" é abruptamente abduzido por alienígenas enquanto o radialista incrédulo apenas diz:" - But, but, but...I don't believe it". Fico imaginando as pessoas cheias de LSD em pleno 1967, colocando a agulha no LP e dando de cara com essa introdução e com um disco altamente referente à experiencia que eles também estavam tendo.
Lançado no dia 1 de Dezembro de 67 na Inglaterra, Axis decretou o ano de 1967 como o ano da psicodelia e o Jimi Hendrix Experience foi um dos principais representantes do rock psicodélico.

Banda:
Jimi Hendrix
Noel Redding
Mitch Mitchell
Faixas:
1. EXP
2. Up From The Skies
3. Spanish Castle Magic
4. Wait Until Tomorrow
5. Ain't No Telling
6. Little Wing
7. If 6 Was 9
8. You Got Me Floatin'
9. Castles Made Of Sand
10. She's So Fine
11. One Rainy Wish
12. Little Miss Lover
13. Bold As Love

The Jimi Hendrix Experience - Axis: Bold as Love

Jorge Ben - Jorge Ben (1969)

Apesar das diferenças clubísticas irrevogáveis com Jorge Ben, sou obrigado a me render à beleza desta capa, uma das mais belas da música assinada pelo artisto plástico Albery. 1969 foi um ano e tanto para Ben, que preferiu continuar na mesma linha de composição, sem envolver-se com críticas ao governo. Como ficou sem lançar disco por dois anos até esse, viu de camarote o surgimento e o impacto da Tropicália na cena musical brasileira. Além de manter a melodia e os arranjos na mesma linha dos disco anteriores, Jorge Ben teve duas faixas produzidas pela lenda tropicalista Rogério Duprat: "Descobri que sou um Anjo" e "Barbarella".
Apesar do sucesso instantâneo de algumas músicas lançadas anteriormente à 69, é a primeira vez que Jorge Ben consegue implacar um disco que é aclamado de cabo a rabo. Esse álbum já nasceu clássico, pois é nele que estão as músicas: "País Tropical", "Cadê Tereza?", "Take it Easy My Brother Charles" que tem um dos melhores arranjos que já ouvi na vida, "Que Pena" e "Charles Anjo 45" e ainda "Quem foi que roubou a sopeira de porcelana chinesa que a vovó ganhou da Baronesa?" que é genial.
Jorge acompanhado pelo Trio Mocotó e Os Originais Do Samba e quase todo arranjado por José Briamonte que foi extremamente feliz em todas as músicas em que pôs a mão.
Faixas:
01. Criola
02. Domingas
03. Cadê Tereza
04. Barbarella
05. País Tropical
06. Take It Easy My Brother Charles
07. Descobri Que Sou Um Anjo
08. Bebete Vãobora
09. Quem Foi Que Roubou a Sopeira de Porcelana Chinesa Que a Vovó Ganhou da Baronesa
10. Que Pena
11. Charles 45




Jorge Ben - Jorge Ben

Moreira, Bezerra e Dicró - Os 3 Malandros In Concert (1995)

Os três maiores representantes da malandragem carioca juntos no mesmo disco!! O álbum é um retrato da carreira de cada um, desde a capa e do título as brincadeiras, sátiras e gozações já surgem. A referência clara e genial aos Três Tenores serve de pano de fundo como se o trio malandro estivesse num "Recital" em pleno Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que é outra grande gozação do disco. Um trio de sambistas e malandros da baixada fluminense dificilmente teria uma noite na programação elitizada do teatro.
Uma característica genial dos três é a capacidade de transformar situações corriqueiras, sem muita importância ou praticamente irrelevantes, em rimas, estrofes, poemas, letras fantásticas. Aliás, essa é uma característica que acompanha os principais sambistas de diferentes gerações ou classe social, cada um ao seu modo. Enquanto Vinícius de Moraes e Tom Jobim escreviam sobre a Garota de Ipanema indo para a praia, Dicró escreve sobre as "nêgas" da baixada, dos políticos pilantras e situações pitorescas em botecos.
Como informações sobre os músicos que tocam no disco são impossíveis de ter sem o encarte do disco, se bobiar nem ali encontra-se, não tenho certeza de quem toca, nem se é a mesma banda em todas as faixas. Apesar disso os disco traz o samba de raiz, sem muitas experimentações ou variações rítmicas, seu grande destaque são as letras e as interpretações dos três astros da malandragem carioca.

Faixas:
1- O RECITAL
2- OS TRÊS PAGODEIROS DO RIO
3- ÓPERA DO MORRO
4- MALANDROS IN CONCERT
5- RESSUSCITA ELE
6- CHAVE DE CADEIA
7- MALANDRO NÃO VACILA
8- O POLÍTICO
9- NA SUBIDA DO MORRO
10- DAVA DOIS
11- LUGAR MACABRO
12- JOGANDO COM O CAPETA
13- RUA DA AMARGURA


Moreira, Bezerra e Dicró - Os 3 Malandros In Concert


sábado, 21 de novembro de 2009

Arctic Monkeys - Humbug (2009)

O terceiro disco do Arctic Monkeys provocou reações tão intensas quanto as mudanças que a banda promoveu em sua sonoridade. Junto com o produtor Josh Homme, que teve uma grande influência no som da banda, os macaquinhos do ártico levam a empreitada para o lado da experimentação, com melodias e arranjos mais sofiticados, solos de guitarra e a já conhecida qualidade nas letras. Por mais que eu evite dar a opinião direta, essas foram as características que me levaram a gostar do disco.
Gravando grande parte das faixas no famoso estúdio Rancho la Luna, num deserto na Califórnia, a banda aproveitou bastante a experiência do produtor, tanto na mixagem quanto na gravação, pricipalmente das guitarras. "Crying Lightning" e "Dangerous Animals", com destaque para a primeira, são as faixas do álbum que melhor mostram todas as mudanças do som da banda.
"My Propeller", música que abre o álbum, é o recado direto do que a banda quer ser e do que ela já é, o impacto dela para quem ouve o disco desavisado e recordando-se dos anteriores é enorme.
"Cornerstone" é a música que mais lembra os primeiros disco, gravada após as sessões do deserto, foi gravada e produzida em Nova Iorque, nos Electric Lady Studios, o estúdio de Jimi Hendrix. Além de "Cornerstone", "My Propeller" e "Secret Door" também foram gravadas lá.
Individualmente, cada um se esforça ao máximo para levar as novidades do estúdio para o palco, com destaque para o baterista Matt Helders, que faz um excelente papel no álbum inteiro, principalmente em "Pretty Visitors" e "Dance Little Liar".
A crítica especializada reagiu bem ao disco, a Uncut, uma das principais revista de música do planeta, deu 4 estrelas num máximo de 5, e o disco faz valer essa "nota". A grande divisão de opiniões foi dentre os fãs mas não impediu o álbum de atingir o topo da parada inglesa.

Faixas:
01 My Propeller
02 Crying Lightning
03 Dangerous Animals
04 Secret Door
05 Potion Approaching
06 Fire And The Thud
07 Cornerstone
08 Dance Little Liar
09 Pretty Visitors
10 The Jeweller's Hands
Banda:

Alex Turner - vocals, guitar, keyboard on "Pretty Visitors"
Jamie Cook - guitar
Nick O'Malley - bass, vocals
Matt Helders - drums, vocals
Josh Homme - vocals on "Dangerous Animals", "Potion Approaching" and "I Haven't Got My Strange", glockenspiel on "The Jeweller's Hands"
John Ashton - keyboards, vocals
Alison Mosshart - guest vocals on "Fire and the Thud"
All tracks produced by Josh Homme, except tracks 1, 4 and 7, produced by James Ford. All lyrics by Alex Turner.



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

The Doors - The Doors (1967)

Seguindo na minha teoria de que na música tudo foi inventado nos anos 60, The Doors são os pais do rock progressivo. Gênero difundido e explorado à exaustão por bandas como Yes, Pink Floyd e King Crimson, por exemplo, teve no Doors sua pedra fundamental. O fato da banda não ter baixo em várias faixas dá aos teclados a base da melodia, o que é uma característica clara das bandas progressivas.
O Doors foi uma banda que já estreiou no auge de sua sonoridade. A banda já tocava regularmente em pequenas casas de shows em Los Angeles, o mais famoso deles é o Wiskey A Go Go, o que deixou o som da banda ainda mais afiado. Com todas as composições já prontas, era só entrar no estúdio e gravar o que certamente tornaria-se um grande sucesso. E realmente foi assim, o disco atingiu o segundo lugar nas paradas estadunidenses e o single "Light My Fire" figurou no topo da lista das mais ouvidas nas principais rádios dos EUA.
Poucas bandas lançaram um disco de estréia tão extraordinário, o Doors é uma banda que já começou no auge. Depois lançou vários discos tão bons quanto ou inferiores a este. Com a presença impactante de Jim Morrison a frente do grupo, um dos melhores vocalistas do Rock'N'Roll, a banda atingiu logo grande popularidade nos EUA e foi convidado para apresentar-se no programa de TV Ed Sullivan Show, uma das maiores audências da TV estadunidense na época. Quando, no camarim, pediram para mudar a palavra "higher", que significa "mais chapado", em "Light My Fire" a banda concordou, mas no ato Jim Morrison encheu a boca e desferiu o petardo. Era a primeira grande confusão que a banda aprontava das muitas que estavam por vir.
O disco que abriu o caminho do Doors à uma das carreiras mais bem sucedidas do Rock!

Faixas:
Lado 1
"Break On Through (To the Other Side)" – 2:29
"Soul Kitchen" – 3:35
"The Crystal Ship" – 2:34
"Twentieth Century Fox" – 2:33
"Alabama Song (Whisky Bar)" (Bertolt Brecht, Kurt Weill) – 3:20
"Light My Fire" – 7:06
Lado 2
"Back Door Man" (Willie Dixon) – 3:34
"I Looked at You" – 2:22
"End of the Night" – 2:52
"Take It as It Comes" – 2:17
"The End" – 11:41
Banda:
Robby Kriegerguitar, backing vocals
Jim Morrisonvocals
Ray Manzarekorgan, piano, keyboards, keyboard bass ("Break On Through", "The Crystal Ship", "Twentieth Century Fox", "Alabama Song (Whisky Bar)", "Light My Fire", "End of the Night", "The End"), backing vocals
John Densmoredrums
Larry Knechtel (Uncredited) – bass ("Soul Kitchen", "Twentieth Century Fox", "Back Door Man", "I Looked At You", "Take It As It Comes")


The Doors - The Doors


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tropicália ou Panis Et Circenses (1968)

Hoje eu finalmente entendi o Tropicalismo do ponto de vista cultural, porque do musical eu já tinha entendido antes. O Tropicalismo é o mais importante e talvez o único movimento de contra-cultura brasileiro, e por ser um movimento desse tipo não foi devidamente entendido e difundido em sua época. O Brasil vivia dias em que as pessoas levavam todas as discussões políticas, culturais, comportamentais ao extremo: ou você era a favor do governo e demonstrava isso de uma maneira estabelecida ou era contra e também demonstrava isso de uma maneira igual. Não existia espaço para o meio termo, ou seja, não havia lugar para o Tropicalismo. Finalmente compreendi porque Caetano e Gil foram presos e exilados. Artistas como Chico Buarque, Geraldo Vandré e outros que criticavam a ditadura de forma mais aberta e veemente, não foram tão perseguidos e censurados quanto Caetano e Gil, os principais porta-vozes do movimento tropicalista. Os militares viam na Tropicália um movimento perigoso pelo fato de representarem uma contra-cultura, uma libertação do contrato-social tradicional estipulado pela sociedade. Eles representavam uma ameaça maior para o sistema vigente na época, que os artistas mais incisivos nas críticas. Além do fato, que a ditadura não queria passar uma imagem repressora até o AI-5, por isso não ia atrás de gente como Vandré e Buarque, o alarde seria muito maior. Mas com Gil e Caetano, eles foram implacáveis, prendendo-os e depois exilando-os na Europa.
Por outro lado, a esquerda e a juventude brasileira da época, não aceitava nenhuma manifestação de pessoas tidas como contrárias à ditadura que não fossem críticas severas, abertas e diretas. Esse é o motivo que eu encotrei para justificar a famosa vaia recebida por Caetano Veloso no FIC de 1968.
Musicalmente, o disco é um resumo do que o movimento propunha. A beleza e a suavidade da Bossa-nova era representada por Nara Leão; O poder, a vibração e a energia do Rock vinha com Os Mutantes. Gal Costa empresta sua voz e interpretação inconfundíveis e inigualáveis. Tom Zé era o sujeito que não entendia nada de música e que era tão genial quanto os outros graças às letras e melodias precisas. Caetano e Gil eram duas das cabeças mais privilegiadas do movimento, com letras e arranjos fantásticos. Torquato Neto era o braço poético do grupo, enquanto o maestro Rogério Duprat trazia sua formação clássica para subverter tanto a música clássica quanto a música popular nos arranjos que se tornaram um marco na história da música brasileira. O disco resume o estilo musical que o movimento propôs, a mistura de vários estilos típicamente brasileiros. Seja da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo ou do Rio Grande do Sul: a Tropicália une o Brasil e propõe que essa união poderia tornar-se a nova cultura brasileira. Por isso era um movimento de contra-cultura, e também por isso não foi entendida pela juventude da época e logo vista como uma grande ameaça aos olhos dos governantes golpistas. A Tropicália está 40 anos atrás e 40 anos à frente.

Faixas:
1. "Miserere Nóbis" - Gilberto Gil
2. "Coracão Materno" - Caetano Veloso
3. "Panis et Circenses" - Os Mutantes
4. "Lindonéia" - Nara Leão
5. "Parque Industrial" - Gilberto Gil/Caetano Veloso/Gal Costa
6. "Geléia Geral" - Gilberto Gil
7. "Baby" - Gal Costa/Caetano Veloso
8. "Três Caravelas" - Caetano Veloso/Gilberto Gil
9. "Enquanto Seu Lobo Nao Vem" - Caetano Veloso
10. "Mamãe, Coragem" - Gal Costa
11. "Bat Macumba" - Gilberto Gil
12. "Hindo Do Senhor Do Bonfim" - Caetano Veloso/Gilberto Gil/Gal Costa





quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Caetano Veloso & Banda Black Rio - Bicho Baile Show (2002)

No final da década de 70, a black music era o som do Rio de Janeiro e por tabela tinha grande receptividade do resto do país, uma das melhores bandas no estilo era a famosa Banda Black Rio. Como toda a novidade, a black music teve a antipatia de muitos músicos já consagrados na música brasileira mas também contou com o apoio de nomes importantes. Quando Caetano Veloso convidou a Banda Black Rio para acompanha-lo para uma turnê por algumas capitais brasileiras. Estava decretado a principal parceria entre o que havia de melhor na black music brasileira com um dos principais artistas brasileiros de todos os tempos.
Trazendo novos arranjos à clássicos como Odara, London London e Alegria Alegria, a banda dá à música de Caetano uma nova vida, que após a turnê, manteve-se longe dos ouvidos do público até ser restourado e gravado em CD para fazer parte de uma caixa com todos os disco da carreira de Caetano.
Gravado em 1978 no teatro Carlos Gomes, que fica na praça Tiradentes, centro do Rio, esse disco quase não é visto de forma avulsa e para comprar a tal caixa você precisa ter algo em torno de mil pratas. Além das músicas de Caetano, o disco traz 3 faixas do lendário álbum de estréia da banda, o Maria Fumaça. É a única chance de ouvir a banda ao vivo num disco, e ainda interpretando suas próprias músicas, até onde eu sei. Se alguém souber um disco ao vivo da Banda Black Rio escreve nos comentários!

Faxias:
1.Intro/Odara
2.Odara
3.Tigresa
4.London, London
5.Na Baixa do Sapateiro
6.Leblon Via Vaz Lobo
7.Maria Fumaça
8.Two Naira Fifty Kobo
9.Gente
10.Alegria, Alegria
11.Baião
12.Caminho Da Roça
13.Qualquer Coisa
14.Chuva, Suor E Cerveja

Caetano Veloso & Banda Black Rio - Bicho Baile Show

domingo, 1 de novembro de 2009

Small Faces - Small Faces (1966)

Disco de estréia de uma das melhores bandas britânicas dos anos 60, esse Lp lançado pela Decca levou o Small Faces, do genial Ronnie Lane, a figurar com destaque nas paradas da época.
Formado em 64, a banda logo conseguiu evidência na cena Mod, movimento de contra-cultura que estava no auge na Inglaterra, com 'hits' como "Whatcha Gonna Do About It" e versões de clássicos do R&B americano que faziam muito sucesso entre os mods. Outro atrativo da banda era o próprio nome, "Face" era uma gíria usada para descrever um mod estiloso e respeitado. O nome surgiu por acaso numa conversa com uma amiga da banda, quando ela disse que eles eram todos "small faces".
Além de Lane, que tocava baixo e fazia a segunda voz, a banda contava com Steve Marriot, guitarrista e vocalista, que depois de sua saída da banda, formou o Humble Pie. Para a bateria o escolhido foi Kenny Jones, que anos mais tarde substituiria o insubstituível Keith Moon, no Who, outra banda que teve forte ligação com o movimento Mod. O primeiro tecladista da banda foi Jimmy Wiston, filho do dono da loja de instrumentos onde os membros da banda se conheceram, pouco tempo depois Jimmy foi substituido por Ian McLagan, quem gravou a maioria das faixas e aparece na capa desde álbum.
Esse disco é o primeiro e único lançado pela Decca Records, além do primeiro 'hit' da banda ("Whatcha Gonna Do About It") também traz "Shake" um versão da música de Sam Cooke. "Sha-la-la-la-lee", outro single anterior de muito sucesso, é a faixa que encerra o disco com chave de ouro. Apesar disso, o grande destaque do disco é "You Need Loving", inspirada na música de Willie Dixon, gravada em 1962 por Muddy Waters como "You Need Love". A gravação do Small Faces, serviu de base para "Whole Lotta Love" do Led Zeppelin em seu segundo disco.
Um álbum de estréia à altura para uma banda que tornou-se influência para várias outras grandes bandas posteriores.

Faixas:
"Shake" (Sam Cooke) 2:55
"Come on Children" (Jones/Lane/Marriott/Winston) 4:20
"You'd Better Believe It" (Lynch/Ragovoy) 2:19
"It's Too Late" (Jones/Lane/Marriott/Winston) 2:37
"One Night Stand" (Lane/Marriott) 1:50
"Whatcha Gonna Do About It" (Potter/Samwell) 1:59
"Sorry She's Mine" (Lynch) 2:48
"Own Up Time" (Jones/Lane/Marriott/McLagan) 1:47
"You Need Loving" (Lane/Marriott) 3:59
"Don't Stop What You're Doing" (Jones/Lane/Marriott/McLagan) 1:55
"E Too D" (Lane/Marriott) 3:02
"Sha-La-La-La-Lee" (Lynch/Shuman) 2:56
Formação:
Steve Marriott - vocals, guitar
Ronnie Lane - backing vocals, bass guitar
Kenney Jones - drums
Ian McLagan - keyboards
Jimmy Winston - vocals, keyboards


Small Faces - Small Faces

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Crosby, Stills, Nash & Young - Déjà Vu (1970)

A principal influência para o som do Fleet Foxes, "Déjà Vu" é o primeiro disco da banda enquanto um quarteto. Em 69, o CSN lançou um excelente disco de estréia e logo foi rotulado como um supergrupo, já que era formado por David Crosby, ex-membro do Byrds, Stephen Stills, ex-Buffalo Springfield e Graham Nash, ex-Hollies. Já em 70, o supergrupo ficou ainda melhor com a entrada de Neil Young, também ex-Buffalo Springfield, dando uma guitarra a mais à banda.
Apesar de não tocar em todas as faixas, a marca de Young é notável. Uma guitarra bem mais agressiva, coisa pouco comum no country rock e que ajudou a tornar o disco e grupo inovadores do estilo. Para completar a banda, foram recrutados Dallas Taylor, para a bateria, e Greg Reeves, para o baixo.
A única composição que não partiu da banda foi "Woodstock" de Joni Mitchell, uma canção que relembra o festival do ano anterior. A faixa que abre o disco, "Carry On" de Stills, é uma das que não contam com Young. A guitarra é resposabilidade do próprio Stills que apresenta o pedal wha-wha ao contry rock de uma forma sublime. "Teach Your Children" virou um hino da contra-cultura americana, a letra escrita por Nash um ano antes, falando da difícil relação com o pai. Foi adotado pela contra-cultura como uma espécie de recado à sociedade estadunidense.
Em algumas faixas, a banda conta com a participação de Jerry Garcia, do Greatful Dead, tocando slide guitar. Outro que dá as caras é John Sebastian, do The Lovin' Spoonfull.
"Déjà Vu", além de ser um marco para o contry rock e para o folk do ponto de vista da harmonia, dos arranjos e da maneira de tocar, é um marco para a sociedade estadunidense, com letras engajadas politicamente, o disco retrata o sentimento por paz e amor de toda uma geração daquele país.

Faixas:
Lado 1

"Carry On" (Stephen Stills) – 4:26
Stills - guitars, organ, bass, lead vocal; David Crosby - guitar, vocal; Graham Nash - guitar, vocal; Dallas Taylor - drums, percussion
"Teach Your Children" (Nash) – 2:53
Nash - guitar, lead vocal; Stills - guitar, bass, vocal; Crosby - vocal; Jerry Garcia - pedal steel guitar; Taylor - tambourine
"Almost Cut My Hair" (Crosby) – 4:31
Crosby - electric guitar, vocal; Stills - electric guitar; Nash - organ; Neil Young - electric guitar; Greg Reeves - bass; Taylor - drums
"Helpless" (Young) – 3:33
Young - guitar, harmonica, lead vocal; Stills - electric guitar, piano, vocal; Nash - guitar, vocal; Crosby - vocal; Reeves - bass; Taylor - drums
"Woodstock" (Joni Mitchell) – 3:54
Stills - electric guitar, organ, lead vocal; Nash - electric guitar, vocal; Crosby - vocal; Young - electric guitar; Reeves - bass; Taylor - drums
Lado 2

"Déjà Vu" (Crosby) – 4:12
Crosby - guitar, lead vocal; Stills - electric guitar, vocal; Nash - guitar, piano, vocal; John Sebastian - harmonica; Reeves - bass; Taylor - drums
"Our House" (Nash) – 2:59
Nash - piano, harpsichord, lead vocal; Stills - bass, vocal; Crosby - vocal; Taylor - drums
"4 + 20" (Stills) – 2:04
Stills - guitar, vocal
"Country Girl" ("Whiskey Boot Hill," "Down, Down, Down," "Country Girl (I Think You're Pretty)") (Young) – 5:11
Young - guitar, organ, harmonica, lead vocal; Stills - guitar, vocal; Crosby - guitar, vocal; Nash - guitar, vocal; Reeves - bass; Taylor - drums
"Everybody I Love You" (Stills, Young) – 2:21
Stills - electric guitar, organ, vocal; Crosby - electric guitar, vocal; Nash - vocal; Young - electric guitar; Reeves - bass; Taylor - drums
Formação:
David Crosby : guitars, vocals
Stephen Stills : guitars, bass guitar, keyboards, vocals
Graham Nash: guitars, keyboards, vocals
Neil Young: guitars, keyboards, harmonica, vocals
Participações:
Greg Reeves: bass guitar
Dallas Taylor: drums, percussion
Jerry Garcia: pedal steel guitar
John Sebastian: harmonica

Crosby, Stills, Nash & Young - Déjà Vu


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Arthur Verocai - Arthur Verocai (1972)

Taí um dos discos brasileiros mais cultuados mundo à fora. Não chega a ser tudo isso que comentam por aí, é apenas mais um bom disco feito por aqui, a grande diferença é que ele é uma raridade e os gringos descobriram antes de nós.
Misturando elementos da Bossa Nova ao Soul e ao Funk, o disco traz mescla faixas instrumentais, muito boas, com algumas outras com letras nem tão inspiradas. Teria sido melhor deixar o disco inteiro instrumental. A marca inconfundível do disco são os arranjos, principalmente do naipe de metais. Além de fazer o arranjo e cantar, é Verocai quem toca um violão marcante, uma assinatura que deixa o disco um pouco mais original.
Uma das melhores faixas do disco é "Presente Grego", que não é instrumental, mas é justamente a parte instrumental dela que resume o que é o disco. O naipe de metais, captaneado pelo sax da lenda Oberdan Magalhães, dá um show junto com o brilhante baterista auto-didata Robertinho Silva e com a guitarra cheio de efeitos caracteristicos do Funk de Helio Delmiro.
Para amanizar que mnão tem mil dólares para comprar o LP original, a Luv 'N Haight reeditou o disco e vende cada LP por 16 dólares, bem melhor! O disco original foi lançado pela Continental, com poucas tiragens e não se preocupou em fazer outra edição do disco, com isso, esse disco que é o único lançado por Verocai, tornou-se uma raridade e, infelizmente, conhecido apenas por gente que vai um pouco mais fundo na música brasileira.

Músicos:
Helio Delmiro(guitarra)Robertinho Silva, Paschoal Meirelles(bateria)Luiz Alves(baixo)Aloysio Aguiar(piano)Nivaldo Ornellas, Paulo Moura(sax)Oberdan(sax, flauta)Edson Maciel(trombone)Celia, D. Carlos, Gilda Horta, Jose Carlos, Luiz Carlos, Paulinho, Toninho Café, Toninho Horta(vocais)Arthur Verocai(voz, violão)
Faixas:
1. Caboclo
2. Pelas Sombras
3. Sylvia
4. Presente Grego
5. Dedicado a Ela
6. Seriado
7. Na Boca do Sol
8. Velho Parente
9. O Mapa
10. Karina [Domingo no Grajau]

Arthur Verocai - Arthur Verocai

sábado, 24 de outubro de 2009

Rogério Skylab - Skylab II (2001)

O Túlio Brasil, do La Cumbuca, tava me devendo um texto sobre um disco de sua predileção há tempos. Finalmente, este blog tem o privilégio de receber o mais eclético e patriota cidadão de Vaz Lobo!!

2001. Ano que inspirou Kubrick, primeiras músicas do Franz Ferdinand, meus nove anos e um misto de lembranças confusas. Caindo no meio disso tudo a mais perfeita forma de expressão de um estranhão que já aparecera até então em terras brasileiras.
Skylab 2 é o registro ao vivo de um artista inquieto e incompreendido. Sem censura ele fala de tudo que o atordoa, sem medo de parecer engraçado ou mentiroso ele entrega sua realidade fantasiosa à quem quiser ouvir.
Ainda com poucos discos lançados (apenas 3, hoje ele tem mais de 10) não é qualquer um que consegue chegar num produto final tão bom e tão cedo. É improvável que, mesmo que fique horrizado, você não tenha vontade de cantar o refrão de 'Convento das Carmelitas'.
Por mais que você ache tudo fora de forma, só veja absurdos jogados numa canção, há sempre um momento que a música do Skylab é convinente. Não espero que você compactue com o que é dito em 'Moto Serra', mas num mundo de relações tão desgastantes é bom ouvir um suspiro desses. Se não for por ódio, vale pelas risadas possiveis de tirar dali - mesmo não sendo esse o objetivo do disco!
Felizmente, tantas características estranhas acabaram caindo em boas mãos. A banda que acompanha os devaneios do figura defeca (não achei verbo mais adequado, isso foi um elogio) perfeitamente a melodia e o ritmo necessário para que a obra flua até o cu ou boca, sei lá, é tudo a mesma coisa.
Tanto é, que os cinco paragrafos que antecedem este podem ser completamente descartados. Você só precisa saber disso: Essa porra é foda!


Faixas:
1 - Metrô.
2 - Jesus.
3 - Carne Humana.
4 - Moto-Serra.
5 - Naquela Noite.
6 - Convento das Carmelitas.
7 - Derrame.
8 - Urubu.
9 - Matadouro das Almas.
10 - Sensações.
11 - Música Suave.
12 - Ato Falho.
13 - Carrocinha de Cachorro Quente.
14 - Privada Entupida.
15 - Funérea. 16 - Cú e Boca.
17 - Samba.
18 - Matador de Passarinho.

Banda:
Rogério Skylab - vocal
Wlad - baixo
Alexandre BG - guitarra
Alexandre Guichard - violão
Marcelo B - bateria
Luis Lancaster do Zumbi do Mato na faixa "Samba"

Return To Forever - Romantic Warrior (1976)

Formado em 1971 por Chick Corea, vários músicos passaram pela banda nos discos anteriores, mas foi nesse, o sexto, que o grupo alcançou sua formação melhor e mais comentada formação. Além do próprio Corea, nos teclados, o disco ainda traz Stanley Clarke no baixo, Lenny White na bateria, White foi o baterista no clássico absoluto do Jazz "Bitches Brew" de Miles Davis. Fechando a turma, Al di Meola com guitarra e violão.
O álbum se revela uma tentativa muito bem sucedida em levar o rock progressivo ao Jazz, com efeitos de guitarras elaborados, solos majestrais de baixo, tudo isso com a levada jazzística na bateria. Aliando velocidade a técnica, os integrantes do quarteto esbanjam talento com seus instrumentos.
O tema do disco é a idade média, clara referência ao trabalho de Rick Wakeman, ex-tecladista do "Yes", que também fazia deste tema uma constante em seu trabalho. Como o disco é todo instrumental, a Idade Média se restringe ao título das faixas e à belíssima capa.

Faixas:
"Medieval Overture" (Corea) – 5:14
"Sorceress" (White) – 7:34
"The Romantic Warrior" (Corea) – 10:52
"Majestic Dance" (Di Meola) – 5:01
"The Magician" (Clarke) – 5:29
"Duel of the Jester and the Tyrant" (Part I & Part II) (Corea) – 11:26

Return To Forever - Romantic Warrior

sábado, 17 de outubro de 2009

Wolfmother - Wolfmother (2005)

Lançado em 2005, na Austrália, o álbum de estréia da banda chegou às prateleiras internacionais apenas em 2006, com uma faixa a mais, "Love Train". Como um power-trio dos anos 60, tocando o hard-rock caractrístico dos anos 70, a banda australiana não traz nenhuma inovação ao estilo mas é, certamente, uma boa pedida aos fãs de rock que estão sempre à espera de alguma novidade interessante.
Formado em 2000, a banda vinha "tocando por aí no anonimato", segundo seus integrantes. Em 2005 apenas, veio a chance de gravar um disco. Quando finalizado, o disco emplacou vários 'hits' nas rádios das principais cidades da Austrália. Além de ter sido o álbum australiano do ano e ter chegado por 5 vezes ao disco de platina.
A comparação com bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath e Blue Cheer é inevitável. Melhor tocar bem a ser original, talvez pensem os integrantes da banda, mas originalidade nos dias de hoje é fundamental. Para mim, uma banda formada hoje em dia tocar como eles tocam e fazer sucesso é uma tremenda surpresa e das mais agradáveis.
Apesar do reconhecimento, a banda praticamente se dissolveu no final do ano passado, restando apenas o guitarrista e vocalista Andrew Stockdawle. O baixista Chris Ross e o baterista Myles Heskett deixaram a banda e isso provavelmente vai afetar consideravelmente o som da banda. No início de 2009, Stockdawle recrutou mais três músicos e vão lançar no fim desse mês o segundo álbum da banda, "Cosmic Egg", onde poderemos ver o quão diferente a banda irá se mostrar.

Faixas:

"Dimension" – 4:21
"White Unicorn" – 5:04
"Woman" – 2:56
"Where Eagles Have Been" – 5:33
"Apple Tree" – 3:30
"Joker & the Thief" – 4:40
"Colossal" – 5:04
"Mind's Eye" – 4:54
"Pyramid" – 4:28
"Witchcraft" – 3:25
"Tales" – 3:39
"Love Train" – 3:03
"Vagabond" – 3:50
(versão internacional)
Membros:

Wolfmother - Wolfmother

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fela Kuti & Africa '70 - Live! With Ginger Baker (1971)

Na onda do Fela-Day, hoje dia 15 de outubro de 2009, estou postando o único disco Dele que eu já ouvi todo (preciso escutar mais Fela). Gravado ao vivo com o ex-baterista do Cream e a mais célebre banda já montada pelo Fela Kuti, o Africa '70.
Fela Kuti, foi o fundador do Afro-beat, estilo difundido nos anos 60 quando Kuti experimentou com muitas formas diferentes de música contemporânea da época. Predominantes na sua música são harmonias e ritmos nativos Africanos, tendo diversos elementos e combinando, modernização e improvisando sobre eles. Temas políticos são essenciais para o gênero, já que a crítica social é utilizada para preparar o caminho para a mudança social, segundo Fela.
O Afrobeat teve profundas influencias em importantes produtores contemporâneos como Brian Eno, que creditaram Fela Kuti como uma influência. Sem contar que é a razão de existir de uma das melhores banda do planeta, a Antibalas Afrobeat Ochestra.
Além de Ginger Baker, também aparece em todas as faixas Tony Allen na baterista. A dupla é acompanhada por mais 5 músicos na percussão. Além da presença marcante do "batuque", a big band ainda traz um sensacional naipe de matais e ainda guitarra e baixo bastante característicos do Afrobeat.


Formação:
Voz, órgão e sax tenor: Fela Ransome-Kuti
Trumpete primeiro (solo): Tunde Williams
Trumpete segundo: Eddie Faychum
Sax tenor (solos): Igo Chiko
Sax barítono: Lekan Animashaun
Guitarra: Peter Animashaun
Baixo: Maurice Ekpo
Bateria: Tony Allen
Bateria: Ginger Baker
Conga primeira: Henry Koffi
Conga segunda: Friday Jumbo
Conga terceira: Akwesi Korranting
Sticks: Tony Abayomi
Shekere: Isaac Olaleye

Faixas:
1- Let’s start – Fela Kuti e Ginger Baker
2- Black man’s cry – Fela Kuti e Ginger Baker
3- Ye ye de smell – Fela Kuti e Ginger Baker
4- Egbe mi o (Carry me I want to die) – Fela Kuti e Ginger Baker
5- Drum solo (Ginger Baker & Tony Allen) - Fela Kuti e Ginger Baker

Fela Kuti & Africa '70 - Live! With Ginger Baker

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

The Jeff Beck Group - Truth (1968)

Mais um dos sensacionais lançamentos do ano de 1968, Truth é a estréia de Jeff Beck comandando uma banda ao seu gosto. Após sair dos Yardbirds, banda na qual Beck conquistou sua fama, ele resolveu convocar outros músicos para fazer música do jeito dele. Então, foram recrutados Rod Stewart, um cantor que perambulava por algumas bandas londrinas e era conhecido como "Rod, the Mod", por seu envolvimento com o movimento Mod. Ronnie Wood, vindo de uma banda londrina que obteve algum sucesso, o Birds (não confundir com The Byrds) entrou como baixista. Para a bateria, veio Mick Waller, ex-integrante do Steampacket assim como Rod. Essa foi a base que gravou o disco.
Agora, a melhor parte são os convidados especiais. A faixa "Beck's Bolero" foi gravada um ano antes, em 1967, para servir de lado B à um compacto em 7 polegadas que vinha para começar a divulgar a carreira "solo" de Beck. Para gravar o petardo, foram chamados Jimmy Page, que ficou com o violão de 12 cordas, John Paul Jones no baixo, Nick Hopkins encarregado do piano e Keith Moon na bateria. Além do próprio Beck na guitarra. Essa faixa junta 2 integrantes do Led Zeppelin, dois anos antes da formação da banda e de quebra, traz um dos melhores bateristas daquela geração no auge de sua loucura.
Para abrir o disco, a banda traz "Shapes of Things", música que ficou mais conhecida graças à versão dos Yardbirds, numa pegada mais pesada e rápida. Talvez seria um recado de Beck para a antiga banda. A versão de "I Ain't Superstitious", faixa que fecha o disco, segundo Beck, era apenas uma desculpa para usar os seus pedais de efeitos para a guitarra. Essa versão é inspirada na de Howlin' Wolf e não na original de Willie Dixon.
Entre essas faixas, o que você ouve é o Rock'n'roll na sua essência mais pura e pesada, caminhando lado a lado com o Blues. Essa combinação traz o sucesso à esse timaço que formou o Jeff Beck Group.
Formação:
Jeff Beck
Rod Stewart
Ronnie Wood
Mick Waller
Faixas:
Lado A
Shapes of Things
Let Me Love You
Morning Dew
You Shook Me
Ol' Man River
Greensleeves
Rock My Plimsoul
Beck's Bolero
Blues Deluxe
I Ain't Superstitious

The Jeff Beck Group - Truth

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mulatu Astatke & The Heliocentrics - Inspiration Information (2009)

O volume 3 da série da série de discos Inspiration Information, realizado pela Strut Records foi o pretexto para a reunião entre o mestre etíope Mulatu Astatke com a banda inglesa The Heliocentrics. Os ingleses lançaram seu álbum de estréia em 2007, o "Out There", trazendo a fusão entre psicodelia, sons africanos e outras influências. Já Astatke vem de um longo hiato de gravações em estúdio.
A parceria ocorreu em decorrência da ida de Astatke a Londres, em abril de 2008, depois de 15 anos sem apresentações ao vivo na Inglaterra. Os Heliocentrics eram os que melhor se encaixavam para atender a sonoridade pretendida pelo maestro. Assim que começaram os ensaios, ficou claro que a banda era a ideal para trazer de volta as principais composições do etíope aos palcos ingleses.
O álbum foi todo composto e gravado em apenas uma frenética semana entre 8 e 14 de setembro do ano passado num estúdio em Londres. Além de Astatke e da rapaziada do Heliocentrics vários músicos etíopes moradores de Londres como: Dawit Gebreab, Yezina Nagash, Mesafnit Nagash and Temesgen Taraken aparecerem em participações em várias faixas.
Segundo os Heliocentrics, a banda nõa tentou recriar o Ethio-jazz mas trazer arranjos próprios, deixando uma marca particular nas sessões e na música de um ícone da música planetária.

Faixas:
01- Masengo
02- Cha Cha
03- Addis Black Widow
04- Mulatu
05- Blue Nile
06- Esketa Dance
07- Chik Chikka
08- Live From Tigre Lounge
09- Chinese New Year
10- Phantom Of The Panther
11- Dewel
12- Fire In The Zoo
13- An Epic Story
14- Anglo Ethio Suite

Mulatu Astatke & The Heliocentrics - Inspiration Information



sábado, 3 de outubro de 2009

The Clash - London Calling (1979)

O ano de 1979 não seria o auge do movimento punk sem London Calling. Terceiro álbum da banda, este álbum duplo levou a banda à patamares nunca experimentados por nenhuma outra banda punk antes ou depois. O álbum vendeu 2 milhões de cópias na Inglaterra e chegou à nona posição nas paradas. London Calling também trouxe dois dos mais bem sucedidos singles da carreira da banda: Train In Vain e London Calling.
A faixa que abre o disco é a homônima, já deixando o cartão de visitas. Nela Joe Strummer levanta questões como o desemprego, uso de drogas e conflitos raciais. "Brand New Cadillac", gravada originalmente por Vince Taylor, é a segunda faixa do álbum. O Clash creditava a música como uma das primeiras de Rock'N'Roll na Inglaterra. Em "Jude Can't Fail", a banda apresenta um de seus grandes diferenciais, o uso de uma seção de metais, trazendo influencias do Reggae, Soul e Ska. A letra dessa faixa fala sobre as dificuldades de se tornar um adulto responsável. "Spanish Bombs", que relembra a guerra civil espanhola, é uma combinação de uma letra muito bem feita com uma melodia poderosa. Assim um dos pontos altos do disco. "Guns of Brixton" é a primeira música do Clash composta por Simonon, baixista da banda, que nessa faixa também faz o vocal. A letra traz à tona a visão paranóica da vida que Simonon levava em Londres, durante o auge da banda, no bairro de Brixton onde ele havia crescido. Em "Death Or Glory", novamente as dificuldades em tornar-se um adulto com as responsabilidades mundanas são abordadas mas dessa vez Strummer toma como exemplo sua própria situação.
Quando o disco saiu, uma das poucas críticas negativas veio para a faixa "Revolution Rock". Para certa parte da imprensa comentou a inabilidade da dupla Strummer/Jones para compor músicas sobre amor. Apesar disso a faixa traz novamente a seção de metais roubando a cena com a ginga dos ritmos jamaicanos. "Train In Vain" foi adicionada de última hora como a última música do disco e é, talvez, a música mais conhecida do disco.
O disco é apontado como o melhor da banda e um dos melhores do Rock'N'Roll.

Faixas:
Lado 1
"London Calling" – 3:19
"Brand New Cadillac" (Vince Taylor) – 2:09
"Jimmy Jazz" – 3:51
"Hateful" – 3:22
"Rudie Can't Fail" – 3:26
Lado 2
"Spanish Bombs" – 3:18
"The Right Profile" – 4:00
"Lost in the Supermarket" – 3:47
"Clampdown" – 3:50
"The Guns of Brixton" (Paul Simonon) – 3:07
Lado 3
"Wrong 'Em Boyo" (Clive Alphonso) – 3:10
"Death or Glory" – 3:55
"Koka Kola" – 1:45
"The Card Cheat" (Jones, Strummer, Simonon, Topper Headon) – 3:51
Lado 4
"Lover's Rock" – 4:01
"Four Horsemen" – 3:00
"I'm Not Down" – 3:00
"Revolution Rock" (Jackie Edwards, Danny Ray) – 5:37
"Train in Vain" – 3:11
Formação:
The Clash - London Calling



Clube do Vinil (O Resultado)

Saiu a poucos dias a gravação da edição do Clube do Vinil do qual fiz parte. Já que eu noticiei aqui na época, volto para deixar o registro desse dia. O Maurício, dono da loja, grava todas as edições do Clube e depois disponibiliza no sítio deles. Lá você também tem dicas importantes de como comprar um vitrola e entrar para o mundo da bolacha de 12 polegadas.
Então aí vai a sessão (em 4 partes):
Clube do Vinil - Parte 1
Clube do Vinil - Parte 2
Clube do Vinil - Parte 3
Clube do Vinil - Parte 4

That's all, folks!