segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

The Who - Quadrophenia Soundtrack (1979)

A adaptação da lendária ópera-rock e maior disco do quarteto inglês à telona também virou disco. Quadrophenia é o auge do intelecto de Pete Townshend, já deve ter escrito a seguinte frase algumas três vezes pelo blog, mas nunca é ruim repetir: Pete Townshend é um gênio!
O disco original é de 1973, baseado no movimento Mod de 1964, o filme é de 1979, mas Quadrophenia eterno. Até hoje, é cultuado na Inglaterra pelas novas gerações, adaptações para o teatro acontecem rotineiramente desde que o filme foi lançado. O lançamento do filme alavancou ainda uma nova onda do movimento Mod, sem tanta força mas características parecidas e à reboque estouraram bandas como The Jam, Police, Secret Scene entre outras.
O filme é retrata a Londres de 1964 do ponto de vista do jovem Mod Jimmy Cooper, vivendo toda a intensidade da que a juventude da época dispunha. O grande mérito do filme é fazer a ficção parecer uma espécie de documentário, contando a vida do garoto da classe trabalhadora através de sua relação com as amigos, com o chefe, com a música, com os pais e com todo o ambiente que o cerca. Cenas como a batalha dos Mods contra os Rockers na cidade de Brighton reforçam essa sensação de documentário.
Porém, a essência do filme não é nossa preocupação aqui, e sim a trilha sonora. As músicas do álbum original que também aparecem na trilha sonora foram regravadas com Kenny Jones na bateria, substituindo o insubstituível Keith Moon. O interessante é reparar nas mudanças, as novas linhas de baixo e os metais, compostos e arranjados por John Entwhistle. Além das músicas do Who, a banda ainda traz 3 faixas que ficaram de fora da versão final do álbum original: "Joker James", "Get Out Stay Out" e "Four Faces".
A parte mais interessante do disco começa quando começam a aparecer as músicas que marcaram o movimento Mod. Vindo do soul e R&B estadunidenses, com James Brown, Booker T. And The MG's e The Crystals, até os representantes ingleses desses ritmos e também do rock como The High Numbers e Cross Section. O disco também traz e conta um pouco do espírito e do movimento Mod em sua essência mais profundo, a música.

Faixas:
Lado 1
"I Am the Sea" – 2:03
"The Real Me" – 3:28
"I'm One" – 2:40
"5:15" – 4:50
"Love Reign O'er Me" – 5:11
Lado 2
"Bell Boy" – 4:55
"I've Had Enough" – 6:11
"Helpless Dancer" – 0:22
"Doctor Jimmy" – 7:31
Lado 3
"Zoot Suit" (The High Numbers) – 2:00
"Hi-Heel Sneakers" (Cross Section) – 2:46
"Get Out and Stay Out" – 2:26
"Four Faces" – 3:20
"Joker James" – 3:13
"The Punk and the Godfather" – 5:21
Lado 4
The Who - Quadrophenia Soundtrack



Volta Sêca - As Cantigas de Lampeão (1957)

"Pouca gente no Brasil, conhecerá um sertanejo baixinho, simpático e de cara fechada chamado Antonio dos Santos. Mas todos já ouviram falar, com certeza, no famoso Volta Sêca, o mais jovem dos cangaceiros do bando de Lampeão." É assim que Paulo Roberto, então locutor da Rádio Nacional, faz a introdução ao 10 polegadas originalmente lançado em 1957 pela Todamérica. Cada faixa é prefaciada por um texto curto (meio romanceado, como convinha na época), lido pelo locutor. Em seguida, Volta Sêca entoa as melodias quase à capela e a orquestração irrompe geralmente no compasso do baião, com acordeom e zabumba.
Os épicos da saga de Lampeão, Mulher Rendeira (com os versos originais, utilizados no ataque do bando à cidade de Mossoró), Acorda Maria Bonita (a cantiga de despertar do grupo) e mais a lírica Se Eu Soubesse ("que chorando/ empatava sua viagem/ meus olhos eram dois rios/ que não te davam passagem") entram no precioso registro, onde todas as composições são atribuídas exclusivamente a Volta Sêca. Não falta o desafio Sabino e Lampeão , no qual o bando, que chegou a somar 240 integrantes, cutuca o chefe com vara curta, e lamentos quase parnasianos como Escuta Donzela (encordoado por um violão na linha de Dorival Caymmi). Cangaceiro a partir dos 11 anos, prisioneiro da polícia por outros 20, Volta Sêca mostra seu talento de voz trêmula nas queixas de Eu Não Pensei Tão Criança ("na flor da infância/ padecesse assim"). O baião Ia Pra Missa decifra o código dos embarcados para a guerra contra os "macacos" da força repressora. E A Laranjeira transborda de requinte poético, ao comparar o amor não correspondido ao bacutinho, a flor que fenece e morre sem dar frutos.Uma pequena jóia histórica de curta duração. Além disso, recomendo, para quem quer saber um pouco mais, o texto do jornalista Gilfransico, do Jornal da Cidade, clicando aqui.



Faixas:


Volta Sêca - As Cantigas de Lampeão

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

The Jimi Hendrix Experience - Axis: Bold as Love (1967)

Indo na onda do último RoNcA-RoNcA e também aproveitando que hoje Ele faria 67 anos, escolhi Axis: Bold As Love para reverencia-lo no dia de hoje. Também é questão de sorte, já que este é o único dos 3 álbuns de estúdio do Jimi Hendrix Experience que faltava aqui no blog.
O segundo álbum do Jimi Hendrix Experience segue o disco de estréia, Are You Experienced?, também de 67, com músicas igualmente poderosas e também uma produção ainda melhor que no álbum de estréia. Mitch Mitchell e Noel Redding estão mais à vontade tocando ainda melhor, levando seus instrumentos a novos patamares dentro do rock e ajudando Hendrix a tornar sua guitarra ainda mis poderosa.
Hendrix já dava sinais de sua famosa mania de perfeição, o disco foi todo gravado e produzido sempre tendo em vista o melhor resultado final possível, o que dificultou levar várias músicas deste disco para o palco usando apenas um trio. As músicas que a banda tocava com maior frequência era "Spanish Castle Magic" e "Little Wing". O fato curioso nisso tudo é que Hendrix esqueceu num táxi as fitas já masterizadas do lado 1, elas nunca mais foram encontradas, e a produção teve de ser totalmente refeita.
Não vou me alongar na descrição de efeitos de guitarra, solos de bateria ou viradas de baixo espetaculares. A primeira faixa resume bem o que o ouvinte vai encarar nos próximos minutos, "EXP" começa com notas do baixo que correspondem à introdução de "Stone Free", e revela-se uma imitação de uma transmissão de rádio. Mitch Mitchell é o radialista que recebe no programa "Mr. Paul Caruso" interpretado por Hendrix para falar sobre OVNI's. Quando de repente, "Mr. Caruso" é abruptamente abduzido por alienígenas enquanto o radialista incrédulo apenas diz:" - But, but, but...I don't believe it". Fico imaginando as pessoas cheias de LSD em pleno 1967, colocando a agulha no LP e dando de cara com essa introdução e com um disco altamente referente à experiencia que eles também estavam tendo.
Lançado no dia 1 de Dezembro de 67 na Inglaterra, Axis decretou o ano de 1967 como o ano da psicodelia e o Jimi Hendrix Experience foi um dos principais representantes do rock psicodélico.

Banda:
Jimi Hendrix
Noel Redding
Mitch Mitchell
Faixas:
1. EXP
2. Up From The Skies
3. Spanish Castle Magic
4. Wait Until Tomorrow
5. Ain't No Telling
6. Little Wing
7. If 6 Was 9
8. You Got Me Floatin'
9. Castles Made Of Sand
10. She's So Fine
11. One Rainy Wish
12. Little Miss Lover
13. Bold As Love

The Jimi Hendrix Experience - Axis: Bold as Love

Jorge Ben - Jorge Ben (1969)

Apesar das diferenças clubísticas irrevogáveis com Jorge Ben, sou obrigado a me render à beleza desta capa, uma das mais belas da música assinada pelo artisto plástico Albery. 1969 foi um ano e tanto para Ben, que preferiu continuar na mesma linha de composição, sem envolver-se com críticas ao governo. Como ficou sem lançar disco por dois anos até esse, viu de camarote o surgimento e o impacto da Tropicália na cena musical brasileira. Além de manter a melodia e os arranjos na mesma linha dos disco anteriores, Jorge Ben teve duas faixas produzidas pela lenda tropicalista Rogério Duprat: "Descobri que sou um Anjo" e "Barbarella".
Apesar do sucesso instantâneo de algumas músicas lançadas anteriormente à 69, é a primeira vez que Jorge Ben consegue implacar um disco que é aclamado de cabo a rabo. Esse álbum já nasceu clássico, pois é nele que estão as músicas: "País Tropical", "Cadê Tereza?", "Take it Easy My Brother Charles" que tem um dos melhores arranjos que já ouvi na vida, "Que Pena" e "Charles Anjo 45" e ainda "Quem foi que roubou a sopeira de porcelana chinesa que a vovó ganhou da Baronesa?" que é genial.
Jorge acompanhado pelo Trio Mocotó e Os Originais Do Samba e quase todo arranjado por José Briamonte que foi extremamente feliz em todas as músicas em que pôs a mão.
Faixas:
01. Criola
02. Domingas
03. Cadê Tereza
04. Barbarella
05. País Tropical
06. Take It Easy My Brother Charles
07. Descobri Que Sou Um Anjo
08. Bebete Vãobora
09. Quem Foi Que Roubou a Sopeira de Porcelana Chinesa Que a Vovó Ganhou da Baronesa
10. Que Pena
11. Charles 45




Jorge Ben - Jorge Ben

Moreira, Bezerra e Dicró - Os 3 Malandros In Concert (1995)

Os três maiores representantes da malandragem carioca juntos no mesmo disco!! O álbum é um retrato da carreira de cada um, desde a capa e do título as brincadeiras, sátiras e gozações já surgem. A referência clara e genial aos Três Tenores serve de pano de fundo como se o trio malandro estivesse num "Recital" em pleno Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que é outra grande gozação do disco. Um trio de sambistas e malandros da baixada fluminense dificilmente teria uma noite na programação elitizada do teatro.
Uma característica genial dos três é a capacidade de transformar situações corriqueiras, sem muita importância ou praticamente irrelevantes, em rimas, estrofes, poemas, letras fantásticas. Aliás, essa é uma característica que acompanha os principais sambistas de diferentes gerações ou classe social, cada um ao seu modo. Enquanto Vinícius de Moraes e Tom Jobim escreviam sobre a Garota de Ipanema indo para a praia, Dicró escreve sobre as "nêgas" da baixada, dos políticos pilantras e situações pitorescas em botecos.
Como informações sobre os músicos que tocam no disco são impossíveis de ter sem o encarte do disco, se bobiar nem ali encontra-se, não tenho certeza de quem toca, nem se é a mesma banda em todas as faixas. Apesar disso os disco traz o samba de raiz, sem muitas experimentações ou variações rítmicas, seu grande destaque são as letras e as interpretações dos três astros da malandragem carioca.

Faixas:
1- O RECITAL
2- OS TRÊS PAGODEIROS DO RIO
3- ÓPERA DO MORRO
4- MALANDROS IN CONCERT
5- RESSUSCITA ELE
6- CHAVE DE CADEIA
7- MALANDRO NÃO VACILA
8- O POLÍTICO
9- NA SUBIDA DO MORRO
10- DAVA DOIS
11- LUGAR MACABRO
12- JOGANDO COM O CAPETA
13- RUA DA AMARGURA


Moreira, Bezerra e Dicró - Os 3 Malandros In Concert


sábado, 21 de novembro de 2009

Arctic Monkeys - Humbug (2009)

O terceiro disco do Arctic Monkeys provocou reações tão intensas quanto as mudanças que a banda promoveu em sua sonoridade. Junto com o produtor Josh Homme, que teve uma grande influência no som da banda, os macaquinhos do ártico levam a empreitada para o lado da experimentação, com melodias e arranjos mais sofiticados, solos de guitarra e a já conhecida qualidade nas letras. Por mais que eu evite dar a opinião direta, essas foram as características que me levaram a gostar do disco.
Gravando grande parte das faixas no famoso estúdio Rancho la Luna, num deserto na Califórnia, a banda aproveitou bastante a experiência do produtor, tanto na mixagem quanto na gravação, pricipalmente das guitarras. "Crying Lightning" e "Dangerous Animals", com destaque para a primeira, são as faixas do álbum que melhor mostram todas as mudanças do som da banda.
"My Propeller", música que abre o álbum, é o recado direto do que a banda quer ser e do que ela já é, o impacto dela para quem ouve o disco desavisado e recordando-se dos anteriores é enorme.
"Cornerstone" é a música que mais lembra os primeiros disco, gravada após as sessões do deserto, foi gravada e produzida em Nova Iorque, nos Electric Lady Studios, o estúdio de Jimi Hendrix. Além de "Cornerstone", "My Propeller" e "Secret Door" também foram gravadas lá.
Individualmente, cada um se esforça ao máximo para levar as novidades do estúdio para o palco, com destaque para o baterista Matt Helders, que faz um excelente papel no álbum inteiro, principalmente em "Pretty Visitors" e "Dance Little Liar".
A crítica especializada reagiu bem ao disco, a Uncut, uma das principais revista de música do planeta, deu 4 estrelas num máximo de 5, e o disco faz valer essa "nota". A grande divisão de opiniões foi dentre os fãs mas não impediu o álbum de atingir o topo da parada inglesa.

Faixas:
01 My Propeller
02 Crying Lightning
03 Dangerous Animals
04 Secret Door
05 Potion Approaching
06 Fire And The Thud
07 Cornerstone
08 Dance Little Liar
09 Pretty Visitors
10 The Jeweller's Hands
Banda:

Alex Turner - vocals, guitar, keyboard on "Pretty Visitors"
Jamie Cook - guitar
Nick O'Malley - bass, vocals
Matt Helders - drums, vocals
Josh Homme - vocals on "Dangerous Animals", "Potion Approaching" and "I Haven't Got My Strange", glockenspiel on "The Jeweller's Hands"
John Ashton - keyboards, vocals
Alison Mosshart - guest vocals on "Fire and the Thud"
All tracks produced by Josh Homme, except tracks 1, 4 and 7, produced by James Ford. All lyrics by Alex Turner.



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

The Doors - The Doors (1967)

Seguindo na minha teoria de que na música tudo foi inventado nos anos 60, The Doors são os pais do rock progressivo. Gênero difundido e explorado à exaustão por bandas como Yes, Pink Floyd e King Crimson, por exemplo, teve no Doors sua pedra fundamental. O fato da banda não ter baixo em várias faixas dá aos teclados a base da melodia, o que é uma característica clara das bandas progressivas.
O Doors foi uma banda que já estreiou no auge de sua sonoridade. A banda já tocava regularmente em pequenas casas de shows em Los Angeles, o mais famoso deles é o Wiskey A Go Go, o que deixou o som da banda ainda mais afiado. Com todas as composições já prontas, era só entrar no estúdio e gravar o que certamente tornaria-se um grande sucesso. E realmente foi assim, o disco atingiu o segundo lugar nas paradas estadunidenses e o single "Light My Fire" figurou no topo da lista das mais ouvidas nas principais rádios dos EUA.
Poucas bandas lançaram um disco de estréia tão extraordinário, o Doors é uma banda que já começou no auge. Depois lançou vários discos tão bons quanto ou inferiores a este. Com a presença impactante de Jim Morrison a frente do grupo, um dos melhores vocalistas do Rock'N'Roll, a banda atingiu logo grande popularidade nos EUA e foi convidado para apresentar-se no programa de TV Ed Sullivan Show, uma das maiores audências da TV estadunidense na época. Quando, no camarim, pediram para mudar a palavra "higher", que significa "mais chapado", em "Light My Fire" a banda concordou, mas no ato Jim Morrison encheu a boca e desferiu o petardo. Era a primeira grande confusão que a banda aprontava das muitas que estavam por vir.
O disco que abriu o caminho do Doors à uma das carreiras mais bem sucedidas do Rock!

Faixas:
Lado 1
"Break On Through (To the Other Side)" – 2:29
"Soul Kitchen" – 3:35
"The Crystal Ship" – 2:34
"Twentieth Century Fox" – 2:33
"Alabama Song (Whisky Bar)" (Bertolt Brecht, Kurt Weill) – 3:20
"Light My Fire" – 7:06
Lado 2
"Back Door Man" (Willie Dixon) – 3:34
"I Looked at You" – 2:22
"End of the Night" – 2:52
"Take It as It Comes" – 2:17
"The End" – 11:41
Banda:
Robby Kriegerguitar, backing vocals
Jim Morrisonvocals
Ray Manzarekorgan, piano, keyboards, keyboard bass ("Break On Through", "The Crystal Ship", "Twentieth Century Fox", "Alabama Song (Whisky Bar)", "Light My Fire", "End of the Night", "The End"), backing vocals
John Densmoredrums
Larry Knechtel (Uncredited) – bass ("Soul Kitchen", "Twentieth Century Fox", "Back Door Man", "I Looked At You", "Take It As It Comes")


The Doors - The Doors